Economia

Economia angolana cresceu 4,3 por cento

O Produto Interno Bruto (PIB) angolano cresceu 4,3 por cento na passagem do IV trimestre do ano passado para o primeiro trimestre deste ano, de acordo com os dados mais recentes publicados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), que o Jornal de Angola teve acesso.

30/07/2022  Última atualização 08H55
© Fotografia por: DR

Comparado com o período homólogo de 2021, a riqueza produzida no país durante o período cresceu 2,6 por cento, assim como o  acumulado dos primeiros três meses. Os dados estão em linha com as previsões do ministro de Estado para a Coordenação Económica, Manuel Nunes Júnior, que espera,  este ano,  um crescimento de 2,7 por cento, com a economia não petrolífera mais uma vez a desempenhar o papel de liderança.

O INE avaliou,  também, o valor acrescentado (diferença entre o valor da produção total obtida ao longo dum mesmo período e o valor total dos consumos intermédios absorvidos pelo processo corrente de produção) nos sectores que mais contribuíram para a evolução do Produto Interno Bruto.

O Valor Acrescentado Bruto da Agro-pecuária teve um crescimento de 3 por cento, no I trimestre de 2022, contribuindo positivamente em 0,15 pontos percentuais na variação total do PIB. A evolução deveu-se, segundo o INE, ao aumento da produção das culturas agrícolas, bem como a pecuária como consequência do objectivo de fomentar a produção interna e concretizar a política de diversificação económica.

O sector das Pescas, que teve um aumento de 5,4 por cento, no I trimestre de 2022 em relação ao trimestre homólogo, contribuindo positivamente em 0,18 pontos percentuais, na variação total de toda a riqueza produzida durante o período. O crescimento é explicado pelo "ligeiro aumento” da captura no período em referência.

Outro sector analisado é o do Petróleo, que teve um crescimento de 1,9 por cento e uma contribuição de 0,47 pontos percentuais. O crescimento, segundo o INE, foi motivado por vários factores, entre eles a procura da Europa e da índia devido à normalização paulatina do modo de viver das pessoas, tentativas de golpe de Estado no Cazaquistão associada à redução da quantidade produzida pela Líbia. Todos estes factores, adianta o boletim, impulsionaram o aumento da procura do petróleo na África ocidental, incluindo as ramas angolanas.

A Indústria Transformadora contribuiu com 0,07 pontos percentuais para a evolução do PIB, mercê do crescimento de 2 por cento, no I trimestre de 2022 em relação ao trimestre homólogo, devido à variação positiva da produção no ramo alimentar, particularmente no sector das Moageiras, Massas e Produtos de Padaria na ordem dos 11 por cento e pelo facto de representar mais de 60 por cento no total dos sectores industriais.

O sector dos Transportes teve um crescimento de 31,3 por cento, contribuindo positivamente em 0,71 pontos percentuais na variação total do PIB. O aumento deveu-se, segundo o Boletim do INE, "ao crescimento exponencial no subsector aéreo, fruto de aumento de frequências de voos, consubstanciado ao alívio total das medidas de combate à Covid-19”. Outro factor que explica a evolução do sector é a entrada em funcionamento de novas operadoras, no serviço de transporte ur-bano em Luanda.

Já as Telecomunicações tiveram um aumento de 2,4 por cento, fruto do aumento da produção das Unidades Tarifárias de Telecomunicações (UTT) motivadas pela subida do consumo dos serviços de comunicações, bem como o ensaio e preparativos da nova companhia Africell no mercado interno.

O Instituto Nacional de Estatística refere-se, igualmente, ao Valor Acrescentado Bruto do Governo que teve uma subida de 7,2 por cento no I trimestre de 2022, em relação ao trimestre homólogo, contribuindo positivamente em 0,58 pontos percentuais na variação total do PIB. A subida desta actividade deve-se, segundo o Boletim do INE, pelo facto de o sector público incrementar o valor da remuneração declarada face ao período homólogo bem como as actualizações, promoções faseadas das distintas categorias e ingresso de novos funcionários em alguns aparelhos do Estado.

Queda nos diamantes

O sector dos Diamantes registou uma queda de 28,3 por cento, no I trimestre de 2022, em relação ao trimestre homólogo, contribuindo negativamente em 0,60 por cento, na variação total do PIB. A variação é explicada pela suspensão do terminal da Socomar, aumento da tarifa portuária, instabilidade nos mercados de origem do produto associados à guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Também maior cautela na extracção aguardando por momentos normalizados da actividade.

Evolução negativa foi também registada pelo sector de Intermediação Financeira e de Seguros, que teve uma retracção de 14,7 por cento, motivada particularmente pela queda dos rendimentos dos bancos co-

merciais na ordem dos 15 por cento, visto que tem maior peso dentro do segmento da actividade. A contribuição no PIB foi negativa em 0,19 pontos percentuais.

País mais reformista em África

Os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística vêm confirmar a avaliação positiva já avançada por renomadas instituições mundiais. No ano passado, a agência de 'rating' Moody's afirmava que a situação económica podia melhorar ainda mais e revia em alta as previsões de crescimento, numa altura que dava os primeiros passos para sair da recessão. 

"Entre a maioria dos países africanos, Angola é provavelmente o país que fez mais reformas estruturais nos últimos cinco anos", disse Aurelien Mali em entrevista à Lusa por videoconferência a partir do Dubai, apontando a consolidação orçamental, a nova lei do orçamento, a introdução do IVA e o ajustamento das finanças públicas como exemplos.

Recentemente, o ministro de Estado para a Coordenação Económica, Manuel Nunes Júnior, afirmou que o Programa de Estabilização Macroeconómica iniciado em Janeiro de 2018 foi conduzido com sucesso e que permitiu ao país, no ano passado, sair finalmente da recessão económica em que esteve mergulhada durante cinco anos.

Mais de 330 mil pessoas encontraram emprego

Mais de 330 mil pessoas, com 15 anos de idade ou mais, encontraram emprego em Angola entre o último trimestre do ano passado e o primeiro de 2022, elevando a população empregada para 11 218 924 pessoas, contra os 10 888 040 anteriores. Já a taxa de desemprego caiu 6,5 por cento para 30,8 por cento, contra os 32,9 por cento anteriores.

Dados referentes aos Indicadores de Emprego e De-semprego, divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística, revelam que, no primeiro trimestre deste ano, a população empregada aumentou 3 por cento, face ao quarto trimestre de 2021 e a taxa de emprego subiu para 62,5 por cento, contra os 61,2 por cento anteriores. Do total de empregados, 5 580 408 eram homens e 5 638 516 mulheres.

O Boletim de Indicadores de Emprego e Desemprego, elaborado com base num inquérito ao emprego no país, considera empregada a pessoa com 15 ou mais anos de idade que, no pe-ríodo de referência (últimos 7 dias anteriores ao inquérito), tinha efectuado um trabalho de pelo menos uma hora, mediante o pagamento de uma remuneração ou com vista a um benefício ou ganho familiar em dinheiro ou em espécie. A mesma definição é utilizada para a pessoa que tinha uma ligação formal a um emprego, mas não estava ao serviço, tinha uma empresa, mas não estava temporariamente a trabalhar por uma razão específica ou ainda aquele que estava em situação de reforma, mas a trabalhar.

Comparado ao período homólogo do ano passado (I trimestre de 2021), a população empregada aumentou 3,7 por cento, num total de 397 719 pessoas. O número de pessoas que estavam empregadas na altura era de 10 821 205. A taxa de emprego refere-se a relação entre a população empregada e a população total em idade activa (com 15 ou mais anos).

Mais da metade (55,5%) da população empregada declarou trabalhar na agricultura, produção animal, caça, floresta e pesca, seguido do comércio por grosso e a retalho com 17,8 por cento.

A taxa de emprego dos homens e das mulheres aumentou (1,4 e 1,1 ponto percentual, respectivamente) face ao quarto trimestre de 2021, no mesmo período, a taxa de emprego dos jovens com 15-24 anos (35,9%), foi superior em 3,3% face ao quarto trimestre.

No primeiro trimestre deste ano, segundo o INE, no universo da população em idade activa, 11 218 924 pessoas, declararam que trabalharam no período de referência por conta de outrem, conta própria ou num negócio familiar, du-rante pelo menos uma hora. Enquanto  4 995 991 não tinham trabalho remunerado nem qualquer outro e estavam disponíveis para trabalhar no período de referência ou nos 15 dias seguintes.

A população economicamente activa ( mão-de-obra disponível para a produção de bens e serviços que entram no circuito económico), o primeiro trimestre deste ano era de 16 214 915 pessoas, 21 756 menos que no trimestre anterior. Comparado ao primeiro trimestre de 2021, registou-se um aumento de 4,2 por cento. Por população economicamente activa é aquela que, tendo 15 ou mais anos de idade, empregado ou desempregado, nos últimos sete dias anteriores ao inquérito estava disponível para produzir. 

Dados do INE revelam, ainda, que a taxa de actividade da população com 15 ou mais anos foi estimada em 90,3 por cento, sendo dos homens (91,3%) mais elevada que a das mulheres (89,3%). A taxa de actividade na área rural foi superior à urbana, 93,8 por cento e 88,1 por cento, respectivamente.

A taxa de emprego de jovens com 15-24 anos diminuiu 0,8 ponto percentual em relação ao trimestre homólogo. Neste período a população que trabalha na produção para o consumo próprio aumentou em 4,3 pontos percentuais.

O documento indica ain-da que  a maioria das pessoas empregadas (80,5%) estava no emprego informal, das quais 71,0 por cento entre homens 89,9 por cento entre mulheres. No primeiro trimestre de 2022, a maioria no emprego informal era trabalhador por conta própria (49,3%), trabalhadores familiares (34,4%) e trabalhadores para o consumo próprio (9,3% ). A análise dos dados indicou que a taxa de emprego informal é maior na área rural que na área urbana (95,6 % e 66,0 %).

Por emprego informal entende-se aquele ocupado por alguém com 15 ou mais anos de idade, no sector privado, em cooperativas, associações, igrejas, organizações não-governamentais (ONG), ou por conta própria. As principais características são: trabalha em qualquer unidade de produção de bens ou serviços, não registada junto aos órgãos públicos, não beneficia de qualquer apoio social (férias anuais pagas, seguro de saúde,…) e não está inscrito na Segurança Social.

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