Política

Destacado o peso histórico da cidade de Mbanza Kongo

O Vice-Presidente da República destacou ontem, em Mbanza Kongo, o peso histórico desta localidade (antiga capital do Reino do Kongo), na valorização da identidade cultural e ancestralidade.

06/07/2019  Última atualização 09H22
Garcia Mayatoko | Edições Novembro | Zaire © Fotografia por: Bornito de Sousa visitou as ruínas da antiga catedral de São Salvador do Kongo (Kulumbimbi)

Bornito de Sousa, que discursava em representação do Chefe de Estado, na cerimónia de abertura oficial da primeira edição do Festival Internacional de Cultura e Artes (FestiKongo), que decorre até segunda-feira próxima.
Ao longo da sua intervenção, fez uma incursão histórica sobre o “imponente” Reino do Kongo, cujo domínio estendeu-se para os territórios das Repúblicas Democrática do Congo, do Congo Brazzaville e Gabão. Lembrou, a propósito, que o primeiro traçado do perfil urbano de Mbanza Kongo remonta aos séculos XIII-XIV, erguido com materiais locais, e mais tarde edificado em pedras.
O Vice-Presidente falou também da expansão do cristianismo em Mbanza Kongo, e do envio dos filhos desta parcela do território para formação além-fronteiras, que deu ao Kongo eminentes figuras, como Dom Henrique, filho do Rei do Kongo, que chegou à plenitude do sacerdócio ao episcopado e António Manuel Nsaku Ne Vunda, o “Negrita”, que em 1604 cumpriu uma missão ao Vaticano como embaixador do Rei do Kongo.
Bornito de Sousa enalteceu a figura de Kimpa Vita, outro nome sonante da História do Reino do Kongo, cujos feitos em muito contribuíram para a afirmação da identidade e ancestralidade do país. A cidade de Mbanza Kongo ainda conserva hoje muitos traços que configuram a sua riqueza e diversidade cultural, disse Bornito de Sousa, lembrando que o Executivo, através do Ministério da Cultura, desenvolveu um conjunto de acções, tendo em vista a salvaguarda do património nacional, material e imaterial, e colocou Mbanza Kongo na primeira linha de prioridades na inscrição de Património Mundial.
Para Bornito de Sousa, os departamentos ministeriais são chamados a trabalhar de forma coordenada com as autoridades e comunidades locais, incluindo a diáspora Kongo para uma gestão participativa dinâmica entre o poder público e a sociedade civil.
“O FestiKongo já tem o seu lugar garantido na agenda cultural nacional e regional como plataforma de intercâmbio de partilha de conhecimentos e promoção da diversidade cultural Kongo”, afirmou Bornito de Sousa, acrescentando ser necessário manter a força e determinação deste festival para que no futuro esteja entre os principais festivais culturais do continente.
Ainda ontem, o Vice-Presidente da República orientou, em Mbanza Kongo, a primeira reunião da Comissão Multissectorial para a Salvaguarda do Património Mundial.
A reunião analisou acções concretas, que visam colocar na prática os processos dos bens já inscritos na Lista Indicativa da UNESCO, nomeadamente Cuito Cuanavale, pinturas rupestres de Tchitundu Hulo e o corredor do Kwanza.
A anteceder à cerimónia de abertura do FestiKongo, o Vice-Presidente da República, membros do Executivo, deputados, embaixadores acreditados no país, e representantes do Congo Democrático, Congo Brazzaville e Gabão testemunharam o ritual tradicional de boas vindas, feito no Cemitério dos Reis do Kongo.
Orientado pelo coordenador do Núcleo das Autoridades do Lumbu e representante da corte real do Kongo, o ritual serviu para pedir aos ancestrais bênçãos, para que a festa decorra sem sobressaltos, bem como desejar boas vindas aos visitantes.

Ministra da Cultura

A ministra da Cultura, Maria Piedade de Jesus, disse que o Festikongo é a reafirmação do país no contexto das Nações através de bens culturais que configuram os vestígios da capital do antigo Reino do Kongo inscritos há dois anos na prestigiosa lista de Património Mundial.
“O FestiKongo convoca todos os parceiros legais para dar corpo a uma experiência particular que põe em evidência todo manancial das expressões artísticas e culturais baseadas no trabalho científico, visando o maior conhecimento deste passado promovendo a história e a cultura na apresentação das tradições da música, dança, teatro, artes plásticas e da gastronomia diversificada do património linguístico”, afirmou a ministra.
Para espelhar a grandeza do acto, o governador provincial do Zaire, Pedro Makita, falou dos arquivos históricos. Disse que reza a história que no Reino do Kongo integrava um vasto território, administrativamente bem estruturado.

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