Opinião

Eleições pacíficas

A ideia de que Angola deve realizar eleições pacíficas é a tónica dominante nos discursos transversais de vários sectores da sociedade angolana, em que sobressaem pronunciamentos das entidades eclesiásticas, activistas, membros das ONGs, entre outros.

10/05/2022  Última atualização 21H34

As próximas eleições e todos os actos actuais que deverão levar ao referido acto, como lembrou alguém há dias, devem ser encarados como ingredientes da festa democrática cujo clímax se vai efectivar exactamente no dia em que decorrer as eleições gerais. É verdade que o momento actual, para a maioria da população angolana em geral e para os actores políticos em particular, é de um certo suspense, perfeitamente compreensível à luz dos desafios que representam as futuras eleições, tidas já por alguns círculos como as mais renhidas que o país poderá realizar. 

Todos sem excepção olham com grande expectativa ao esperado pronunciamento do Presidente da República, João Lourenço, nos próximos dias deste mês, em consonância com o disposto no Artigo 119º, sobre as Competências como Chefe de Estado, que dispõe que "compete ao Presidente da República (...): a) Convocar as eleições gerais e as eleições autárquicas, nos termos estabelecidos na Constituição e na lei".

Será uma espécie de toque de partida para a meta que, muitas vozes da sociedade, como não poderia ser diferente, pretendem que as coisas estejam perfeitamente alinhadas para termos um pleito eleitoral essencialmente pacífico e exemplar como os últimos realizados.

Há dias, o oficial de programas do Instituto Angolano de Sistemas Eleitorais e Democracia, Onésimo Seteculo, apelou aos actores políticos a pautarem-se por discursos harmoniosos durante a campanha e período pós-eleitoral, para que o país continue a viver um ambiente de paz e estabilidade.

Precisamos todos de entender a não encarar as eleições como uma espécie de "jogo do tudo ou nada", realidade que não faz parte das disputas eleitorais que, como sabemos, são quinquenais e passíveis de serem disputadas várias vezes quantas a legislação permitir aos actores políticos.

Logo, não faz qualquer sentido a subida de tensão que se verifica em alturas como esta em que determinadas sensibilidades políticas, curiosamente até religiosas, atingem o apogeu em termos de retórica política, ataques, insultos e o emprego do "vale tudo".  

"A sociedade caminha, em vários aspectos, para um ambiente de intolerância, e, no nosso entender, um país só prospera se os seus cidadãos conseguirem reconhecer os vários entes que concorrem para a harmonização da sociedade", disse a citada individualidade da sociedade civil angolana.

As forças políticas que, em princípio, vão disputar as Eleições Gerais de Agosto próximo, acompanhadas dos seus militantes, amigos e simpatizantes, precisam de aprimorar os discursos, melhorar os argumentos e primar por uma conduta cívica, política e ética que contrarie o exercício oposto. Mais do que levantar a voz, promover o barulho desnecessário e prejudicial, a propaganda que contraria a Lei Eleitoral ou os actos que embaraçam a Constituição e demais legislação, os actores políticos devem procurar ser os mais exemplares. Apenas assim poderão "arrastar", de forma positiva, a massa de militantes, simpatizantes, amigos, seguidores e potenciais eleitores.

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