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Direcção do Complexo Escolar BG defende maior “inclusão escolar”

Hermínio Fontes | Benguela

Jornalista

A directora do Complexo Escolar BG - 1.038, para o Ensino Especial, localizado em Benguela, quer o uso obrigatório da “inclusão escolar e educativa” neste ano lectivo, de forma a dar oportunidade a todos de terem uma educação condigna.

11/09/2022  Última atualização 09H28
Este ano, a escola espera receber novos materiais didácticos, em especial para os invisuais, como máquinas e papel Braille © Fotografia por: DR

Cláudia Barros Joaquim informou que, este ano, têm matriculados 800 alunos. Entre os inscritos, disse, 243 padecem de deficiência intelectual, 220 de deficiência auditiva, 44 da síndrome de Dão, 35 com deficiências físico-motoras e 92 com dificuldades de aprendizagem. "Também há alguns alunos com dificuldades de integração”, explicou.

A directora da escola, a única do município sede de Benguela vocacionada ao Ensino Especial, adiantou que a aposta da instituição para este ano lectivo, tendo em conta as recomendações do Governo, é valorizar mais a sã convivência e educacional entre os alunos, "tendo em mente os desafios do futuro”.

Este ano, revelou, a instituição pretende trabalhar, bastante, com os alunos com deficiência mais acentuada. "As deficiências também têm níveis. A escola tem trabalhado muito com os casos mais acentuados. Porém, como a procura é muita, temos tido problemas de vagas. Por isso, é preciso incentivar a inclusão escolar, de forma que estes frequentem as instituições próximas das suas casas”, destacou.

A também pedagoga apela, por isso, aos pais e encarregados de educação para procurarem levar os filhos às escolas do ensino normal. "Antes de os matricular deve ser feito uma avaliação do aluno, que vai permitir ter uma noção do nível da deficiência deste”.

Para a directora, esta é uma forma de encaminhar as crianças para as escolas próximas das suas localidades. "O diagnóstico também deve ser acompanhado do parecer clínico, mas ainda assim é preciso ter noção que a inclusão escolar permite maior aproximação entre a criança e comunidade”.

O Complexo Escolar BG - 1.038, reforçou, tem trabalhado também, dentro da perspectiva da inclusão escolar, com estudantes do ensino normal de Benguela, "apesar da carência de material didáctico apropriado para a formação destes”.

Neste ano lectivo, continuou, a instituição está a espera de novos materiais didácticos, em especial para os invisuais, como máquinas e papel Braille. "Geralmente, são materiais que vêm de Portugal ou Brasil. Por isso, é difícil ter com regularidade”, lamentou, além de reconhecer o apoio dado pelo Gabinete Provincial da Educação.

A solução, contou, tem sido adaptar algumas cartolinas, assim como outros materiais, para suprir as necessidades dos alunos. "Estamos a trabalhar para ter na escola tecnologia capaz de ajudar na assistência dos estudantes”, revelou.

 

Docência

Em relação aos docentes, Cláudia Barros Joaquim disse que este ano estão com carência de alguns especialistas, em particular para os alunos com deficiência intelectual. "Esperamos nos próximos dias ter quatro novos professores”, perspectivou.

Durante o período de férias académicas, adiantou, os docentes da instituição participaram de uma formação sobre "Os desafios da educação inclusiva”, que também contou com professores de outras unidades do Ensino Especial, como as Escolas Primárias BG - 1.087, 1.013 e 1113.

A formação, contou, vai ter uma periodicidade quinzenal. "O encontro vai servir para  debater temas específicos, com base nas principais necessidades dos professores. Por exemplo, se a criança tiver dificuldades de leitura, então vamos dar mais atenção à dislexia, como trabalhar com os alunos nesta situação e que apoio dar à família”, explicou.

 

Apoios e apelos

O Governo Provincial de Benguela, disse a directora da escola, tem prestado apoio à instituição, porém não são suficientes. "A inclusão escolar é um processo que requer o apoios, em especial as áreas pré-profissionais, por permitir analisar as deficiências da criança com antecedência”.

A directora destacou ainda a importância de serem criadas, nas instituições do Ensino Especial, centros de artes e ofícios, para incentivar actividades pré-profissionais, com base nos interesses das crianças. "Caso hajam oficinas de carpintaria, corte e costura ou pastelaria, poderia se preparar a inclusão técnica e profissional das crianças antecipadamente”, pediu.

Os empresários, reforçou, também devem dar um maior contributo à causa. "É preciso que as pessoas tenham mais interesse por este sector da educação”, reconheceu, adiantando que no ano passado tiveram um aproveitamento na  ordem dos 73 por cento. "É preciso mais atenção à formação destes meninos. Toda criança deve ser estimulada a sonhar positivo e a escola deve ser o meio para ultrapassar as limitações da deficiência”.

Com 12 salas de aula e três laboratórios, o Complexo Escolar BG - 1.038 tem tido dificuldades para ministrar algumas aulas práticas, em especial as que requerem materiais como reagentes. "Para melhorar esta situação, é preciso o empenho de todos”, desafiou.

 

A instituição

O Complexo Escolar BG - 1.038 do Ensino Especial foi inaugurado a 17 de Abril de 2009 e formou vários quadros que hoje têm trabalhado em Benguela e noutras províncias do país. Neste ano lectivo, contou, vão ter mais duas professoras, admitidas no concurso público para professores, realizado em 2021.

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