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É fundamental prevenir o cancro do rim

A deteção precoce é um fator determinante para o sucesso do tratamento. A propósito do Dia Mundial do Cancro do Rim, é fundamental alertar para os principais sinais, sintomas e fatores de risco, mas também deixar uma mensagem de esperança, porque existem cada vez mais tratamentos avançados e com eficácia comprovada.

22/06/2022  Última atualização 10H00
Os rins desempenham importantes funções no organismo como a filtração do sangue e a produção de urina, a regulação da pressão arterial e da produção de células sanguíneas, entre outras. No caso de ocorrer um crescimento descontrolado de células do rim, pode surgir um cancro do rim, um grupo de tumores malignos que podem ser de diferentes tipos e com evolução e prognósticos diferentes.

O cancro do rim representa 3% de todos os cancros diagnosticados a nível mundial. É mais frequente nos homens do que nas mulheres e a idade mais comum de diagnóstico é entre os 60 e os 70 anos. Os fatores de risco mais relevantes são o tabagismo, a obesidade e a hipertensão arterial, pelo que um estilo de vida saudável que evite estes fatores é de grande importância para a prevenção.

Na grande maioria dos casos, o cancro do rim não causa sintomas, sendo detetado em exames de rotina. No entanto, cerca de 1 em cada 10 doentes podem ter sintomas como sangue na urina, dor nas costas, surgimento de uma massa palpável na parte lateral do abdómen e perda de peso. Em alguns casos podem também surgir outros sintomas não diretamente relacionados com o rim, tais como a hipertensão arterial, que geralmente causam alterações nas análises sanguíneas de rotina. É, portanto, fundamental uma avaliação médica regular para um diagnóstico precoce.

O diagnóstico dos tumores do rim é feito com recurso a exames de imagem, sendo os mais utilizados a ecografia, a tomografia axial computadorizada (TAC) e a ressonância magnética. Estes exames permitem perceber a localização precisa do tumor e realizar um estadiamento apropriado da doença, isto é, perceber a gravidade e a evolução. Habitualmente os exames de imagem permitem o diagnóstico, mas em alguns casos poderá ser necessário realizar uma biópsia renal.

Após uma avaliação cuidada de cada caso, diferentes tratamentos podem estar indicados. Nos casos em que o cancro está ainda confinado ao rim, o tratamento curativo passa pela cirurgia. Nesta cirurgia remove-se apenas o tumor - com uma nefrectomia parcial - ou todo o rim - com uma nefrectomia radical.

A disponibilidade de novas tecnologias tem tornado a cirurgia renal cada vez menos invasiva. Atualmente é frequentemente realizada por laparoscopia ou com assistência robótica, o que permite uma recuperação mais rápida dos doentes. Mesmo assim, alguns doentes não serão candidatos a cirurgia por outras patologias que possam apresentar. Nesse caso, o tratamento poderá passar por técnicas de ablação renal, tais como a crioablação e a ablação por radiofrequência, que se têm desenvolvido muito nos últimos anos. Estas técnicas, no entanto, não substituem a cirurgia, sendo esta o tratamento curativo de eleição.

No caso de tumores avançados, particularmente com várias metástases, nos últimos anos têm surgido uma grande variedade de tratamentos farmacológicos que permitem prolongar significativamente a vida dos doentes e, em alguns casos, podem mesmo ser combinados com cirurgia, da quimioterapia a tratamentos dirigidos à supressão da vascularização do tumor ou dirigidos ao sistema imunológico para potenciar o combate ao tumor.

Felizmente, existem cada vez mais tratamentos avançados e com eficácia comprovada. No entanto, os melhores resultados continuam a verificar-se para estádios mais precoces, pelo que o diagnóstico atempado continua a ser fundamental. O controlo dos fatores de risco e a procura de ajuda médica especializada, em caso de sintomas ou alterações em análises, é decisivo para que se diagnostique o cancro do rim numa fase em que possa ser curável.

 

* Ccoordenador de Urologia do Hospital

 CUF Porto, Portugal. Texto publicado

 no Diário de Notícias

Rui Prisco |*

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