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Distribuição de água aquém do desejável

Os níveis de distribuição de água potável no município de Cazengo (Ndalatando), na província do Cuanza-Norte, continuam a ser insuficientes, o que cria, nos últimos tempos, grandes constrangimentos aos habitantes de algumas ruas e bairros periféricos.

01/02/2020  Última atualização 10H16
Nilo Mateus /Edições Novembro © Fotografia por: População ainda percorre longas distâncias em busca do água para o consumo, muitas vezes dependendo de rios e cacimbas

O presidente do conselho de administração (PCA) da Empresa de Águas e Saneamento do Cuanza-Norte, Joaquim Jerónimo, disse à nossa reportagem que a distribuição de água em Ndalatando não é superior a duas horas diárias, devido à insuficiência na captação do rio Mucari, actualmente a única em actividade, das três existentes.
De acordo com o Joaquim Jerónimo, a situação actual não é das melhores, registando-se graves problemas em relação à produção, cujos níveis são insuficientes, não se diferenciando dos produzidos há nove ou dez anos, estimados em 96 litros por segundo.
Referiu que o sistema da fonte de Santa Isabel, que fornece cinco litros por segundo, encontra-se há algum tempo fora de serviço e o do Monte Redondo, com capacidade de bombear 20 litros por segundo, tem a conduta adutora avariada e não permite que a água chegue aos reservatórios do bairro da Kipata, arredores da cidade de Ndalatando.
O PCA da Empresa de Águas do Cuanza-Norte recordou que, na altura da inauguração da captação, a partir do rio Mucari, a 17 quilómetros a Norte da cidade, Ndalatando tinha apenas 2.500 ligações domiciliárias e, com o volume de água de 96 litros por segundo, era possível abastecer a população sem sobressaltos.
“Hoje estamos com uma a duas horas por dia de distribuição, privilegiando os clientes que estão nas zonas mais baixas da cidade e dos bairros da periferia”, disse.
Sustentou que a água do reservatório no bairro Posse, com cinco milhões de litros, é consumida em apenas duas horas, pelo que nesta altura a cidade de Ndalatando e arredores necessita de um grande volume de água, que triplicasse as quantidades actualmente existentes. Acrescentou estar esperançoso que a água chegue a partir do rio Lucala, uma obra que se encontra em concurso público.
De acordo com Joaquim Jerónimo, depois da inauguração do Mucari, em 2012, tinha sido prevista a captação de água a partir de duas fontes localizadas a Norte da cidade, nos rios Cambumbi e Camuaxi, que aumentariam o volume de água existente, obras que não foram executadas devido à falta de dinheiro.
"Espera-se que todo o processo burocrático atinente ao concurso público para as obras do sistema de captação e distribuição de água potável a partir do rio Lucala termine e se iniciem os trabalhos, para que daqui há dois ou três anos tenhamos o aumento do volume de água, para melhor distribuir à população", sublinhou o PCA.
Segundo Joaquim Jerónimo, a qualquer altura, caso as autoridades afins entendam, poderá haver intervenções na captação do Monte Redondo, para aumentar o volume de água, além da intervenção a partir dos rios Cambumbi e Camuaxi, assim como a criação de mais furos artesianos, em vários pontos da cidade e bairros, para colmatar o défice na distribuição, enquanto se espera pela captação do Lucala.
“Com as fontes de Cambumbi e Camuaxi poderíamos melhorar as horas de distribuição, mantendo sempre água nos reservatórios, para permitir atingir as zonas mais altas e que actualmente têm sido as mais prejudicadas”, pontualizou.
O PCA da Empresa de Águas do Cuanza-Norte afirmou que, embora o sistema de Ndalatando seja todo por gravidade, com o aumento do volume de água será possível criar mais reservatórios, para, por bombagem, beneficiar os pontos mais altos.
Neste momento, disse, verificam-se trabalhos de manutenção na conduta adutora, em vários pontos da cidade e arredores de Ndalatando, por uma equipa composta por técnicos da Direcção Nacional de Águas, de uma empresa chinesa e técnicos da empresa local de águas, devido à obstrução e entupimento da tubagem, que, nos últimos tempos, tem dificultado a distribuição normal em várias zonas.
Joaquim Jerónimo acredita que, depois deste trabalho, muitas áreas que antes não recebiam água passarão a receber, como é o caso do centro da cidade, a zona do Hospital Provincial e outras localizadas em pontos mais altos.

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