Opinião

Ecocinisno e ecocídio

Manuel Rui

Escritor

Começou em Lisboa a grande anferência sobre os oceanos. Tem muita gente. Tem a herança macabra que gerações e gerações de políticos deixaram acontecer a benefício de inventário para as gerações futuras que arriscam assistir à subida dos oceanos, o aquecimento maior e quase o fim da vida.

30/06/2022  Última atualização 06H55

Quando o homem deixou de  usar as mãos, inventou as máquinas, a chamada revolução industrial e, com ela, as sucessivas alterações climáticas.Ela começa na Inglaterra com a invenção da máquina a vapor em 1698 por Thomas Newcomen e aperfeiçoada em 1765 por James Watt e a revolta dos barqueiros desempregados. O historiador Eric Hobsbaum entende que, verdadeiramente, a revolução industrial começa em 1780. É o comboio e os barcos a vapor, um período de grande desenvolvimento tecnológico que garantiu o processo de formação do capitalismo, o capital e o trabalho. Depois, na 2ª fase, entre1850 a 1950, destaca-se a consolidação do progresso científico e tecnológico por outros países como a França e a Alemanha, aparece a lâmpada incandescente, meios de comunicação como o telégrafo, a rádio, o cinema e a televisão; medicina e química com os antibióticos e vacinas; o petróleo; o forismo e taylorismo com introdução de esteiras rolantes nas fábricas. A 3ª fase da revolução industrial corresponde ao Séc. XX com a informática, o computador, a internet, a engenharia genética e bio termologia, a energia atómica  e a conquista espacial.

Onde entra a máquina aumenta o exército de desempregados.Foram inventadas máquinas para tudo e para isso era necessário recursos energéticos como o petróleo e derivados, o gaz ou o carvão.Certo é que floresceram as economias, a ciência, as grandes cidades, as grandes fortunas e aumentaram os pobres e desempregados. O aquecimento global começou faz 180 anos devido ao impacto da chamada revolução industrial. Ninguém quis mais saber do vento, do mar ou do sol. Houve quem, constantemente, lembrasse, protestasse mas nada. Era a guerra contra a natureza que, o mais das vezes, coincidiu com as guerras entre os homens. As fábricas de armamento passariam a ser dos agentes mais ferozes para matar a natureza e os homens. Aviões supersónicos, blindados, mísseis, minas antipessoais, granadas, contra torpedeiros, armas químicas e duas bombas atómicas para a América conseguir parar a fúria japonesa com os pilotos suicidas, os kamikazes, satélites, idas à lua de onde não veio ainda um grão de milho.

Não faz muito tempo que fiquei a saber que o maior poluente é o fumo do tabaco. A questão é a da irreversibilidade tecnológica e o tempo mais rápido para substituir as energias fósseis pelas renováveis… o que conta é o dinheiro, que é uma abstração… e como nos dizia o professor Teixeira Ribeiro em Coimbra… atrás de uma abstração pode-se caminhar até ao infinito.

As invasões à África e ao Oriente, o tráfico de escravos e o esclavagismo como sistema, também antecedem a revolução industrial no que concerne ao  desequilíbrio geo ecológico. A caça com o branco de farolim na testa e o negro com a bateria na cabeça.

Quando se fala em aquecimento global "ninguém” se lembrou das corridas de fórmula um. Também  do fogo de artifício. Em Portugal, por estes dias festejam-se os santos populares, S. Pedro, S. João e Sto. António. E tem bué de fogo de artifício e salta-se a fogueira de lenha com labaredas. No Brasil também se faz fogueira e tem uma cidade onde preparam e vendem "fogueiras” (montes de lenha). Na passagem do ano, a virada, tem muito foguetório e no novo ano chinês é demais.

As grandes fazendas de produção de proteína animal, carne de vaca atacam o clima por via das fezes dos animais.

E então? Então a conferência dos oceanos, com os conferencistas a andarem em carros a gasolina ou gasóleo (penso não haver carros eléctricos para tanta gente) é também um ecocinismo para dissertações científicas, apaixonantes e poéticas sobre o ecossistema? E a conferência do que trata? Não do que deve fazer já. Nada. É para confessar o ecocídio?

Não. Finalmente, parece que esta conferência pretende ser decisiva. É o desespero. Parece que se quer passar para além das boas intenções. Foi esse o intuito do Sec. Geral da ONU, Guterres que até citou um belo provérbio sobre o mar em suaíli e do carismático Presidente português que insistiu que desta vez era para se passar das palavras aos actos.Guterres falou "da minha língua vê-se o mar e estamos aqui para virar a maré.” E adiantou, o 1º passo é acabar com a dicotomia artificial entre mercados económicos e a saúde dos mares. O uso sustentável de recursos marinhos são dois lados da mesma moeda.

70% da superfície da terra é mar, o lar de até 80% de toda a vida no mundo.

Há cerca de dez anos, Borgan Sat começou a inventar uma tecnologia para remover o plástico flutuante do mar até 2040. Nessa altura, minhas cinzas já estarão no mar. Curioso, ele está utilizando a inteligência artificial…inventada pela última fase da revolução industrial. É um princípio como o das vacinas.O homem vai aproveitar as tecnologias existentes para uma nova revolução industrial: a das energias limpas.

Acredito no futuro dos vindouros. Mas o problema está na mão do G7. Os mais ricos.Que fizeram conferência com a novidade do pivô sul-americano ser a Argentina em substituição do Brasil. Tudo está no dinheiro que manda no mundo que o Ocidente, nesta fase, que classifica pior que a guerra fria, divide o mundo entre as democracias (que são eles) e as autocracias que são os BRICS que somam a maior parte da população do mundo….é a bipolarização. E agora?

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