Regiões

Doentes com lepra sem medicamentos

Nicolau Vasco|Menongue

Jornalista

Pelo menos 92 doentes com lepra na província do Cuando Cubango estão, desde Setembro do corrente ano, sem assistência, devido à falta de medicamentos nas unidades sanitárias da região.

08/12/2020  Última atualização 22H00
Desde o mês de Janeiro foram registados 27 novos casos de lepra, contra 40 do ano passado © Fotografia por: Edições Novembro
A informação foi avançada, ontem, ao Jornal de Angola, na cidade de Menongue, pelo supervisor provincial do Programa de Combate à Tuberculose e Lepra, Domingos Tchihungi, tendo acrescentado que o estado clínico dos 92 doentes pode piorar caso não se resolva o problema da falta de medicamentos o mais rápido possível.

"Caso o reabastecimento de medicamentos não for feito em breve, a recuperação poderá ser mais difícil e os doentes tornar-se multi-resistentes, o que significa dizer que a medicação pode não resultar nos prazos previstos", sublinhou Domingos Tchihungi, acrescentando que "infelizmente não há medicamentos para a lepra há três meses nas farmácias e nas unidades hospitalares da província".

Fez saber que os medicamentos para o tratamento da lepra não são comercializados nas farmácias privadas. "Apenas as unidades sanitárias estatais têm acesso aos fármacos para a distribuição gratuita aos pacientes que padecem desta doença".
Garantiu que as autoridades sanitárias da província estão a envidar esforços, junto do Ministério da Saúde, para que esta situação seja resolvida o mais rápido possível.

Segundo Domingos Tchihungi, o Cuando Cubango registou, de Janeiro a Setembro deste ano, 27 casos de lepra, contra os 40 do ano passado, afectando principalmente jovens e adultos em situação de vulnerabilidade.

O município de Menongue lidera a lista de ocorrências.
Domingos Tchihungi lembrou que a lepra é uma doença infecciosa crónica, que ataca a pele e os nervos, sendo transmitida através da tosse, espirro ou secreções nasais.

  Casos de tuberculose tendem a aumentar

A tuberculose causou a morte de 24 pessoas na província do Cuando Cubango, de Janeiro a Setembro do corrente ano, período em que foram registados 1.057 novos casos e 260 recuperados.
O supervisor provincial do Programa de Combate à Tuberculose e Lepra, Domingos Tchihungi, disse, ontem, ao Jornal de Angola, que em igual período de 2019 foram registados 1.303 casos, 327 doentes recuperados e 22 óbitos.

Salientou que a nível da província do Cuando Cubango são controlados 1.117 doentes com tuberculose em tratamento.
As regiões com maior índice de casos de tuberculose são os municípios do Calai, Cuangar, Cuchi e Menongue, este último o mais endémico, com maior incidência nos bairros Pandera, Castilho, Novo e Popular.

Segundo Domingos Tchihungi, a redução de casos de tuberculose na província deve-se, fundamentalmente, ao facto das pessoas usarem, com regularidade, as máscaras faciais, para evitarem ser contagiadas pela Covid-19, que, também, têm servido na prevenção contra a tuberculose e outras doenças contagiosas.

Referiu que outra situação que está a contribuir para a diminuição de casos de tuberculose é o facto de os cidadãos do Cuando Cubango criarem a cultura de procurarem os serviços de saúde quando estão com sintomas de alguma doença, ao invés de recorrerem aos tratamentos tradicionais, como antes.  

"Esta mudança de atitude só está a ser possível porque as pessoas estão a acatar os nossos conselhos, nas campanhas de sensibilização que temos estado a realizar, para que procurem sempre as unidades sanitárias em caso de tratamento de qualquer doença, uma vez que só recorriam aos nossos serviços quando a situação piorava, depois de não dar certo o tratamento tradicional”, disse.

Domingos Tchihungi afirmou que a descentralização dos serviços de saúde , sobretudo no toca ao tratamento da tuberculose, veio descongestionar o Hospital Sanatório de Menongue, que não tinha capacidade para responder a procura.

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Regiões