Economia

Elevação da nota de risco é atribuída às reformas

Cristóvão Neto

Jornalista

O ministro de Estado para a Coordenação Económica e a ministra das Finanças, Manuel Nunes Júnior e Vera Daves, atribuíram a decisão anunciada, segunda-feira, pela agência de rating Moody’s, de elevar a nota da dívida soberana de Angola, às reformas económicas em curso no país.

17/09/2021  Última atualização 08H40
Vera Daves, Ministra das Finanças © Fotografia por: João Gomes | Edições Novembro
"O facto de Angola ter subido no ranking relativo à sua dívida soberana representa um sinal de que a comunidade internacional está a acompanhar, com confiança, as reformas em curso no país”, declarou Manuel Nunes Júnior ao reagir a essa evolução, num discurso proferido, ontem, no encerramento de um seminário de preparação para a avaliação a Angola que o Grupo de Acção Financeira Internacional (GAFI) inicia em Outubro.

Em declarações ao Jornal de Angola, a ministra das Finanças considerou que a elevação da nota de risco soberano de Angola pela Moody’s constitui "um forte sinal” de que as reformas de estabilização macroeconómica conduzidas pelo Governo são avaliadas de forma positiva pela agência de notação, como já tinham sido pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

"Os principais motivos que estiveram na base dessa decisão da Moody’s passam pelos sinais de estabilização macroeconómica, estabilidade cambial, pelo aumento das reservas internacionais líquidas, pelo bom desempenho fiscal de Angola, não obstante ao choque a que o país esteve submetido”, apontou a ministra, citando a agência de notação.

Vera Daves sublinhou que, no domínio do desempenho fiscal, o país conseguiu executar despesas sem uma deterioração  das contas públicas superior àquela que seria suportável, de modo que a receita não petrolífera desempenhou um papel fundamental.

A ministra considerou, ao enumerar os factos que sustentam a elevação da nota, que apesar de o preço do petróleo estar a revelar um desempenho positivo, a trajectória da produção contrabalança com esse efeito, pelo que "contaram os sinais a nível do desempenho fiscal, estabilidade cambial, posição externa de Angola e da governança das instituições do Estado no poder executivo e no poder legislativo”.

A gestão do perfil da dívida também foi apontada, afirmou Vera Daves, lembrando que Angola tem adoptado uma postura bastante conservadora no endividamento e a contratação de novos financiamentos, com vista a assegurar que a dívida se mantenha em rota de sustentabilidade e assegurar um serviço da dívida compatível com a sua capacidade de pagar”.

Quando a Moody’s anunciou a ascensão da nota de risco soberano de Angola de Caa1 para B3, na segunda-feira, o economista-chefe da Gemcorp Capital LLP, Simon Quijano-Evans, foi citado pela agência Bloomberg a declarar que, "se algum país mereceu uma elevação de classificação é Angola” e que "raramente se viu um país avançar com reformas em momentos   difíceis, com o objectivo de garantir o crescimento futuro e estabilidade.”

Naquele mesmo dia, o rendimento dos Eurobonds 2025 de Angola caiu 12 pontos base, para 6,11 por cento, o mais baixo numa base de fecho desde Fevereiro de 2020, acumulando uma redução de mais de 200 pontos base este ano, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.

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