Economia

Electrificação das cidades garante aumento da receita das empresas

Bernardo Capita|Cabinda

Jornalista

O aumento do acesso aos serviços de electricidade nas cidades de Luanda, Benguela, Lubango (Huíla) e Huambo é encarado como crucial para a melhoria das receitas do sector eléctrico.

02/06/2020  Última atualização 22H02
João Salvo | Edições Novembro © Fotografia por: Programa de electrificação busca melhoria operacional

Segundo o plano de acção a que o Jornal de Angola teve acesso, com isso quer-se aumentar a confiança dos consumidores e elevar as receitas operacionais e “saúde financeira” das empresas.

Os principais indicadores de desenvolvimento deste projecto são o da redução de perdas, períodos de interrupções (horas/ano) e o número de clientes que podem dispor do serviço.

O Projecto de Fortalecimento do Sector Eléctrico (PFSE) lançado, recentemente, em consulta pública, assenta na melhoria do desempenho técnico e comercial das empresas públicas, designadamente PRODEL, RNT e ENDE. Visa, de igual modo, o aumento da sustentabilidade financeira e fiabilidade no fornecimento do serviço prestado aos consumidores em todo o país.


Novos clientes

O projecto, sustenta a fonte, afectará os clientes existentes ligados à rede nas zonas de abrangência. Vai ainda permitir a novas ligações e a reabilitação das linhas de transmissão, sub-estações e postos de transformação. Tudo isso, traduz-se num aumento significativo da abrangência e fiabilidade do serviço.

Segundo o PFSE, as novas ligações permitirão um desenvolvimento de infra-estruturas que terá implicações no desenvolvimento socioeconómico e melhoria de vida das populações abrangidas.

Para os promotores da iniciativa, nomeadamente o Ministério da Energia e Águas com o apoio financeiro do Banco Mundial (BM) e a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), o projecto irá tornar o fornecimento de electricidade alargado e mais fiável. Deverá, por outro lado, estimular as actividades geradoras de rendimentos, emprego e desenvolvimento económico inclusivo.

“A sociedade angolana, no conjunto, beneficiará de efeitos económicos e sociais, que se estenderão por várias gerações, uma vez que o sector se encontra numa base mais sustentável, o que contribui para a consolidação fiscal a nível nacional”, lê-se no referido plano de acção.

Acesso à electricidade

O ambicioso projecto governamental prevê a reabilitação da rede em Média Tensão e Postos de Transformação. Vai ainda alargar a rede de distribuição e fazer ligações de serviço nas cidade de Luanda, Benguela e Lubango. Por outro lado, o mesmo contempla a reabilitação da rede de Média Tensão e postos de transformação na cidade do Huambo.

A rede de distribuição deverá ser alargada, através da instalação de cabos de Baixa Tensão, linhas de Média Tensão, postos de transformação, ligações domésticas e reforço da iluminação pública.

Quanto às linhas de média e cabos de baixa tensão vão ser instalados no direito de passagem, para minimizar os impactos ambientais e sociais.
O plano do aumento do acesso à electricidade apoiará a implantação de um programa de protecção de receitas com o objectivo de reduzir as perdas não técnicas (consumo não controlado) do fornecimento de electricidade a grandes utilizadores.

Vendas

As vendas de electricidade, avança o documento, irão aumentar. A medida que o consumo for racionalizado, será necessário produzir menos energia.
“Ambos os efeitos vão contribuir para melhorar significativamente o desempenho financeiro da ENDE”, avança.

O programa de melhoria da capacidade de planeamento, operação, manutenção dos serviços públicos e de gestão dos projectos prevê o fornecimento e instalação de infra-estruturas de contadores pré-pagos. A iniciativa visa permitir à PRODEL e à RNT o controlo dos fluxos de energia provenientes das transacções entre as empresas públicas. Constam ainda as compras em geradores independentes, bem como vendas a consumidores fornecidos em Média e Alta Tensão.

A componente de melhoria dos serviços de electricidade contempla a instalação de ferramentas de gestão e controlo da produção hidrotérmica de modo a reforçar a capacidade de expedição económica da RNT. O processo de consulta pública decorre desde o dia 29 de Maio.

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