Sociedade

“Descobertas” 33 ambulâncias abandonadas há cinco anos

Trinta e três ambulâncias, das quais 22 usadas e 11 novas, abandonadas há cinco anos no Centro Ortopédico e de Reabilitação Polivalente de Viana, foram encontradas, na quarta-feira, durante uma visita-surpresa feita pelo governador de Luanda àquela unidade.

09/08/2019  Última atualização 07H27
Vigas da Purificação | Edições Novembro

Sérgio Luther Rescova teve acesso aos meios de transporte para pacientes no quadro de um programa de visitas a unidades hospitalares de Luanda.
Ao deparar inúmeras ambulâncias abandonadas, o governador de Luanda mostrou-se indignado com a má utilização dos meios que deviam prestar serviço público, mas, infelizmente, encontram-se paradas e sem utilidade nenhuma.
Sérgio Luther Rescova, que considerou grave a situação, ordenou a abertura de um inquérito para apurar as causas que levaram ao abandono das ambulâncias durante cinco anos.
“Encontrámos equipamentos de grande qualidade e de tecnologia de ponta, meios que deviam servir para o serviço médico”, referiu.
Na visita-surpresa, o governador constatou o desperdício de meios de grande utilidade e preparados para o suporte vital básico.
Os responsáveis do Centro Ortopédico Regional e de Reabilitação Polivalente de Viana não assumiram qualquer responsabilidade sobre o assunto, alegando que os meios pertencem ao Instituto Nacional de Emergências Médicas de Angola (INEMA).
“Desconhecemos as razões que levaram ao abandono das ambulâncias. Achámos ser um assunto da responsabilidade do Ministério da Saúde, por ser o órgão competente”, disse o governador.

Hospital do Capalanga

A visita-surpresa estendeu-se ao Hospital do Capalanga, em Viana, onde Sérgio Luther Rescova observou várias anomalias e, prontamente, prometeu fazer chegar às entidades competentes a solução dos problemas.
“As visitas-surpresa enquadram-se nos objectivos do Executivo e servem para constatar o funcionamento e o nível de prontidão da assistência hospitalar às populações, principalmente a nível dos bairros. Foi bom ver algumas situações positivas, mas existem outras que nos preocupam e que devem ser corrigidas”, disse.
Entre as preocupações, o governador apontou as falhas na assistência médica e medicamentosa, tal como insuficiência de técnicos para dar resposta, em tempo oportuno, à procura.
Sérgio Luther Rescova disse que, durante a visita, foi possível registar alguns aspectos que vão servir para reforçar a assistência ao nível primário, atendendo que a malária, doenças diarreicas e traumatismos são consideradas as principais epidemias que assolam a capital.
Na deslocação do governador às unidades sanitárias, o Jornal de Angola constatou que no Hospital do Capalanga há insuficiência de camas, necessitando de mais 100. Há também a ausência de equipamentos para garantir um atendimento mais humanizado.
O hospital dispõe de farmácia, hemoterapia, morgue, serviços de pediatria e bloco operatório. Nesta última área, conta apenas com 36 camas, mas o número de crianças internadas é de 120 por dia, obrigando os doentes a repartir um leito por três.
Na morgue, das seis câmaras existentes, apenas duas se encontram a funcionar.

MINSA conhece há sete anos situação das viaturas do INEMA

O director-geral do Instituto Nacional de Emergências Médicas de Angola (INEMA), José Tiago, disse ontem, em Luanda, que o Ministério da Saúde tem conhecimento da existência das ambulâncias no recinto do Centro Ortopédico de Viana. Acrescentou que há sete anos procura junto da representante da marca Iveco uma estratégia para a recuperação dos meios avariados.
De acordo com José Tiago, das 33 viaturas do INEMA que se encontram no recinto do Centro Ortopédico de Viana, uma parte (cujo número não definiu) está avariada e outras já atingiram o tempo de vida útil superior a nove anos.
Durante uma conferência de imprensa realizada no final da tarde de ontem, no Centro Ortopédico de Viana, na presença do Inspector-geral da Saúde, Miguel de Oliveira, o responsável do INEMA disse que a sua instituição tem reportado, há sete anos, a situação das ambulâncias avariadas ao Ministério de tutela.
“Reportamos todos os dias ao Ministério da Saúde. Há sete anos que trabalhamos com esta situação”, disse José Tiago, referindo que as ambulâncias apresentam vários tipos de avarias técnicas, entre mecânica, eléctrica e de células médicas, principalmente, que estão desestruturadas.
“O Ministério da Saúde realmente está a procurar contactar o representante da marca Iveco, em Angola, de maneira a encontrar uma estratégia para ir recuperando todas estas viaturas que se encontram avariadas”, disse.
José Tiago disse que o INEMA tem resolvido, paulatinamente, algumas situações junto de uma oficina que faz assistência técnica das ambulâncias desde 2007, através da aquisição no exterior de peças, razão pela qual tem mantido a frota funcional há nove anos.

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Sociedade