Economia

Inspecções atingiram Joaquim Sebastião

Uma fonte do “Jornal de Angola” indica que a prisão de Joaquim Sebastião, antigo director do INEA (até 2010), pode também ter a ver com a sua passagem pelo Instituto de Planeamento e Gestão Urbana da Província de Luanda (IPGUL), do qual foi director entre Fevereiro de 2016 e Março de 2018.

13/02/2019  Última atualização 23H05
Santos Pedro| Edições Novembro © Fotografia por: Joaquim Sebastião

É que antes de ser detido pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC), inspectores da Inspecção Geral da Administração do Estado estiveram naquela instituição titulada pelo Governo Provincial de Luanda. O IPGUL é responsável pela promoção e coordenação de todas as actividades de ordenamento, planeamento e gestão urbana da capital do país. “É a instituição responsável pelos terrenos em Luanda”, lembrou a fonte.
Coincidentemente, no INEA e no IPGUL, Joaquim Sebastião chegou através de Higino Carneiro, que foi ouvido ontem pela Direcção Nacional de Acção Penal da Procuradoria-Geral da República(DNIAP), acabando por ser constituído arguido. No primeiro caso, Higino Carneiro era ministro das Obras Públicas e, no segundo, governador provincial de Luanda.
Num seminário sobre as “Principais Irregularidades na Administração Pública e a Lei”, dirigido a funcionários do Ministério da Construção e Obras Públicas, o director de Inspecção do IGAE falou em valores não justificados no Ministério das Obras Públicas e no da Construção, entre 2007 e 2014 (na altura os organismos estavam separados). Recorde-se que, entre 2002 e 2010, um período do auge do processo de reconstrução nacional, o ministro das Obras Públicas era Higino Carneiro e Joaquim Sebastião o director do INEA, organismo encarregado da reabilitação das estradas. Vários milhões de dólares, incluindo dinheiros da linha de crédito da China, foram canalizados para as instituições lideradas por Higino Carneiro e Joaquim Sebastião.
Fonte ligada ao Serviço de Investigação Criminal revelou ao “Jornal de Angola” que Joaquim Sebastião há muito exibia sinais claros de enriquecimento ilícito, sendo detentor de aviões, iates de luxo de valor incalculável e várias mansões no país e no exterior. Como exemplo, a fonte fala numa mansão numa das ruas mais caras do Principado de Mónaco, avaliada em mais de 30 milhões de dólares, e outra numa das zonas mais nobres de Londres, calculada em mais de 40 milhões.
“Estas buscas e detenção de um dos homens mais ricos do país são sinais de que este vai ser um ano de muita actividade e há um notável desempenho para a descoberta e correcção de todos os males que se verificam na administração pública e no sistema financeiro”, afirmou, para sublinhar:
“são situações jamais imagináveis e revelam bem o quão intensas vão ser as inspecções e investigações no decurso deste ano”.

 

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