Economia

Empresas deploram dificuldades de acesso a divisas e à electricidade

A falta de divisas para a importação de matérias-primas e de regularização da dívida do Estado, bem como de acesso a bens públicos com a electricidade são factores do mercado apontados por industriais que participam na III Expo-Indústria e XV Projekta, iniciadas quarta-feira, em Luanda, como os principais obstáculos das operações que conduzem no país.

01/01/1970  Última atualização 06H00
VIGAS DA PURIFICAÇÃO | EDIÇÕES NOVEMBRO © Fotografia por: Vendas da Flo-Tek, fábrica de produtos plásticos e PVC, registaram baixas significativas

O director de Marketing da fabrica Flo-Tek,  de produtos plásticos e PVC, Tom Sabam, afirmou ao Jornal de Angola, no recinto em que decorrem os dois certames, que, este ano, as vendas registaram “baixas significativas” em resultado da falta de matéria-prima, mesmo depois da companhia ter observado o expediente burocrático para a compra de divisas para a sua importação.
“Tivemos dificuldades imensas em adquirir divisas para comprar a matéria-prima, porque os bancos levam muito tempo a autorizar a compra, mesmo com os documentos organizados”, afirmou Tom Sabam.
Noventa por cento da ma-téria-prima usada para fabricação dos produtos como tanques de água, mangueiras para irrigar, contentores de lixo e alguns tubos PVC, provém do estrangeiro.
No mercado nacional há mais de 12 anos, empregando 180 trabalhadores, a Flo-Tek produz cerca de 150 toneladas de produtos diversos por mês, mas a actividade reduziu de forma “brusca” devido à crise financeira que assola o país ao longo dos últimos quatro anos.
A Marave, uma unidade industrial ligada às confecções têxteis, além das dificuldades na aquisição de  divisas, tem problemas de liquidez devido a uma dívida do Estado avaliada em mais de cem milhões de kwanzas.
O sócio gerente da em-presa Machado Vaz disse que 80 por cento do material usado na produção é importado e que o acesso às divisas “é um problema”.
Detentora da marca Ke-fofo, a fábrica tem capacidade para produzir cem mil lençóis, igual quantidade de toalhas de banho e 50 mil uniformes por ano, estando instalada na Comarca de Luanda, em Viana, com 50 presidiários e ex-presidiários ao seu serviço, no âmbito do programa do Ministério do Interior “Novos rumos e novas oportunidades”.
No ano passado, a facturação atingiu  um milhão de dólares e, este ano, prevê-se que a facturação suba para 1,5 milhões como resultado do aumento das vendas.
Um outro problema que preocupa o industrial é a deficiência no fornecimento de energia eléctrica no país. “Os custos de produção ficam muito encarecidos por causa da falta de energia. Temos sempre de recorrer aos geradores”, disse Tom Sabam.
Sublinhou ainda que o Es-tado devia dar mais oportunidades à indústria nacional, em detrimento da estrangeira. “Nós temos condições para fornecer uniformes milita-res às FAA e à Policia Nacional, bem como lençóis aos hospitais, mas os nossos serviços são preteridos”, disse.
O proprietário da unidade de produção de ração animal Ramix, no mercado há três meses, disse que quase desistiu de instalar uma fabrica em Luanda por causa da falta de divisas. Pedro Grangeia considerou que o acesso às divisas em Angola “é um Deus nos acuda”.

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