Economia

Dívidas impedem distribuição de electricidade pela ENDE

Isaque Lourenço

Jornalista

A dívida acumulada pelos clientes para com a Empresa Nacional de Distribuição de Electricidade (ENDE), até ao momento, pode inviabilizar, no curto prazo, o processo de fornecimento de energia às habitações e unidades produtivas pelo país, segundo o especialista Amorbelo Martins.

18/05/2021  Última atualização 06H00
A empresa pública quer aumentar a sua facturação anual, com serviços de qualidade e que poderão criar competitividade © Fotografia por: Rafael Tati | Edições Novembro
No webinar sobre o "Acesso à electricidade: impacto da simplificação na melhoria do ambiente de negócios”, promovido, ontem, pelo Ministério da Economia e Planeamento, Amorbelo Martins interagiu com clientes no momento de perguntas e respostas, tendo apelado a que cada um pague o que consome.
O engenheiro entende que só deste modo quem ainda não consome electricidade passará também a ser beneficiado, através de novos investimentos na cadeia de média e baixa tensão, incluindo o processo de distribuição até ao consumidor final.

Conforme detalhou, é preocupação não só da ENDE,  enquanto executor, mas do próprio Ministério da Energia e Águas superar rapidamente a actual taxa de electrificação que ronda os 35 por cento e até 2025 tornar possível uma cobertura nacional de 60 por cento.
Em relação ao "acesso à electricidade: impacto da simplificação na melhoria do ambiente de negócios”, tema escolhido pelo Ministério da Economia e Planeamento, Amorbelo Martins disse que até ao momento se reduziu de 120 para até 45 dias o tempo de espera para o licenciamento da actividade de exploração.
E um dos passos dados nesse sentido, reforçou, foi a criação do Guiché Único de Electricidade, onde os investidores podem dar entrada e acompanhar o curso do processo de solicitação para exploração de Postos de Transformação (PT).
Durante o webinar do MEP, que desde ontem até sábado, aborda diferentes temas relacionados à melhoria do ambiente de negócios e o seu impacto na vida dos angolanos, os participantes tomaram contacto com vários diplomas legais que viabilizam a abertura de negócios, propriamente o da fixação e exploração de PT por agentes económicos privados.

Dívidas reais


Dados recentes divulgados à imprensa davam conta de que os clientes da Empresa Nacional de Distribuição de Electricidade (ENDE), no Distrito Urbano do Kilamba Kiaxi, em Luanda, acumulavam, desde o início das operações até 31 de Janeiro último, uma dívida de 14,1 mil milhões de kwanzas.Segundo um documento da ENDE, que o Jornal de Angola teve acesso, o Centro de Distribuição do Kilamba Kiaxi, em Luanda, tem sob sua gestão a maior zona geográfica, que abarca os territórios de Camama, Kilamba, Campus Universitário, Belas, Talatona, Kilamba Kiaxi, Benfica, Barra do Kwanza, Cabolombo, Golfe, Nova Vida, Mussulo e Ramiros.

Este Centro, refere a nota, reúne um total de 267 mil 804 clientes, subdivididos em 160 mil 789 domésticos, 5 mil 357 comércio e serviço e 160 mil 658 clientes do sistema pré-pago e até Janeiro tinha regista-do uma dívida total de 14 mil milhões 141 milhões 254 mil 281 kwanzas e 8 cêntimos.
Dos distritos tutelados, o Lar do Patriota é o que possui a dívida mais elevada nos últimos anos, avaliada em 256 milhões 648 mil kwanzas, contraída pelos clientes do sistema pós-pago.
A nota adianta que a dívida foi contraída por fuga ao pagamento durante vários anos por um universo de 1.657 clientes residentes naquela circunscrição.
  Plano Estratégico
O Plano Estratégico da ENDE para o período de 2020-2024 indica as acções cruciais que a empresa deve adoptar com vista a melhorar a eficiência e eficácia dos resultados alcançados, cujo foco principal recai para a obtenção de uma facturação com menor margem de perdas e uma meta de cobrança de 70 por cento em relação à energia facturada. A iniciativa visa promover, simultaneamente, um serviço dentro dos padrões universais de qualidade e que garantam a progressiva sustentabilidade financeira da cadeia de valor.


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