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Eleições: Quenianos escolhem hoje os novos governantes

Os quenianos elegem, hoje, o sucessor do Presidente Uhuru Kenyatta, há dez anos no poder, numa disputa renhida entre o Vice-Presidente, William Ruto, e o líder histórico da oposição, Raila Odinga, apoiado pelo Chefe de Estado cessante.

09/08/2022  Última atualização 08H50
Eleitores quenianos participam na festa da democracia num ambiente de grande expectativa © Fotografia por: Dr

Em causa nestas eleições está a escolha do Presidente queniano para os próximos cinco anos bem como os deputados ao Parlamento, senadores, governadores e assembleias de condado (Poder Local).

Dos quatro candidatos na corrida presidencial, dois dominam as intenções de voto: Raila Odinga, 77 anos, concorre pela quinta vez, e o actual Vice-Presidente, William Ruto, 55 anos.

Cerca de 22,1 milhões de quenianos estão habilitados para eleger todos os seus representantes na votação de hoje. Segundo especialistas, este gigante da África Oriental parece menos apaixonado este ano do que nas eleições anteriores. Além das habituais caravanas eleitorais, animadas com música e slogans e retratos gigantes pelas ruas, durante a campanha de caça ao voto, os candidatos lutavam para despertar nos eleitores uma certa apatia.

Os dois candidatos principais concentraram-se ao longo da campanha nas questões domésticas, e pouco ou nada se sabe como vão dar seguimento aos esforços diplomáticos do Presidente  Kenyatta para atenuar as tensões na vizinha Etiópia ou as disputas entre o Rwanda e a República Democrática do Congo (RDC).

O Quénia é a maior economia da África Oriental e o lar de cerca de 56 milhões de pessoas. O país tem uma história recente de eleições turbulentas. As eleições presidenciais anteriores, em 2017, ficaram na história do país e do continente africano por terem sido anuladas pelo Supremo Tribunal queniano, que rejeitou os resultados e ordenou uma nova votação, no que foi uma estreia absoluta em África.

Enquanto se aguardava a segunda votação, o país foi abalado por protestos da oposição, que foram duramente reprimidos pela Polícia. A violência saldou-se por dezenas de mortos.

Dez anos antes, a crise pós-eleitoral de 2007-2008 fez mais 1.100 mortos e provocou a deslocação de centenas de milhares de pessoas, em fuga a confrontos étnicos, deixando uma ferida profunda na história do Quénia independente, que ainda não está inteiramente fechada.

No seu discurso de encerramento de campanha, no sábado, Odinga deixou claro aos milhares de manifestantes que se juntaram num estádio em Nairobi: "Quero que saibam que nós, como país, estamos num ponto de inflexão. Ou algo muito bom vai acontecer ou algo terrível vai acontecer”, afirmou, jurando apertar a mão dos "rivais”, quer ganhe ou perca.

O histórico opositor de Kenyatta e famoso por ter sido preso há décadas, enquanto lutava pela democracia multipartidária no país, prometeu apoios em dinheiro aos mais pobres e cuidados de saúde mais acessíveis a todos. Odinga disse que se for eleito, o seu Governo entregará às famílias quenianas que vivem abaixo do limiar de pobreza uma subvenção de 6 mil xelins (50,3 dólares).

Noutro estádio não muito distante na capital queniana, Ruto afirmou no mesmo dia que "respeitará a decisão do povo do Quénia” e não aceitará a violência nem participará em nada que prejudique a Constituição do país.

William Ruto, um multimilionário de 55 anos, promoveu-se junto dos jovens e dos pobres como um "fura-vidas”, cujo começo como um humilde vendedor de galinhas contrasta com os berços de ouro em que os dois membros da elite queniana, Kenyatta e Odinga, nasceram.

Ruto fez da produtividade agrícola e da inclusão financeira duas das principais bandeiras de campanha. A agricultura é um dos principais motores da economia do Quénia, que absorve cerca de 70 por cento da força de trabalho do país.

No seu discurso de encerramento de campanha prometeu que, se for eleito, o seu Executivo destinará 200 mil milhões de xelins (1,68 mil milhões de dólares) por ano para aumentar as oportunidades de emprego, um compromisso dirigido sobretudo a mais de um terço dos jovens desempregados do país.

Os resultados oficiais serão anunciados no prazo de uma semana após a votação. Para ganhar à primeira volta, o candidato mais votado precisa de mais de metade dos votos escrutinados e, pelo menos, de 25 por cento dos votos em mais de metade dos 47 condados do Quénia. As sondagens apontam, no entanto, para uma segunda volta inevitável, a decorrer no prazo de 30 dias.

Comissão Eleitoral Independente garante transparência 

A Comissão Eleitoral Independente sustentou que está pronta para realizar eleições justas e credíveis, tendo recorrido ao serviço de uma empresa internacional com o nome de Smartmatic que ajudará na integração tecnológica da eleição.

Após a morte de mais de 1.100 pessoas em violência após as eleições de 2007, a tecnologia foi proposta como forma de reforçar a transparência em torno das pesquisas e para reduzir o atraso na divulgação dos resultados. As eleições de 2013 e 2017, portanto, viram os resultados serem transmitidos electronicamente e a biometria usada para registar os eleitores e identificá-los. O registo biométrico de eleitores foi um sucesso, aumentando o número de eleitores de 14,3 milhões em 2013 para 19,6 milhões em 2017.

Quando a Comissão Eleitoral e de Fronteiras Independente (IEBC) realizou um teste em Junho, menos da metade das 2.900 assembleias de voto transmitiram com sucesso os resultados. Outro ensaio, em Julho, num número reduzido de locais, obteve uma taxa de 92 por cento, mas o resultado não inspirou confiança.

Este ano, quase 1.300 assembleias de voto estão em áreas com pouca ou nenhuma cobertura de Internet, uma melhoria em relação à última eleição, quando 11 mil locais estavam no escuro. O IEBC diz que os resultados serão transmitidos desses locais por satélite e que as precauções estão em vigor para evitar qualquer percalço.

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