Opinião

Dia Internacional do Idoso

Celebra-se hoje em todo o mundo o dia Internacional Consagrado à Pessoa Idosa, uma data instituída pela Assembleia-Geral da ONU, em 1991, que visa lembrar o papel insubstituível dos idosos nas famílias, a condição por que muitos passam e a necessidade de atenção para com os mesmos.

01/10/2022  Última atualização 06H30

A efeméride é também uma oportunidade para que, sobretudo nas regiões do mundo em que os idosos enfrentam mais desafios, haja reflexão sobre uma data que sirva como lembrete relativo à condição das pessoas na faixa etária considerada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como da terceira idade.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), considera-se como idosa toda a pessoa acima dos 60 anos, um estádio que, dependendo da região do mundo, constitui um desafio e uma oportunidade.

Para realidades económicas avantajadas, em que as pessoas que se retiram da vida economicamente activa, vão para a reforma com as pensões de reforma que os permitem viver  com dignidade, intensidade e bem acolhida pelo seio familiar, é sempre uma oportunidade.

Noutras realidades, com maior incidência nos países em vias de desenvolvimento do sul da Ásia, América Latina e África, a terceira idade acaba por transformar-se, na maioria dos casos em fardo para as famílias, envolvendo discriminação e isolamento da sociedade para com o idoso e, da velhice ser encarada como decadência, doença e peso social. Logo, um desafio na medida em que os esforços empreendidos pela maioria, em mais de trinta anos de vida laboral e familiar acabam por serem transformados, nalguns casos, numa espécie de desperdício.

Em África, embora as pessoas da terceira idade constituam menos de três por cento de  toda a população, ainda assim perfazem o segmento de pessoas com os piores indicadores sociais.

Em Angola, as pessoas idosas enfrentam desafios semelhantes aos das restantes regiões de África e, embora conste na Constituição que "os cidadãos idosos têm direito à segurança económica e a condições de habitação e convívio familiar e comunitário que respeitem a sua autonomia pessoal e evitem ou superem o isolamento e a marginalização social”, obviamente que estamos longe da efectivação de um ambiente acolhedor para os idosos.

Basta olharmos para as nossas famílias, sobretudo ao nível das comunidades urbanas e periurbanas, para termos uma ideia geral da condição dos idosos, muitas vezes abandonados pelos familiares directos. É verdade que essa realidade contrasta com o que é dado a observar nas comunidades rurais, onde, felizmente, as pessoas da terceira idade vivem devidamente inseridas nas comunidades.

Estamos ainda longe de uma "Política Nacional” exclusivamente virada ao idoso, numa altura em que urge materializar a Estratégia de Protecção e Assistência à Pessoa Idosa, um instrumento que precisa de ser transformado numa ferramenta cujos fins incidam na vida de pessoas a partir dos 60 anos de idade. E no quadro da referida estratégia, veríamos, por exemplo, gestos ou iniciativas como a eventual subvenção da assistência médica e medicamentosa, o acesso aos transportes públicos, prioridades no atendimento em instituições, como felizmente já ocorre.

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