Reportagem

Descendentes de antigos escravos falam de calvário

Leonel Kassana

Jornalista

Levados para São Tomé e Príncipe em navios negreiros, durante a época da escravatura, milhares de angolanos trabalharam, durante séculos, em condições particularmente degradantes.

06/12/2021  Última atualização 06H10
© Fotografia por: Lourenço da Silva
No que se poderá chamar de reencontro com uma das mais negras páginas da História, o Jornal de Angola foi até ao arquipélago de São Tomé e Princípe, percorrer antigas roças de cana-de-açúcar, cacau e café, para onde, levados em navios negreiros, como escravos, milhões de angolanos trabalharam durante séculos em condições das mais degradantes, que ultrapassam qualquer racionalidade.


Qual delas a mais dramática, ouvimos histórias de famílias de descendentes de escravos, primeiro e, depois, de contratados angolanos, que formaram numerosas famílias e que permaneceram nas dezenas de dependências de roças de maior dimensão, no passado, como as de Monte Café, próximo da cadeia montanhosa da área de Me-Zóchi, Água Izé, junto ao litoral Norte e Rio D’ouro, mais a Sul e que se destacava, também, na produção de cana-de-açúcar, algo que resulta, hoje, numa pequena indústria.


No Monte Café, nossa primeira paragem à descoberta de histórias de angolanos que foram parar a São Tomé, visitámos o Museu do Café, local de visita obrigatória de pesquisadores e outros curiosos. Pudemos perceber todo o processo da produção, recolha e selecção do café, um trabalho rigoroso feito por escravas, que eram obrigadas a entregar diariamente até 30 quilos. Aí faz-se uma viagem pela história do café, mas é um capítulo à parte.


O Monte Café é considerado como uma das mais antigas plantações do também chamado "bago vermelho” em São Tomé e Príncipe, cuja expansão para várias dezenas de dependências teve um grande envolvimento de escravos "comprados” em Angola.
A sua localização geográfica (zona alta) permite a disponibilidade de vastos terrenos para a cultura do café arábica, algo que lhe colocou mesmo na posição cimeira nesse segmento e, também, do cacau.


No passado, foi sede da Sociedade Agrícola Terras de Monte Café e tinha como dependências as roças de São Nicolau, Nova Moca, Saudade, Bemposta, São José, Santa Catarina e outras, cuja força de trabalho era constituída por angolanos, que chegavam à Ilha, em barcos como o Kwanza e moçambicanos, o Sofala.


Para chegarmos até Monte Café, atravessamos várias vilas, como Trindade, essa considerada como uma das principais urbanizações da capital são-tomense e, por isso, sede administrativa do distrito de Mezochi.


Arquitectura do Monte Café
As sanzalas para os escravos ainda hoje mantêm a sua demarcação, nas proximidades do Monte Café, na verdade o centro administrativo e onde se acham as principais infra-estruturas da unidade agrícola, criada no tempo da escravatura. As casas das sanzalas foram feitas em blocos, pelos próprios escravos, também responsáveis pela calçada de pedra e amplas ruas a separá-las.


No Monte Café, foram-nos mostrados os estábulos. Mantêm-se intactos. No passado, chegaram a acolher milhares de bovinos, caprinos, ovelhas, suínos, carneiros e cavalos, cuja alimentação era garantida por escravos, com o corte e transporte diário de capim nas localidades adjacentes ao Monte Café.


No que poderá ser considerada a parte (não poderia ser de outro modo) "nobre”estavam amplas residências do administrador e de outros responsáveis (encarregados). Havia, também, uma capela, hospital (hoje funciona como centro médico).
Até hoje, na roça Monte Café são visíveis varandas alpendradas, as escadas de acesso, as guaritas e o recorte dos vãos, a traduzir soluções primitivas de construção, resistem ao tempo e no tempo.


Na roça, o secador principal é, digamos, uma das obras mais emblemáticas. Para a sua construção, foi empregue apenas madeira. Uma outra estrutura de madeira e que chama a atenção de qualquer visitante estava destinada à estufa e recolha dos tabuleiros de secagem.


Todo esse património do que resta do Monte Café, é preciso dizê-lo, a bem da verdade histórica, não seria possível sem o trabalho dos angolanos trazidos até aqui, como escravos, um "negócio”, que meteu, pelo meio, comandantes locais do exército português, administradores coloniais, o próprio governador, que não dispunha de tropas e mesmo poderosas autoridades nativas.


Há relativos, mais ou menos coincidentes, a apontarem para cerca de 5, 7 milhões de angolanos que terão saído como escravos para irem trabalhar nas plantações de cana-de-açúcar, cacau e café em diversas partes do mundo, no período que vai de 1501 a 1866.


Isso colocou o país como uma espécie de "grande emissor” de mão-de-obra para as plantações de café no além-mar, entre os séculos XV e metade do XIX. São, pois, dados históricos, e traduzem, na plenitude, a demanda por escravos, até a abolição do seu "comércio” em 1836.


 Falam os descendentes
Paulino Umba, tem 85 anos. Sempre trabalhou no Monte Café. Recorda o trabalho difícil das roças, primeiro do cacau e, depois, do café, os "fortes castigos” a que estavam sujeitos os contratados, que ousassem desobedecer a ordem do patrão, que iam desde a violência física, aumento da carga horária, desconto no salário, que já "não valia nada”, ou mesmo cadeia na cidade.


"Aquilo era muito difícil, mas a gente tínhamos que aguentar, muitos acabam por morrer mais cedo devido ao trabalho duro nas roças, onde apanhavam doenças”, afirma, visivelmente triste. Recorda que a jornada de trabalho começava às 5 h 30 minutos, com a formatura e se prolongava até ao fim da tarde, com um intervalo (rápido) para o almoço.


Fala, também, com particular tristeza, dos excessos do inspector-geral da roça, Joaquim Bernardo, inspector do campo, Alexandre Mungondo, inspector Costa e outros com contratados, que eram tratados como se "fossem animais”.


"Na área do cacau eram mais os angolanos e cabo-verdianos que trabalhavam”, esclarece, acrescentando que na falta de mão-de-obra suficiente nas roças, recorria-se aos funcionários da administração, carpintaria e serralharia. "O trabalho não podia parar”.
Hoje, lamenta que a reforma na roça não passe das 600 dobras, algo como pouco mais de trinta dólares.


Aos sete anos, Domingos Calambala, 73 anos, começou a trabalhar "aqui mesmo neste quintal”, limpando com o arco e, no final, recebia "tuta-e-meia”, uma miséria de salário. Ele conta que com 12 anos foi enviado ao mato para trabalhar nas roças de cacau, junto dos mais velhos.


Nascido em São Luís, uma aldeia no distrito de Mé-Zóchi, próximo às  localidades de Chamiço, May e Calaudina, ele conta que aos 14 anos saiu para Milagrosa, uma roça dependente do Monte Café, para trabalhar como criado, com o "Sr. Cardoso” por seis anos.


"A minha avó, chamada Tchipona, dizia-nos que a sua geração veio do Bié, um distrito de Angola, num navio de escravos que demorou muitos dias até chegar a São Tomé e Príncipe”, explica, sem mais detalhes. "Ela (avó) tinha mais informações”.


Revela que aos 20 anos, sempre como criado,  foi à capital, trabalhar com o "Sr. Amaral”, desta vez por cerca de três anos, depois abandonou, devido ao ordenado de miséria. Quando encerrou o acampamento do Monte Café, em data de que já não lembra, a família de Domingos Calambala voltou para a aldeia.


Recorda o trabalho duro e ininterrupto na roça, "com chuva ou com sol”. Sublinha, antes de mostrar o local onde era feita a formatura dos contratados, "cada um com o seu feixe de capim para o gado (bovinos, caprinos, suínos, cavalos e carneiro).


No Monte Café, tem em vida dois outros irmãos, de um total de 11 filhos que gerara a sua mãe. "O caçula tem agora 66 anos”, refere, o homem que possui sete filhos, todos a viver em São Tomé, um caso raro, já que grande parte dos rebentos dos descendentes de contratados estão espalhados pelo mundo fora.


Como que a mostrar traços da sua ancestralidade, recordou algumas palavras em umbundu: "A mai ame ndikuete onjala, noke mai wakopile kepia wa tunenela Okulia tualia  (Mãe, tenho fome, logo ela foi à lavra e  trouxe comida para nós). Numa tradução livre.


Maria de Fátima Canheba Dumbe tem 67 anos. Como seus pais, também nasceu no Monte Café. Tem pouca história para contar, como confessou, mas diz que os seus avôs é que vieram de Angola, como escravos. "Conheci a minha avó, quando eu tinha oito e ela nos contava algumas coisas. Dizia, por exemplo, que veio acorrentada e que os seus pais ficaram lá e não sabia se ainda estavam vivos”, explica.


Quando a avó começava a contar, só chorava, adianta Maria Dumbe, que se recorda ainda, com detalhe, do trabalho com ferrinho, raspando as paredes em baixo de sol ardente, recebendo, como todos os outros contratados, "tuta-e-meia”


A anciã lança um olhar para o Museu do Café, em cuja longa varanda as contratadas eram forçadas a escolher diariamente café, apresentando 30 quilogramas. "Também escolhi café  aqui mesmo”, refere, mostrando preocupação com a pensão de reforma, depois que a empresa passou para outro patrão, na sequência do "25 de Abril”.


Aliás, a questão das pensões de reforma é uma preocupação muito presente em todas as roças por onde passou o Jornal de Angola, nesta (re) descoberta do estado dos descendentes de angolanos levados a São Tomé por altura do que ficou conhecido como comércio de escravos.


Mariana Luísa Rosalina Feka, é outra colega de calvário de Maria Dumbe, de quem é mais velha um ano. A sua família tem origem no Seles, uma região com forte tradição da cultura do café no Cuanza-Sul. Ela tem mais sorte, já recebe a sua pensão de reforma, mas mostra-se desiludida.


Ao Jornal de Angola revelou que ao receber a pensão, lhe foi dito que faltavam oito meses e que os "anos do colono” não contavam. Só depois do 25 de Abril. A sua pensão é de 600 dobras. No primeiro mês, recebeu 8.000, quando contava com pelo menos 15 ou 20 mil dobras pelos anos de trabalho, como alguns mais sortudos.

"É uma injustiça o que estão a fazer com outras colegas, que ainda não recebem a sua pensão. Trabalhámos todas aqui, éramos jovens e nunca saímos, raspámos esse quintal todo, capinámos e fizemos outros trabalhos muito duros”, sublinha Mariana Feka, que já viveu em Angola por 15 anos, residindo no Prenda, atrás do lote 10.

Maria Lúcia está próximo de completar 80 anos. Com muita lucidez ainda, conhece, como poucos, todos os labirintos do Monte Café, ou não fosse ela nascida aí mesmo. Conta que os contratados estavam divididos em sanzalas por nacionalidades (angolanos, moçambicanos e cabo-verdianos) e que muitos depois de cumprirem já não voltaram.

Com nove filhos, divididos entre São Tomé, Portugal e Angola, reparte a mesma história com todas as suas colegas e recorda, sobretudo, os trabalhos na roça. Fala de episódios de violência física para quem abandonasse o trabalho.

Manuela Laura Cambundo Primo, 69 anos, afirma que o seu bisavô trouxe a avó de Angola, no tempo da escravatura e que a mãe trabalhou no Monte Café durante sete anos, em condições desumanas. Contou um episódio em que, farta de maus tratos, a mãe ripostou à agressão do colono, que acabou por partir a cabeça, algo que lhe valeria a prisão por vários meses numa cadeia na cidade de São Tomé.


Escola surgiu  apenas em 1948

Manuel Gugo Santos, é filho de um português com uma tonga (escrava), neta de uma angolana com origem do Bié, chamada Calonga, esta filha de Ana Calonga. Nascido no Novo Destino, uma aldeia no Leste de Príncipe, conta que, no fim do contrato, Ana Calonga regressou, definitivamente, para a sua terra natal, deixando o que chama de "semente”, precisamente a avó, Cecília Calonga, de quem provém a raça dos mulatos na roça Monte Café, a começar por ele.

Manuel Santos explica que a junção dos seus pais deu-se na sequência do regresso, com quatro filhos (dois casais), da esposa para Portugal. "A minha mãe, que era lavadeira, substituiu a esposa do patrão”, adianta, indicando que dessa relação nasceram cinco rapazes e uma menina.

Ele recorda que no Monte Café, só em 1948 é que foi aberta a primeira escola, sendo professor, um angolano chamado Francisco, que leccionava nos dois períodos. No fim do contrato, foi substituído pelo professor Almeida, com quem Manuel Santos terminou a segunda classe, antes de partir para a vila de Trindade (sede administrativa de Mezochi), para concluir o ensino primário.

Com a quarta classe, a intenção de se inscrever para o funcionalismo público não passou disso mesmo por falta de recursos, contentando-se com um emprego como carpinteiro e serralheiro no Monte Café, com um salário inicial de 120 escudos por mês, que subiu, depois, para 360 , até chegar aos 560 escudos, quando ascendeu à categoria de responsável dessas áreas. Um "privilégio” na época, confessa Manuel Santos.


Apesar de nunca ter estado directamente envolvido na actividade do campo, Manuel Santos tem memória das condições particularmente degradantes em que os escravos chegavam, com marcas de correntes e outros sinais de maus tratos nos navios negreiros, as condições de trabalho nas roças e de acomodação nos acampamentos.


"Os antigos escravos angolanos sofreram muito nos campos de produção, vinham em condições muito penosas”, diz, recordando uma puita (dança) de angolanos que dizia "Bampolo kwanza yeateka ko kanuela we” (Barco kwanza quebrou e matou muita gente”.
Explicou que, no final do contrato, aqueles que tivessem filhos deixavam metade para o patrão, como garantia da continuidade da mão-de-obra.


Menos penosa nas roças, foi a vida dos cabo-verdianos, já que chegavam com contrato para trabalhar na agricultura, como revelou Manuel Santos, de 78 anos.
Manuel Basílio nasceu em 1948 no Monte Café e cresceu aí mesmo com a mãe, onde trabalhou. Aos oito anos, foi levado para a capina das roças. Guarda memórias de escravos partindo para as roças. "Às cinco horas, o sino tocava e, depois de tomarem o café, feito num tambor, os escravos iam para a mata, para a apanha do cacau e café.


Monte Café, marco importante
Já vai longo, esse intróito sobre o Monte Café, mas fez-se necessário, pela sua relevância para as peripécias de angolanos, que capturados nas aldeias e povoações, em guerras fomentadas propositadamente ou mesmo em cidades ou pequenas vilas, foram levados para São Tomé e Príncipe, para trabalharem, primeiro nas plantações de cana-de-açúcar e, depois, de cacau e café.

No Monte Café, o Jornal de Angola conseguiu reunir depoimentos de dezenas de descendentes de famílias angolanas, que aportaram em São Tomé e Príncipe, como escravos. Acima dos sessenta anos, são homens e mulheres e todos nasceram nas várias subunidades (dependências), dessa roça, que como se diz mais acima nesta peça, era das mais representativas do país.

Na sua maioria, começaram a trabalhar desde muito cedo (sete anos) no campo ou como criados em casas dos proprietários das roças. Um período que se prolongou até 25 de Abril, com a abolição do contrato nas roças.

Hoje, em São Tomé e Príncipe existe mesmo um grupo étnico que é chamado angolares, cuja origem está ligada ao naufrágio, a Sul da Ilha, de um barco carregado de escravos "despachados” de Angola, na metade do século XVI.

De que vale recordar aos anciãos, locais como, por exemplo, o Museu da Escravatura, uma incontornável instituição cultural de Angola, que guarda a memória do comércio negreiro ou dos quintais onde famílias escravocratas mantinham gente que era apanhada em vários cantos do interior de Angola, antes de serem "transaccionados”.

Do que se recordam, são histórias da travessia penosa de cerca de dois meses do Atlântico, de Angola a São Tomé, para servirem como contratados nas roças de cacau e café das grilhetas ou esferas em ferro, para prender os escravos, a palmatória, para castigá-los, panelas de ferro e outros utensílios durante as travessias do mar.

Enfim, testemunhos, passados sucessivamente de trisavôs para bisavôs, os avôs para os pais dos homens e mulheres descendentes de escravos, com quem tivemos longa conversa no sopé do monte que dá o nome a mais célebre roça da Ilha.

Qual encontro familiar, ouvimos de anciãos e anciãs testemunhos chocantes, com toda gente disponível para contar as suas histórias, mas quase todas coincidentes num ponto: O comércio de escravos e o trabalho nas roças representam uns dos períodos mais negros na história na humanidade. Uns mais que outros, todos falaram das agruras nas roças, exibiram documentos e reclamaram das indemnizações a que julgam terem direito de Portugal pelo trabalho nas roças.

Ainda não é conhecido o número exacto de descendentes de escravos de Angola para a Ilha de São Tomé e Príncipe, mas no Monte Café, na altura da nossa passagem já havia o registo de pelo menos 165. A maioria está muito velha, faz parte da última geração, antes da abolição da escravatura. Nas últimas semanas, pelo menos 16 pessoas morreram, de causas naturais e enfermidades diversas. Clamam, por isso de apoio.

Se Portugal, antiga potência colonizadora, vai indemnizá-los, pelos anos de sofrimento passados nas roças de cacau e café e em que moldes tal será feito, eis a questão que está na ordem do dia.
Se a comparação serve, a Alemanha concordou, por exemplo, em indemnizar os sobreviventes do regime Nazi, retirados do país, quando crianças, com 2.500 euros para cerca de 1.000 sobreviventes, entre os cerca 10 mil, que escaparam do que ficou conhecido como "Kindertransport”, uma gigantesca operação humanitária, para o Reino Unido, para pô-los a salvo das políticas anti-judaicas do regime hitleriano.


Escravos e contratados

Um detalhe: Escravatura e contrato, são a mesma coisa? O docente universitário Filipe Manuel Samba Muhongo, com quem visitámos as várias roças, não poderia ser mais claro: "Escravo é um indivíduo que foi destituído da sua liberdade e que vive em sujeição a alguém que o trata como bem explorável e negociável”. Ele dá, como exemplo, os filhos dos contratados, que ficam com os colonizadores, depois da separação familiar, trabalhando como serviçais.


Já o contrato, diz o professor Samba Muhongo, é " documento jurídico, que legitima direitos. Surgiu devido à pressão britânica para a abolição da escravatura”.
Ponto final no Monte Café. Antes, saiu a puita, os descendentes dos escravos cantaram e dançaram, para o muangolê, a Tafua, uma dança que fala de todos aqueles que um dia foram forçados a deixar a sua terra e que morreram em São Tomé, sem nunca terem regressado.
Fomos, depois, a Água -Zé, uma antiga roça junto ao litoral Norte, com forte presença de descendentes de angolanos.

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