Economia

Desvio de recursos públicos explica actuais dificuldades

Os 6.980 milhões de dóla-res encontrados nos cofres públicos como recursos do Tesouro, quando o novo Go-verno entrou em funções, em Setembro de 2017, de tão insignificantes para a agenda económica do país, po-dem explicar as dificuldades actuais do país, consideraram economistas ouvidos ontem pelo Jornal de Angola.

01/12/2018  Última atualização 09H54
DR © Fotografia por: Alberto Seixas questiona a dimensão da queda das reservas de Estado registada até 2017

A nossa reportagem obteve reacções de profissionais sobre o balanço da aplicação do Programa de Estabilização Macroeconómica (PEM), realizado na quinta-feira, onde o ministro de Estado do De-senvolvimento Económico e Social revelou existências de 15 mil milhões de dólares em reservas internacionais líquidas e de 6,98 mil milhões em reservas do Tesouro, em Setembro de 2017.
Manuel Nunes Júnior notou, nessa ocasião, que apesar das reservas internacionais serem importantes para a credibilidade ex-
terna do país, não devem ser tidas como sendo recursos do Tesouro, uma vez que não podem ser utilizadas para fazer face a gastos correntes do Estado, como o pagamento da salários da função pública.
O economista Afonso Maby Miguel afirmou que os recursos financeiros encontrados em moeda estrangeira serviam apenas para suportar a importação de produtos por um período de nove meses e que explicam a perda do poder de compra e as actuais dificuldades de implementação de políticas no domínio económico e social, para garantir a estabilidade do mercado”.
Afonso Maby Miguel lembrou que o Estado tem o papel crucial de manter o bem-estar da população, garantindo todos os serviços por meio de verbas alocadas pelo Tesouro. “O montante encontrado nos cofres não permite fazer uma cobertura integral de pagamentos aos fornecedores”, considerou.
Alberto Seixas, outro economista, estimou que o Estado deve manter 30 mil milhões de  dólares em recursos do Tesouro para fazer face às necessidades do país. “Em 2008, o país observou números bastantes animadores para as necessidades de consumo no país. Os montantes foram baixando de forma inexplicável, enfraquecendo a economia”, lamentou. O especialista considerou como “um mau procedimento” a tendência da governação anterior de não prestar contas de forma regular sobre a execução orçamental e disse ser “de louvar a prestação de contas apresentada pela equipa económica”, porque “é penoso para o crescimento da economia nacional, quando assistimos à falta de transparência”.
Para Alberto Seixas, a transparência das politicas macroeconómicas de um país é importante para garantir confiança ao investidor estrangeiro. “É a partir de números oficiais divulgados pelo Governo, que a classe empresarial direcciona os seus projectos de investimentos”, notou.
Na sua opinião, uma das politicas que fez baixar as reservas líquidas foi a politica de injecção de divisas no mercado cambial, onde vigorava uma taxa fixa que penalizou o mercado nacional. “É impensável acreditar que, através da injecção de moeda estrangeira no mercado cambial para regular as taxas, manteria o câmbio menos inflacionado”, afirmou.
O economista Hernani Pena Luís declarou que reservas internacionais liquidas são utilizadas  para dar garantias ou estabilidade a nível da taxa de câmbio, pelo que os cofres de Estado “estavam mesmo vazios”, uma vez que existe diferença entre as reservas internacionais liquidas e reservas ou fundos do Tesouro.

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