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Donald Trump continua na “onda” e indulta mais 29 pessoas

A menos de um mês de sair oficialmente do cargo - com a tomada de posse do democrata Joe Biden a 20 de Janeiro -, Donald Trump não faz as coisas pela metade.

25/12/2020  Última atualização 12H47
Familiares do chefe da Casa Branca também foram beneficiários da clemência presidencial © Fotografia por: DR
Uma "onda” de indultos está a acontecer nos Estados Unidos e inclui personalidades que já fizeram parte do círculo próximo do actual Presidente norte-americano. Na noite desta quarta-feira, 29 pessoas receberam a clemência de Trump: 26 deles com o perdão integral, são livres, e os outros três tiveram comutações, ou seja, redução da pena.

Um dos felizes contemplados na nova "onda” é Paul Manafort, antigo director de campanha de Donald Trump, que foi condenado em 2018 na investigação do Departamento da Justiça à alegada interferência da Rússia nas eleições presidenciais norte-americanas de 2016.

Manafort estava a cumprir uma pena de sete anos e meio de prisão por fraude financeira e conspiração e obstrução à Justiça para impedir que fosse investigado. Estava em prisão domiciliária desde Maio devido à pandemia da Covid-19.

Segue-se Roger Stone na lista, amigo e ex-conselheiro do Presidente norte-americano, que foi acusado em Fevereiro de 2020 de mentir ao Congresso sobre os contactos feitos com o site Wikileaks, que divulgou emails prejudiciais à campanha de Hillary Clinton, a democrata que concorreu contra Donald Trump nas eleições presidenciais de 2016.

Se ainda durante este ano Trump já tinha intercedido pelo amigo para que a pena de prisão fosse diminuída, desta vez, concedeu-lhe o perdão total. De acordo com a imprensa norte-americana, Stone tem aconselhado o Presidente dos EUA a perdoar Julian Assange, fundador da Wikileaks, e Edward Snowden, ex-analista da CIA e da Agência de Segurança Nacional (NSA), que divulgou material classificado e confidencial.

Donald Trump quis manter os indultos também dentro da família mais próxima. Charles Kushner, pai de Jared Kushner, o marido de Ivanka Trump, recebeu o perdão presidencial. O magnata do imobiliário foi condenado a dois anos de prisão, em 2004, por evasão fiscal, adulteração de testemunhas e crimes relacionados com o financiamento de campanhas.

Um dos incidentes mais falados de Charles Kushner foi o de quando, após saber que o cunhado estava a colaborar com as autoridades, contratou uma prostituta para seduzir o marido da própria irmã - gravou o momento e enviou-lhe o vídeo.

Alguns meios de comunicação norte-americanos avançam que o Presidente dos EUA poderá continuar a beneficiar a família nos últimos dias do mandato, ao conceder o perdão presidencial a três dos seus filhos, ao genro e até a ele próprio.

A lista de indultos, que inclui amigos e figuras próximas do círculo Trump, tem sido considerada "bizarra” por alguns analistas políticos, que alertam que o conteúdo da clemência não tem de ser obrigatoriamente tornado público.

Natal na Florida com a família

O Presidente cessante dos Estados Unidos, Donald Trump, vai passar as últimas férias do mandato em Palm Beach, na Florida, e disse que vai descansar durante uns dias "antes do começo do segundo mandato”. É o último Natal de Trump enquanto inquilino da Casa Branca e o Chefe de Estado cessante escolheu a mansão construída no final da década de 1920 em Palm Beach - e que denominou de "Mar-a-Lago” depois da vitória nas presidenciais de 2016 - para passar o Natal com a família. 

Está prevista uma grande recepção ao republicano quando aterrar na Florida, dá conta a CBS, uma vez que o próprio Presidente dos EUA pediu para ser acolhido com carinho "enquanto desfruta de uma dezena de dias de férias” na sua residência invernal "antes do começo do segundo mandato”.

A mensagem de Trump mantém evidente o desfasamento com a realidade. A menos de um mês de deixar a Casa Branca, o Presidente cessante continua sem reconhecer a vitória do democrata Joe Biden nas presidenciais de 3 de Novembro, e mantém a tese de fraude eleitoral.

De recordar que a vitória do Presidente eleito Biden já foi ratificada pelo Colégio Eleitoral - obteve os mesmos 306 grandes eleitores que Trump conquistou há quatro anos. Ainda assim, Trump, que está praticamente isolado nas acusações infundadas, mantém as alegações de fraude eleitoral, cuja culpa é alegadamente atribuída a uma conspiração democrata.

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