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Dia mundial da população: Tempo de cultivar o amor ao próximo

A população mundial vive um momento sem precedentes. Embora tenha havido antes outras pandemias, a Covid-19 acontece numa altura em que os 7,7 mil milhões de habitantes da Terra gozam de um nível de desenvolvimento tal, que lhes permite compartilhar a dor alheia de forma muito próxima, ao mesmo tempo que o afastamento abre caminho a outras patologias, nomeadamente as de fórum psicológico.

11/07/2020  Última atualização 08H00
DR © Fotografia por: População mundial é constituída por 7.7 biliões de pessoas

O momento que vivemos deve servir como uma espécie de laboratório para todos os cientistas sociais, em geral, observarem o lado negativo de todas as ideologias que apelam ao separatismo e divisionismo entre os povos, por meio de políticas e discursos racistas, xenófobos, tribalistas ou outros. 

Criado em 1989, inspirado no Dia dos Cinco Biliões, celebrado em 1987, o Dia Mundial da População, hoje assinalado, tem como objectivo alertar para as questões do planeamento e desenvolvimento populacional, numa altura em que se acentuam as diferenças no acesso a recursos e serviços básicos, como saúde, educação, saneamento e alimentação entre outros.

A população mundial cresce a cada dia, ao mesmo tempo que se agudizam as desigualdades entre as regiões, os países e dentro deles. Por estarem relacionados com as tendências demográficas, como o crescimento populacional, o envelhecimento, a migração e a urbanização, os desafios estabelecidos em procotolos e convenções internacionais encontram fortes obstáculos para a sua materialização.

Enquanto documentos importantes para o desenvolvimento sustentável chamam atenção para a sua vulnerabilidade às alterações climáticas, estimativas como a que, até 2050, 68 por cento da poulação mundial viva em áreas urbanas parecem soar como violinos aos ouvidos de determinadas elites, mais interessadas em cavar o fosso que separa os ricos dos pobres.

Em varíos países, a existência de comunidades pobres é benéfica para as elites, ainda que tal aconteça à porta dos seus bairros, condomínios e mansões de luxo. Esse apartheid urbano agrada-lhes, sobretudo, nos momentos de eleição, em que o voto do pobre conta. 

Volta e meia ouvem-se comentários sarcásticos de pessoas pertencentes às classes e países ditos ricos sobre as elevadas taxas de natalidade nos países e comunidades pobres, em particular em África, sem que se faça alusão à ausência de outros serviços básicos, como a saúde e a educação, os quais serviriam para combater o crescimento populacional descoordenado.

Até 2050, a população africana deverá passar de 1,3 mil milhões para 2,5 mil milhões de pessoas, ainda que a mortalidade infantil permaneça alta, muito devido à taxa de natalidade (4,7 crianças por mulher). 

Ao contrário do que alguns tentem fazer crer, a existência de uma grande população jovem nem sempre é sinónimo de dias melhores, por que faltam educação e emprego condignos. Sem estes dois aliados importantes, os menores tornam-se presas fáceis dos grupos criminosos.

É um ciclo que tende a agravar-se e só se tornam piores com as guerras e as políticas discriminatórias. Neste momento, em que estamos todos voltados para os noticiários sobre a evolução da Covid-19, em que damos mais atenção aos problemas por ela gerados, como o desemprego e a violência doméstica, deixamos de pensar em questões aparentemente mais fúteis, como o amor ao próximo.

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