Opinião

Desemprego um desafio de todos

Os níveis de desemprego constituem, hoje, dos principais desafios do Estado, das instituições, dos parceiros sociais, das famílias e pessoas singulares.

18/03/2020  Última atualização 12H03

Todos julgamos que os indicadores do desemprego, acima dos vinte por cento, são insustentáveis para os propósitos que se colocam no âmbito da diversificação da economia, da geração de riqueza para reinvestimentos e crescimento económico. As instituições ensaiam um conjunto de propostas e iniciativas, pretendem contar fortemente com o papel que deve ser desempenhado pelos seus parceiros e querem ver iniciativas de todos quantos possam ajudar nesta questão. O desemprego é um problema sério para uma franja significativa da população, particularmente aquela economicamente activa, além das perdas elevadas que causa ao Estado, relativamente à renda que deixa de entrar nos cofres do Estado.
Em tempos, um economista e especialistas em Macroeconomia defendia que os níveis de desemprego acarretam ao Estado perdas estimadas em milhares de milhões de dólares quando comparados com o valor e o contributo da força de trabalho hoje desempregada.
Perante este desafio, as atenções concentram-se todas no Executivo e nas suas instituições, uma realidade que chega a fazer algum sentido, mas que requer igualmente alguma desconstrução para a busca de soluções que transcendam aqueles entes mencionados. Não pretendemos desobrigar quem governa da responsabilidade no que ao planeamento e execução de políticas públicas que incidam na criação de postos de trabalho dizem respeito, mesmo por parte dos seus parceiros, mas apenas defender a ideia de que quanto mais abrangente for a visão de que de-vemos todos lutar para isso, melhor. Não são apenas as instituições do Estado que devem ter a responsabilidade da criação de empregos, sobretudo numa altura em que precisamos também de questionar que aproveitamentos se fazem das iniciativas e condições criadas pelo Executivo.
É preciso que as empresas, as cooperativas nas mais variadas áreas, e empreendedores individuais saibam fazer bom proveito do que o Executivo e os seus órgãos proporcionam para a viabilização de projectos.
Há constrangimentos e procedimentos que devem ser corrigidos e reorientados, quer do lado das instituições, eventualmente pelo lado burocrático do seu funcionalismo, quer da parte dos seus parceiros, pela possível falta de savoir-faire, ineficiência ou mesmo inexperiência. Basta ver as estatísticas sobre o número de empresas criadas, sobre aquelas que se mantém e sobre as que "morrem" algum tempo depois de serem criadas, muitas vezes, mesmo com condições para crescimento e expansão. Alguns preferem culpar as instituições do Estado, com os mais variados pretextos, sendo, ainda assim, uma realidade que deve ser acompanhada, analisada e superada para bem de todos.
Nesta fase em que todos, quer as instituições do Estado, quer as empresas e empreendedores, aprendem as melhores vias para fazer crescer os postos de trabalho, a partilha de informações e experiências, a coragem para apontar erros e fazer correcções, a humildade para a busca de ajuda e a determinação para fazer melhor, entre outros factores, devem prevalecer nesta luta contra o desemprego. É preciso que as instituições do Estado estejam determinadas nas reformas que empreendem que, entre outros fins, deverão resvalar para uma gradual e contínua substituição do papel que continua a desempenhar, de uma das maiores fontes de emprego.

 

 

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