Regiões

Educação na Ecunha reforçada com mais vinte professores

Justino Victorino / Huambo

Jornalista

No total, 20 novos professores do ensino primário e II ciclo do ensino secundário vão reforçar, este ano lectivo, o sistema de educação no município da Ecunha, depois de serem admitidos no último concurso público de 2022.

03/09/2022  Última atualização 11H51
Mariana Vassole Alicerces © Fotografia por: Estácio Camassete|Edições Novembo | Huambo


Para o administrador adjunto da Ecunha, Azevedo Cambianbia, os novos professores vão reforçar o sector da Educação, que se debatia com a carência de quadros em várias localidades. "Desta forma poderemos minimizar o défice de algumas comunas, povoações e aldeias, colocando, assim, mais crianças no sistema de ensino”.

Aos novos professores, o administrador adjunto pediu para terem um comportamento positivo. "Devem colocar na prática o que aprenderam e evitar comportamentos errados. Queremos que o município da Ecunha tenha um ensino de qualidade, com quadros melhor formados”, disse.  

O município, recordou, precisa de mais salas de aula, pois ainda há muitos alunos a estudarem em condições impróprias. "Com a implementação de vários projectos inseridos no Plano Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM), a municipalidade vai ganhar mais infra-estruturas sociais”, frisou.   

O sector da Educação na Ecunha, anunciou, conta, este ano, com 56 escolas do ensino primário, capacitadas para albergar mais de 36.500 alunos, com um total de 556 professores.

 

 Acomodação

Azevedo Cambianbia disse que a comuna tem infra-estruturas para a acomodação dos professores, por isso não se regista o abandono destes do local de trabalho. "A maioria dos professores está alojada em residências sociais, construídas no quadro do Programa de Fomento Habitacional, pelo Governo do Huambo”, destacou.

O administrador adjunto informou, ainda, que têm procurado garantir as mínimas condições de acomodação aos docentes. "As dificuldades foram ultrapassadas, com a construção de residências para professores e outros quadros”, reconheceu.

 

Mais escolas

Na municipalidade, adiantou, estão a ser construídas três escolas do ensino primário, com capacidade para albergar 210 alunos cada, um trabalho que começou em Abril deste ano e inclui as aldeias de Candingu, Dondelo e Tchitwe.

Com prazo de execução entre seis a oito meses, as obras estão orçadas em 80 milhões de kwanzas, cada uma delas.

O soba do município, Benjamim Catumbela, reconheceu, com satisfação, o esforço do Executivo, para garantir a qualidade de ensino à população. "Desta forma podemos ter, no futuro, um ensino de qualidade”, sublinhou. 

  Estado emocional variável

Mariana Vassole Alicerces criticou, ainda, os pais e encarregados de educação que abandonam os filhos, durante horas, depois das aulas, por criar um certo constrangimento aos próprios alunos e também os professores. "Muitos docentes ficam preocupados, pois a escola tem a guarda destes até a chegada dos pais. Caso estes atrasem, criam muitas complicações. O recurso, às vezes, é pedir a colaboração da Polícia Nacional”, criticou

Embora algumas crianças tenham dificuldades para aceitar o atraso dos pais, outras, como as com deficiência da fala (mudos), tendem a gostar do período longe de casa, pois podem conversar com os colegas. "A maioria deles prefere conversar, na linguagem gestual, com outros colegas, pois em casa, na maioria das vezes, ninguém entende o que dizem”, disse, alertando ainda os pais a terem mais atenção à este pormenor. "A escola decidiu realizar seminários para os pais aprenderem o básico da linguagem gestual, de forma a poderem comunicar com os filhos”, frisou.

A maioria das crianças inscritas na escola entra com um fraco estado de saúde. Muita das vezes, contou, têm alunos a desmaiarem, particularmente os epilépticos. "A solução é buscar um meio de transporte, capaz de os evacuar, nestas circunstâncias, para o hospital mais próximo”.

 

Cursos profissionais

A directora da escola aconselha ainda os encarregados que possuem filhos na instituição, mas cujo aprendizado tem sido mais lento, a repetir a mesma classe ou inscrevê-los em cursos profissionais, em particular os de arte.

 "Alguns alunos acabam por descobrir que têm habilidades nestas práticas. As famílias, às vezes, desleixam-se neste sentido”, alertou.

 

Pais sensibilizados com a condição dos filhos

Actualmente, disse Mariana Vassole Alicerces, os pais e encarregados de educação com filhos que requerem cuidados especiais de ensino já estão mais abertos à ideia de procurar reenquadrá-los na sociedade.

"O número de alunos especiais aumenta a cada ano, porque os pais, que antes preferiam  deixar-lhes  na segurança dos lares, sem nenhuma formação, para muitos desnecessária, hoje estão melhores informados sobre as vantagens de terem filhos formados, mesmo com métodos especializados”, destacou.

 

Aproveitamento escolar

No ano passado, contou a directora, o nível de aproveitamento escolar dos estudantes da instituição foi de 70 por cento. "É positivo e foi um feito alcançado com a colaboração dos pais e encarregados de educação, que nunca perderam a paciência de trazer os filhos à escola”.

Muitos alunos com necessidades especiais, referiu, quando terminam o ensino médio, são encaminhados para  diferentes unidades orgânicas da Universidade José Eduardo dos Santos e frequentam vários  cursos. "Neste momento, a escola está a acompanhar quatro estudantes, que estão a fazer o terceiro ano do Instituto Superior de Ciências de Educação (ISCED)”.

A maioria dos estudantes, continuou, quando terminam a formação superior, conseguem, até mesmo, concorrer para uma vaga na função pública. "Já tivemos casos de alunos, que passaram pela Escola de Ensino Especial e acabaram como professores na própria instituição. Um exemplo são três professores invisuais colocados na escola”, disse.

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Regiões