Desporto

“Derrotas afectaram o aspecto psicológico”

Armindo Pereira

Jornalista

O seleccionador nacional sénior feminino de basquetebol, Walter Costa, considerou que o factor psicológico, após derrotas com as similares do Egipto e da Costa do Marfim, estiveram por detrás da oitava posição alcançada por Angola, no Campeonato Africano das Nações, Afrobasket'2021, ganho pela Nigéria, domingo último, em Yaoundé, nos Camarões.

28/09/2021  Última atualização 04H40
Selecção angolana tinha como objectivo chegar ao pódio ou ainda melhorar o quinto lugar © Fotografia por: Santos Pedro| Edições Novembro
Depois das partidas da fase de grupos, com saldo de uma vitória, igual número de derrota para as bicampeãs africanas, Costa revelou que o triunfo sobre Cabo Verde, nos oitavos-de-final, aumentou a crença no seio do grupo em atingir à meia-final.


Na óptica do técnico, o grupo não soube digerir da melhor maneira a derrota com o Mali, nos quartos-de-final (53-74) e de seguida frente ao Egipto (76-82), paras as classificativas do quinto lugar.     


"Após as derrotas com o Mali e o Egipto, o factor psicológico pesou para a melhoria da classificação. Continuou a pairar no subconsciente das atletas as exibições menos conseguidas. Notava-se que elas queriam dar o melhor de si, mas de repente as coisas deixavam de acontecer com naturalidade”, disse.


Coadjuvado por Elisa Pires e Ângela Cardoso, o treinador assegurou que o corpo técnico tentou recuperar psicologicamente as jogadoras mas os esforços foram infrutíferos, pois a equipa continuava sem dar resposta dentro da quadra, daí que na última partida, diante da Costa do Marfim (57-62), voltou a averbar a quarta derrota.


"Senti que o clima no grupo ficou muito pesado. Procurei trabalhar nisso mas ainda assim houve uma resistência. Creio que a Selecção Nacional vai aparecer melhor nos próximos compromissos, para tal vai ser necessário rever a estrutura interior da equipa”, disse Walter Costa.


No entanto, o treinador não escondeu a frustração pelo facto de ter falhado os objectivos que passavam por chegar ao pódio ou melhorar o quinto lugar. Razão pela qual pede desculpas aos aficionados da modalidade.


"Assumo que esta não é a posição de Angola, quero aproveitar e pedir desculpas aos angolanos por não termos cumprido. Demos o melhor mas foi insuficiente. Espero que nos próximos compromissos possamos ter mais tempo para nos preparamos”.


Na opinião do antigo internacional angolano, Herlander Coimbra, a Selecção abordou mal os jogos para as classificativas. "No desafio derradeiro, diante da Costa do Marfim, vimos uma equipa que começou a perder nos primeiros momentos, embora conseguisse aproximar-se e empatar o jogo a 51 pontos. Minutos depois passou a liderar por dois pontos, mas não conseguiu encontrar soluções para dilatar o resultado”, disse.


As perdas de bola foram igualmente, apontadas pelo analista da modalidade, aliada às tomadas de decisões precipitadas, situações aproveitadas pelas adversarias: "assis-tiu-se a um cenário semelhante ao das partidas anteriores que resultaram na capacidade de respostas das nossas jogadoras”.    


Com os três títulos seguidos, a Nigéria igualou o feito do Senegal de 1974 a 1981.     
Depois de conquistar o segundo título, em Ma-puto'2013, o "cinco” nacional quedou-se, dois anos depois, na quarta posição em Yaoundé, acentuando, a partir daí, o declínio com o sétimo lugar, no Africano de 2017, na capital maliana, Bamako.


Em 2019, na cidade de Dakar, Senegal, o "cinco” nacional subiu dois degraus na classificação geral, a ocupar a quinta posição. Este ano, no regresso aos Camarões, seis anos depois, Angola obteve a pior prestação dos últimos dez anos.

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