Economia

Destacados benefícios da mulher com a Zona Livre do Comércio em África

A representante permanente de Angola junto da Organização das Nações Unidas, embaixadora Maria de Jesus Ferreira, considerou, em Nova Iorque, que “não há dúvidas de que as mulheres são as principais partes interessadas no desenvolvimento da economia africana” na Zona Livre do Comércio em África (AfCFTA).

10/05/2022  Última atualização 21H43
Maria de Jesus dos Reis Ferreira, representante permanente de Angola na ONU, diz que é tempo de justiça climática para África © Fotografia por: DR

Em entrevista divulgada pela Revista Renewal, do Grupo de Publicações das Comunicações Globais da ONU, a diplomata angolana justificou que, em primeiro lugar, as mulheres constituem 70% dos comerciantes informais, razão pela qual a AfCFTA reconhece a importância do género no comércio intra-africano.

Mas defendeu maior intervenção: "Devemos promover políticas que eliminem a diferença de género. Ao considerar o impacto potencial do AfCFTA sobre os africanos, vamos considerar a questão de saber se esse impacto ajudará a abordar a desigualdade de género”.

Na perspectiva de Maria de Jesus Ferreira, a boa notícia é que, de acordo com o Banco Mundial, a AfCFTA poderia tirar 30 milhões de africanos da pobreza extrema e aumentar a renda de 68 milhões de outros que vivem com menos de USD 5,50 por dia. "Temos um mercado combinado de 1,3 bilião de pessoas, do qual as comerciantes podem se beneficiar imensamente”, acrescentou.

Além disso, sublinhou a embaixadora angolana destacada nas Nações Unidas, a AfCFTA, já no segundo ano de implementação, pode aumentar o papel das mulheres em empregos em diferentes sectores, como o agrícola, ressaltando que "os mercados de exportação expandidos apresentam grandes oportunidades para as mulheres”.

A diplomata, que falava para a publicação da ONU virada para questões africanas, lembrou também que o aumento da industrialização e da diversificação pode beneficiar as mulheres nas indústrias manufactureiras, "porque tornará os empregos mais qualificados e mais bem remunerados, além de mais disponíveis e acessíveis a elas”.

Reiterou que, significativamente, as mulheres empresárias, incluindo as das pequenas e médias empresas, colherão recompensas das cadeias de valor regionais, frisando que, em termos de empoderamento, em África, isso promoverá o senso de auto-estima, capacidade de determinar as próprias escolhas e o direito de influenciar a mudança social.

"A igualdade de género é alcançada quando homens e mulheres desfrutam dos mesmos direitos e oportunidades socioeconómicas, têm igual acesso à Educação, Saúde, trabalho decente e representação nos processos de tomada de decisões políticas e económicas”, reforçou, citada hoje em nota da missão diplomata a propósito da recente entrevista.

Entre outras questões debatidas durante a entrevista à Africa Renewal, a embaixadora, além de abordar o empoderamento das mulheres, o livre comércio e o que o continente pode esperar da Conferência da ONU sobre o Clima (COP27), que será realizada no Egipto ainda este ano, também falou do impacto da Covid-19 no continente e da pacificação da Região dos Grandes Lagos.

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