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Dinâmica jornalista e blogger

Francisca Gonga nasceu em Luanda, filha de Noé Pedro Gonga e de Rita João Manuel Alexandre, penúltima filha no meio de cinco irmãos. Francisca Gonga é jornalista há 8 anos, assessora, blogger e comentarista. “Actualmente, trabalho no ramo da imprensa escrita e numa agência de comunicação, sou repórter de rádio e sou a CEO do Blogue Gonga", começa por nos dizer. “O jornalismo tem-me levado a lugares e patamares a que nunca sonhei chegar. Tudo está a acontecer pelo foco e motivação que sempre tive”.

06/06/2021  Última atualização 09H12
Jovem mostra que a persistência é um dos caminhos para o sucesso © Fotografia por: DR
O "bichinho” do jornalismo acompanha Francisca Gonga desde tenra idade, como fez questão de nos recordar. "Em pequena, já sonhava ser jornalista. Desejava fazer o curso de Comunicação Social no ensino médio, mas não o fiz porque não havia vaga no IMEL, o único instituto que leccionava o referido curso na altura”.

Para não perder o ano lectivo, teve de escolher outro curso. Além do Jornalismo, Francisca Gonga diz que também sente grande paixão pelas tecnologias e queria cursar Informática. Mas, também, não havia vaga para isso, motivo pelo qual optou pelo curso de Contabilidade e Gestão, no Complexo Escolar Betânia.
Com o passar do tempo, começou a gostar de Contabilidade. Ela aplicava-se, mas insatisfeita, por não estudar Jornalismo. Findo o médio, fez os testes nas universidades, em diferentes cursos e foi parar à Universidade Metodista de Angola, ingressando no curso de Língua Portuguesa e Comunicação.

Francisca Gonga pertenceu ao projecto "Hora H”, na Rádio Nacional de Angola (RNA). Durante o ensino médio, a jovem já frequentava o curso de Comunicação Social no projecto "Hora H”, no ICRA, um curso leccionado pelo jornalista daquela estação emissora Benedito Soares.
Enquanto estudava, também trabalhava. Começou a trabalhar na área de protocolo numa empresa de eventos, como balconista na Mega África, operadora de caixa e, depois, administrativa da empresa Procinea.


Certo dia, recorda, a jornalista Elione Falcão disse-lhe que a revista "Talentos” estava a recrutar. Francisca Gonga fez os testes e ei-la no programa "Talentos na Rádio” da Luanda Antena Comercial (LAC). Como repórter de revistas culturais, trabalhou na "Super Fashion”, no Portal Neovibe, Bateu Bué e na Revista "Lux” Angola. Trabalhou ainda para o Gabinete de Comunicação e Imagem da Sogester e escreveu para a revista "Palu”, que tinha como objectivo erradicar o paludismo.

Mas, nem tudo foi um mar de rosas na vida de Francisca Gonga. "No início da minha carreira enfrentei momentos terríveis, algumas pessoas desmotivavam-me, mas segui em frente.”
A jornalista deixa um apelo a todos os jovens jornalistas e aos que desejam ingressar no mundo do jornalismo. "Só alcançamos um sonho ou patamar se houver acção e atitude. Devemos investigar sempre, cultivar os hábitos de leitura, estar sempre preparados para novos desafios, trabalhar com amor e dedicação. Fé, foco e força são as palavras-chave para alcançar o sucesso.”

Na Faculdade houve momentos em que pensou desistir, por absoluta falta de condições para pagar as propinas. "A minha família é humilde, os meus pais não tinham dinheiro para pagar os estudos de todos os filhos, motivo pelo qual fui obrigada a trabalhar desde cedo, passando a levar a vida de trabalhadora-estudante.”

Francisca Gonga fazia pequenos trabalhos como protocolo e juntava o dinheiro para pagar a propina. "Algumas pessoas não acreditavam que eu passasse por dificuldades, porque estava sempre a sorrir. E, então, apareciam anjos a segredar-me: "Continue Francisca, não desista.”
Hoje, diz com um semblante tranquilo mas revelador de satisfação, "quando olho para as minhas fotos da licenciatura, sorrio. Um riso de vitória, de sofrimento e de glórias. Vencer no meio de tantas tribulações, pertencer a uma família humilde, estudar e trabalhar, não é fácil.”

Estudar em Angola não é fácil, prossegue. "É duro. Às vezes, sem dinheiro para apanhar táxi, eu ia para a faculdade a pé ou, se tivesse, preferia guardar o dinheiro do táxi para comprar um fascículo, juntar para comprar livros. Quando a minha família tivesse, apoiava-me.”
Muitas vezes Francisca Gonga sentia-se em baixo, quase a desistir de tudo, mas erguia-se para prosseguir a sua formação. Vendeu revistas na Praça da Independência, quando havia venda de discos. Sofreu e ainda sofre muitos assédios, que ela gere de forma inteligente. "Hoje sei afugentar as moscas.”

O percurso de Francisca Gonga é, diz, feito de dificuldades e glórias. "Sei que ainda vou enfrentar muitos desafios, a nível pessoal e profissional, mas faço um apelo aos jovens para que estudem, definam metas, pois a vida é feita de sacrifícios e é muito prazeroso quando bebemos do nosso próprio suor.”

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