Política

Embaixadora considera Angola um mercado rico em oportunidades

O ambiente de negócios em Angola é bom, fruto das medidas em curso para o combate à impunidade e à corrupção, sendo que a reforma do sistema de justiça está a merecer uma especial atenção.

06/08/2022  Última atualização 08H20
Embaixadora Júlia Machado com o ex-presidente Pedro Pires © Fotografia por: DR

Essa afirmação foi feita pela embaixadora de Angola em Cabo Verde, Júlia Machado, num encontro com académicos e sociedade civil na cidade da Praia, evento realizado no âmbito do centenário do nascimento do Dr. António Agostinho Neto.

Falando no Campus do Palmarejo, da Universidade de Cabo Verde, para uma plateia de diplomatas, académicos, membros da sociedade civil de Santiago e angolanos residentes naquele arquipélago, destacou que Angola está aberta ao investimento privado, chamando a atenção dos empresários para olharem para o mercado angolano, que "é um mercado rico em oportunidades”.

Referindo-se às relações entre os dois países, destacou a histórica amizade que une os povos, assim como a perspectiva estratégica que Angola tem de Cabo Verde, reforçada pela visita do Presidente João Lourenço entre Novembro de 2021 e Março de 2022, assinando, na ocasião, importantes acordos, dos quais se destacam os protocolos no domínio dos Transportes Aéreos.

"A abertura da rota Luanda-Praia-Luanda e a conexão com os países da CEDEAO, Europa e América foi anunciada pelo Presidente João Lourenço e Angola vai cumprir com a palavra dada. As duas companhias de bandeira, a TAAG e a TACV, estão a trabalhar para a abertura das ligações aéreas, que vão, certamente, facilitar a movimentação dos cidadãos dos dois países, as trocas comerciais e de serviços, o intercâmbio de experiências e de conhecimento para a promoção e realização de negócios nos dois sentidos”, disse a diplomata angolana.

Discursando no acto de abertura da mesa-redonda, intitulada  "Agostinho Neto, a Paz e a Reconciliação Nacional”, Júlia Machado aproveitou a oportunidade para informar os presentes sobre o processo eleitoral que decorre em Angola.

"No próximo dia 24 de Agosto, os angolanos vão participar nas quintas eleições, votando no partido que livremente cada um escolher para a eleição do Presidente da República e dos deputados à Assembleia Nacional. Pela primeira vez na nossa história, os cidadãos angolanos na diáspora vão participar nestas Eleições Gerais, com a garantia de que os eleitores, uma vez mais, vão exercer livremente o seu direito de voto”, acrescentou.

A prestigiar o evento, que aconteceu a 27 de Julho, esteve o comandante Pedro Pires, ex-Presidente de Cabo Verde e presidente da Fundação Amílcar Cabral.

 País vivo em Tarrafal

Uma delegação da Embaixada de Angola em Cabo Verde trabalhou no município do Tarrafal, Ilha de Santiago, tendo visitado o ex-Campo de Concentração do Tarrafal de Santiago, transformado em Museu da Resistência.

A chefiar a comitiva, a embaixadora Júlia Machado considerou o local uma importante fortaleza de salvaguarda de uma memória histórica da resistência ao regime colonial português por parte de nacionalistas de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau e anti-fascistas portugueses.

Aquando da visita ao ex-Campo de Concentração de Tarrafal de Santiago,  tendo em atenção ao facto de continuar a ser o museu mais visitado de Cabo Verde no primeiro semestre de 2022, com mais de onze mil turistas nacionais (44%) e estrangeiros (56%), Júlia Machado destacou a oportunidade para os visitantes tomarem, também, contacto com a história da resistência angolana, através dos testemunhos dos 106 nacionalistas que ali estiveram presos entre 1962 e 1974, tais como Agostinho Mendes de Carvalho "Uanhenga Xitu”, Fialho da Costa, José Diogo Ventura, Amadeu Amorim, Manuel Bernardo de Sousa, António Cardoso, Carlos Alberto Van-Dúnem, Justino Pinto de Andrade e outros.

A anteceder a visita ao museu, a embaixadora de Angola em Cabo Verde dialogou com cidadãos tarrafalenses no auditório da Câmara Municipal. Júlia Machado informou que, depois de um longo e devastador período de guerra, Angola vive hoje uma situação de paz duradoura desde 2002, há vinte anos, portanto, paz e estabilidade que permitem trabalhar em prol do desenvolvimento e progresso.

"Angola e o seu Governo, liderado pelo Presidente João Lourenço, têm o compromisso de pensar na felicidade dos homens e mulheres que vivem naquele pedaço de terra, pensar nos angolanos no seu todo, sem excepção, porque são os homens que vão trabalhar para a contínua construção de uma Angola mais desenvolvida, mais democrática e mais inclusiva”, reafirmou.

Cidadãos de diversas sensibilidades políticas, artistas, docentes do ensino secundário e antigos combatentes e veteranos cabo-verdianos escutaram da diplomata os principais eixos do programa do Governo angolano.

Júlia Machado falou de sete pilares do Governo, liderado pelo Presidente João Lourenço, destacando a restauração da confiança dos cidadãos nas instituições do Estado, a estabilidade macroeconómica e o apoio ao sector empresarial para acelerar a diversificação económica, o trabalho para a auto-suficiência alimentar, a melhoria do ambiente de negócios de forma a atrair investimento privado (estrangeiro e nacional) e impulsionar o crescimento económico de todos os sectores. 

No momento, também se realizou uma palestra sobre a gesta do nacionalismo angolano, particularizando o papel de António Agostinho Neto, desterrado para Santo Antão, Cabo Verde, em Outubro de 1960.

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