Economia

Economista questiona agravamento dos juros pelo BNA

Victorino Joaquim |

Jornalista

O aumento geral dos preços na economia nacional está relacionado com a redução da oferta de bens e serviços e não com o aumento da massa monetária, considerou o economista e docente universitário António Estote, recusando a abordagem que, no início do mês, levou o BNA a agravar os juros.

22/07/2021  Última atualização 07H00
António Estote aponta escassez na origem do avanço da inflação © Fotografia por: DR
Na última reunião do Comité de Política Monetária (CPM), o BNA elevou a Taxa Básica de Juro de 15,5 para 20 por cento, bem como as taxas da Facilidade Permanente de Cedência e de Absorção de Liquidez de 19,88 para 25 e de 12 para 15 por cento, respectivamente.

O governador do BNA, José de Lima Massano, declarou, naquela ocasião, que o aumento das taxas de juro dava-se pela persistência das tensões inflacionistas  que colocam em risco a meta de inflação de 19,5 por cento estabelecida para o ano em curso.

O economista considerou, em declarações depois prestadas à imprensa, que o aumento dos preços não é uma questão de política monetária,  sendo uma questão ligada à escassez suscitada pelo corte da importação de bens não coberto pela produção nacional.

"A ideia é substituir os produtos importados por nacionais”, lembrou a fonte, notando que, apesar do corte ocorrido nas importações, "a produção nacional demonstra não ter capacidade de cobertura para abastecer o mercado”.

António Estote disse acreditar que a solução do problema passa por uma conciliação entre política orçamental e a política monetária, em que esta última persiga a estabilidade cambial, mantendo o Kwanza estável, como está acontecer agora, ao que se devem juntar medidas que permitam fomentar o crédito à produção.

Entre outras obrigações indicadas para travar o aumento de preços, António Estote aponta a necessidade de se reduzir a despesa burocrática, aquela relacionada com as despesas com salários, bens e serviços da Administração Pública, no âmbito da reforma do Estado, bem como limitar o endividamento público e priorizar as despesas de manutenção e funcionamento das infra-estruturas.

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