Economia

Governo planeia nova emissão de Eurobonds

Uma fonte do Ministério das Finanças confirmou hoje ao Jornal de Angola a perspectiva do Governo regressar aos mercados no segundo trimestre, para uma emissão de Eurobonds de 622.200 milhões de kwanzas (dois mil milhões de dólares) incluída no Plano Anual de Endividamento (PAE) 2019.

03/02/2019  Última atualização 06H00
Kindala Manuel | Edições Novembro | porto © Fotografia por: Ministério das Finanças confirma perspectiva do regresso de Angola aos mercados este ano

A emissão foi inicialmente divulgada pela Lusa com base no PAE 2019, onde a operação de Eurobonds é parte de um plano de contratação de dívida pública interna e externa cifrado em 3,862 biliões de kwanzas (12.371 milhões de dólares) no cômputo do ano.
No mercado externo, além da emissão de Eurobonds, o Governo prevê ainda garantir 1,373 biliões de kwanzas através de linhas de crédito.
A fonte do Ministério das Finanças afirmou que a decisão de recorrer ao mercado da dívida vai ainda ser analisada à luz da avaliação da implementação do Programa de Financiamento Ampliado aprovado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que ocorre em Março com a vinda de uma missão da instituição financeira a Luanda.
Se a avaliação for favorável, ao ponto de estimular o apetite dos investidores por títulos angolanos, o Governo avança com a emissão.
A acontecer, essa será a terceira emissão do género do Tesouro angolano, que nas operações anteriores permitiu angariar 1.500 milhões de dólares em 2015 e 3.500 milhões de dólares em 2018.
Em 2019, o serviço da dívida pública angolana - amortizações, juros e comissões -, que envolve Bilhetes e Obrigações do Tesouro em moeda nacional e estrangeira, vai ascender, segundo números do Plano Anual de Endividamento, a 5,206 biliões de kwanzas.
Na primeira emissão de Eurobonds, em 2015, Angola colocou 1.500 milhões de dólares com uma maturidade de dez anos.
Já a emissão de Abril de 2018 foi feita em duas parcelas, a primeira das quais com maturidade de dez anos e com um valor nominal de 1.750 milhões de dólares, emitida com uma taxa de juro do cupão fixada em 8,25 por cento.
A segunda parcela, com maturidade de 30 anos e com um valor nominal de 1.250 milhões de dólares, foi emitida com uma taxa de juro do cupão fixada em 9,375 por cento.
Três meses depois, o Governo avançou com a reabertura daquela emissão, dada a forte procura que existiu, garantindo mais 500 milhões de dólares.
A dívida pública está avaliada em 21,3 biliões de kwanzas (72,45 mil milhões de dólares), sendo a dívida governamental de 20,1 biliões de kwanzas (68,49 mil milhões de dólares) e a dívida das empresas públicas (Sonangol e TAAG) calculada em 1,164 biliões de kwanzas (3,96 mil milhões de dólares).
Estes números indicam que a dívida governamental é externa em 60 por cento e interna em 40 por cento, representando, no seu cômputo, algo mais do que 70 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), o que a directora-geral do FMI considerou “sustentável”, quando esteve em Luanda, em Dezembro.

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