Economia

Desvalorização esbate ganhos das seguradoras

As seguradoras arrecadaram 223,7 mil milhões de kwanzas em prémios, em 2020, mais 41 mil milhões de kwanzas que em 2019, mas o efeito da desvalorização cambial esbateu os ganhos, de acordo com números do presidente do Conselho de Administração da Agência Angolana de Regulação e Supervisão de Seguros (ARSEG).

24/10/2021  Última atualização 08H10
Sector dos Seguros e Fundos de Pensões conta com mais de cinco dezenas de operadores empresariais © Fotografia por: DR
Elmer Serrão disse, citado no portal electrónico do Ministério das Finanças, que "o sector, em 2020, arrecadou mais cerca de 41 mil milhões relativamente ao ano de 2019, porém, face à desvalorização da moeda, verificou-se, em dólares norte-americanos, uma redução na subscrição de cerca de 39 milhões”.

Os números do desempenho do sector de Seguros de Fundos de Pensões divulgados por Elmer Serrão indica, que, contra o encaixe de 223,7 mil milhões de kwanzas em prémios, no ano passado, as seguradoras pagaram 92,4 mil milhões em indemnizações, o que corresponde a uma taxa de sinistralidade de 41 por cento.


Elmer Serrão acrescentou que os activos totais dos 36 fundos de pensões com operações em Angola atingiram um total 567 mil milhões de kwanzas,  enquanto as contribuições arrecadadas registaram o total 75,4 mil milhões.

"O índice de penetração do sector na economia nacional, que ronda 1,0 por cento do PIB, é ainda significativamente baixo, devido, fundamentalmente, à baixa cultura de seguros e à perda de rendimentos gerada pela crise económica e financeira e aos efeitos da pandemia da Covid-19”, afirmou Elmer Serrão ao apontar os factores conjunturais que levaram a esse desempenho.

O presidente do Conselho de Administração lembrou que o país passa por tempos de forte pressão social e de significativas dificuldades económicas, considerando ser nessa altura que se exigem "capacidade de resiliência e engenho para superar os desafios que enfrentamos”.

Do lado dos operadores, disse, a crise pode ser transformada numa oportunidade para inovarem e criarem produtos mais adaptados às necessidades do consumidor e à sua capacidade financeira, de modo a que o mercado possa responder às finalidades de protecção das pessoas e dos seus bens, mas também de dinamizador do investimento na economia.
Elmer Serrão destacou factos da evolução tecnológica que vão influenciar a actividade do sector em Angola, nos próximos anos, porque "o sector segurador não pode e nem deve ficar de fora destas mudanças.


Organização prudencial

O regulador tem vindo a adoptar importantes reformas internas nos domínios da  organização, ferramentas, processos e procedimentos, com resultados "já bastante visíveis, quer ao nível da cobertura dos serviços de supervisão prestados ao mercado, quer ao nível da qualidade destes serviços”.

Relativamente à credibilidade do mercado, lembrou que a ARSEG tem tomado medidas relacionadas com a situação prudencial das empresas supervisionadas, situação que levou a revogação de licenças e suspensão de autorizações para subscrição de novas apólices de seguros de algumas entidades.

O mercado conta com 23 seguradoras, 1.230 mediadores de seguros, 36 fundos de pensões e oito entidades gestoras de fundos de pensões, em que quatro são sociedades gestoras e as outras seguradoras.

As declarações foram proferidas durante o 2º Ciclo de Webinars organizado pela MG Advogados, que abordou o Desenvolvimento, Credibilidade e Inovação na Óptica dos Seguros e Fundos de Pensões.

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Economia