Política

Economia azul é nova fronteira para desenvolvimento de África

Josefa Sacko, comissária da União Africana (UA), defendeu hoje, em Windhoek (Namíbia), que a estratégia da Economia Azul deve funcionar em complementaridade com o Plano de Acção de Recuperação Verde que a organização continental lançou em Julho de 2021, para reconciliar a recuperação económica pós-Covid-19 e a sustentabilidade ambiental através da natureza oceânica.

23/11/2021  Última atualização 19H31
© Fotografia por: CEDIDA

Esta posição foi tomada durante o workshop sobre o Desenvolvimento do Plano Quinquenal da Adopção da Estratégia da Economia Azul, considerando que é um marco para a realização da "África que se Quer”, conforme contido na Agenda 2063.

"O conceito de Economia Azul abrange uma gama de actividades em sectores estabelecidos, como Pescas e Alimentos Azuis, Turismo, Transporte Marítimo e Transporte Marítimo, bem como emergentes e sectores da quarta revolução industrial (4IR), como Biotecnologia Marinha, Robótica, Finanças do Carbono Azul e Energia Renovável Marinha e Aquática”, frisou Josefa Sacko.

Acrescentou que dois terços de África são Estados costeiros e insulares, com jurisdição sobre 13 milhões de quilómetros quadrados de território marinho, incluindo, aproximadamente 6,5 milhões quilómetros quadrados de plataforma continental.

Como se isso não bastasse, realçou, 65% do continente africano é coberto por uma rede de rios, lagos, aquíferos e outras fontes de água doce. "A Economia Azul busca proteger esses frágeis recursos aquáticos, ao mesmo tempo avança na sustentabilidade do desenvolvimento dos sectores que dependem deles”, assegurou.

No entanto, reconheceu que o continente não pode se beneficiar, totalmente, de seus recursos marinhos e aquáticos, pois estes são ameaçados por múltiplas fontes antropogênicas, mudanças climáticas, perda de biodiversidade, poluição da fonte ao mar, bem como riscos à segurança, pirataria, ilícitos de comércio, entre outros.

"Nossa capacidade de enfrentá-los, bem como de optimizar significativamente os diversos sectores da Economia Azul, é prejudicada pela falta de dados, fracos quadros institucionais e coordenação, e ainda existe uma grave lacuna de competências e falta de recursos financeiros”, desabafou a comissária.

Lembrou que a África se viu a lutar para ter acesso às vacinas vitais, quando, na verdade, tem a capacidade de produzi-la. Além disso, realçou, tem todos os ingredientes para estabelecer um sector de Biotecnologia e muitas soluções farmacêuticas que podem ser encontradas nos mares e oceanos.

Para isso, Josefa Sacko disse que a pandemia da Covid-19 tornou urgente dar a devida atenção às mulheres, jovens, indígenas e comunidades vulneráveis ​​para garantir uma Economia Azul, socialmente, inclusiva, enquanto continente mais jovem do mundo.

"Nossos jovens estão mais uma vez às voltas com uma crise económica que reduziu severamente a esperança de oportunidades económicas”, lamentou, defendendo que chegou a hora de se encontrar soluções urgentes e inovadoras para a criação de empregos, apesar da crise económica.

"A terrível situação de nossa juventude torna-a susceptível às drogas e à radicalização, que representam uma ameaça à civilização”, queixou-se, concluindo que o sector privado deve estar alinhado para levar avante a estratégia da economia azul e desbloquear o potencial do investimento em vários projectos.

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