Coronavírus

Directores do principal hospital demitiram-se

Oito directores de todos os serviços do principal hospital da Guiné-Bissau, Simão Mendes, em Bissau, demitiram-se das suas funções por discordarem da forma como os seus lugares foram ocupados por militares recrutados pelo Governo.

23/09/2021  Última atualização 06H20
© Fotografia por: DR
Os técnicos de saúde pública guineense iniciaram, na segunda-feira, um boicote "por tempo indeterminado”, sem prestar serviço mínimo, deixando os doentes nos hospitais e centros de saúde sem assistência.

Perante a situação, que o Governo considerou de criminosa, foram chamados médicos militares para atender os doentes no hospital Simão Mendes.
Os directores dos serviços agora demissionários endereçaram ontem uma carta ao director-geral do hospital, Sílvio Coelho, para mostrar a sua insatisfação pela forma como os seus lugares foram ocupados por colegas militares.

"Fomos surpreendidos e sem nenhuma informação prévia com a ocupação dos nossos serviços por técnicos militares", lê-se na carta enviada ao director-geral do hospital Simão Mendes, a que a Lusa teve acesso.

Os diretores demissionários são os dos serviços de urgência, ortotraumatologia, medicina interna, cirurgia geral, anestesia e blocos, cuidado intensivo, pediátrico e maternidade.
Entre outras exigências, os técnicos de saúde reivindicam o pagamento de salários e subsídios em atraso, o seu enquadramento efectivo no chamado Estatuto do Pessoal de Saúde e melhoria de condições nos centros de atendimento aos doentes de Covid-19.


Ameaça
 O porta-voz do Governo guineense, Fernando Vaz, disse que o Executivo pondera levar à justiça os técnicos de saúde pública que se encontram em greve.
Para o Governo, o comportamento dos técnicos de saúde, que boicotaram os serviços nos hospitais e centros médicos do país, "é um acto criminoso”.
"O Governo tomará as medidas adequadas, no quadro da lei aplicável, porque a vida de cada cidadão guineense é sagrada e valiosa para este elenco", disse Fernando Vaz, ministro do Turismo.
Fernando Vaz, que falava em conferência imprensa, ao lado dos ministros da Saúde Pública, Dionísio Cumbá, e da Função Pública, Tumane Baldé, defendeu que "o chamado boicote” de técnicos da saúde "tem motivações políticas inconfessas”.
"Este chamado boicote contra a vida dos cidadãos guineenses, em nome dos interesses meramente inconfessos, prova que a Guiné-Bissau só conhecerá a mudança e que o povo só viverá numa Guiné-Bissau melhor quando for extirpado, pela raiz, o cancro social que lançou metástases em todos os organismos públicos durante 40 anos, nos tribunais, nos sindicatos, na administração, nas mentalidades", referiu o porta-voz
do Governo.

Fernando Vaz acrescentou que os sindicatos do país pretendem "semear o caos social, a fim de retirar dividendos políticos” com as paralisações nos sectores da saúde e educação, onde também se assiste a uma greve de professores há mais de oito meses.

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