Cultura

Domingos de Barros lança livro de memórias

Matadi Makola

O escritor e jurista Domingos Fernandes de Barros Neto traz à luz as suas memórias, repartidas em quatro volumes. Os dois primeiros volumes ocupam-se em reportar os anos de 1971 e 1972. O terceiro traz apontamento do ano 1974 e o quarto, e último, desdobra-se entre os anos 1977 a 1979.

21/09/2022  Última atualização 07H40
Escritor e jurista lança, amanhã, os dois primeiros volumes da quadrilogia de memórias © Fotografia por: alberto pedro | edições novembro

A quadrilogia, que se  intitula "Memórias - num diário fragmentado”, será lançada amanhã, às 17h00, no Camões - Centro Cultural Português, em Luanda.  A apresentação crítica caberá ao poeta José Luís Mendonça. Apesar de a edição ter ficado a cargo da generalista editora portuguesa Imagens e Letras, a venda e a circulação, em Angola, será feira pela Editora Kalunga.     

Em entrevista, ao Jornal Cultura, o autor explica que a obra "Memórias - num diário fragmentado” não traz uma sequência rigorosa do tempo. Por exemplo, aponta, entre 1972 a 1974 instala-se um vazio. Apesar de ter mantido, nestes anos, a prática de escrever as suas ocorrências, as circunstâncias da época, que o obrigavam a uma necessidade de mobilidade permanente devido à agitação do contexto, contaram a seu desfavor.

"As pessoas eram forçadas a deslocarem-se, muitas vezes contra a sua vontade. Então, devidos a essas movimentações, muitas das minhas anotações ficaram dispersas, perdidas nas movimentações, e não se conseguiu aproveitar”, salientou.

O que, agora, traz a público é tudo que aproveitou, favorecido pelos momentos de relativa paz e tranquilidade de uma produção diária de quase uma década. Infelizmente, o grosso do que registava diariamente perdeu-se, visto que cultiva o hábito de escrever desde o período do liceu, justificando, assim, o termo "fragmentado”.

É um diário de memórias, que traz o pensamento fiel do que reflectiu diante das peripécias do tempo, desde situações e  épocas marcantes da história política e social do país a menções sobre momentos curiosos com figuras como Elias dya Kimuezu e Joana Maluca.

Nascido no Cuanza-Norte, em 1945, Domingos Fernandes de Barros Neto viveu a sua infância no Dondo (Cambambe), e em Luanda onde concluiu o ensino primário e liceal. Formou-se em filosofia na Itália e em Angola, após a independência, concluiu o curso de Direito, na Universidade Agostinho Neto. Prestou as suas actividades como professor, no ensino liceal em Angola (Luanda, Bailundo, Huambo, Saurimo e Dundo).

Trabalhou na Embaixada de Itália em Angola como tradutor, assistente comercial e adjunto da área da cooperação universitária italo-angolana. Foi, igualmente, director da SADIA - Sociedade Angolana dos Direitos do Autor. Passado à reforma, dedica-se actualmente a actividades de advocacia e, sobretudo, de sistematização literária.

Tem várias obras publicadas, nomeadamente "U’Lungu” (poesia), "Terra Nova” (poesia), "Sinfonias”, "Sombras do Passado” (ensaio) e o romance "N’ Zaji - O Último Contratado”.

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Cultura