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Eleições para concelhos com milhões de votantes

Pela primeira vez na história da Costa do Marfim, um sábado foi o dia escolhido para a realização de um acto eleitoral, para eleger os próximos responsáveis pelos diferentes concelhos regionais espalhados por todo o país.

14/10/2018  Última atualização 08H00
DR © Fotografia por: O acto eleitoral para eleger autoridades locais foi realizado no sábado, o que sucedeu pela primeira vez

Apesar de não terem surgido notícias de problemas com a organização das eleições nem sobre o processo de votação, a verdade é que a discussão foi acesa e girou em redor das razões que terão levado o Governo a escolher um sábado em lugar do habitual domingo para que os mais de 6,5 milhões de eleitores pudessem exercer o seu direito cívico.
Ao longo das reuniões e dos comícios nas semanas que antecederam a ida às urnas, esta questão foi repetidamente debatida com a oposição a argumentar que esta troca de dia da semana era susceptível de “baralhar os eleitores”.
O Governo, por seu lado, defendeu-se dizendo que a eleição num sábado tinha a vantagem de facilitar a vida dos eleitores, pois deixava-lhes o domingo totalmente livre para poderem cumprir as suas obrigações religiosas.
Esta discussão serviu apenas para alimentar a curiosidade do público, pois a classe política desde 24 de Março que tinha decidido que as eleições seriam realizadas a 13 de Outubro, um sábado, programando assim toda a sua actividade a contar com esta calendarização.
 
Oposição fala em manobra
Mas, como em tempo de eleições todas as jogadas políticas são mais ou menos expectáveis, a oposição optou por falar repetidamente que se estava perante uma “manobra” do Presidente Alassane Ouattara para afastar as pessoas das mesas de voto e assim mobilizar apenas os seus apoiantes.
Os diferentes partidos da oposição referem ainda que esta “manobra” visou o aumento da abstenção e constituiu uma “violação” ao código eleitoral que prevê que todas as eleições tenham que decorrer a um domingo, conforme disse Justin Koua, porta-voz do antigo Presidente Laurent Gbagbo, que se encontra a cumprir pena de prisão por decisão judicial do Tribunal Penal Internacional de Haia.
A oposição considera também que esta “manobra” só foi possível devido à “inexplicável” manutenção em funções de uma comissão eleitoral cujo mandato expirou em 2016. Esta comissão eleitoral, que tecnicamente propôs ao Governo a data para a realização destas eleições, argumenta por seu lado que a Constituição adoptada em 2016 renova automaticamente o seu mandato ao mesmo tempo que permite uma reinterpretação dos textos relacionados com as datas para a realização de eleições.
Segundo Sourou Koné, um dos vice-presidentes dessa comissão, a Constituição tem um valor jurídico superior ao do código eleitoral e permite encontrar as datas que melhor se adaptem aos interesses dos eleitores.
Independentemente do dia da semana da realização destas eleições, a verdade é que elas decorreram dentro da normalidade, sem incidentes a realçar e com uma participação popular bastante positiva, segundo revelaram as autoridades costa marfinenses, sendo de esperar que a divulgação dos resultados aconteça dentro de um prazo de três a cinco dias.
Neste momento é prematuro referir eventuais favoritos, até porque a escolha de dirigentes para os concelhos regionais costuma ser marcada por uma lógica que escapa à influência dos próprios partidos políticos.
Tratam-se de escolhas que têm muito mais a ver com a realidade das diferentes regiões, onde a força do poder local se mede pela acção de pessoas que muitas vezes nem sequer seguem as linhas políticas dos partidos pelos quais se apresentam perante o escrutínio dos eleitores.

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