Política

Depreciação sem repasse sobre preços e a inflação

A reforma cambial introduzida em Janeiro, com a qual o BNA flexibilizou o cálculo da taxa de câmbio e permitiu a flutuação do kwanza, conduziu, até ao último leilão, na semana passada, a uma depreciação da moeda nacional em 44,79 por cento face ao euro e de 42,22 em relação ao dólar.

26/09/2018  Última atualização 07H25
Eduardo Pedro | Edições Novembro © Fotografia por: Preços já não são calculados com a taxa do câmbio informal

O traço principal dessa reforma reside num paulatino processo de convergência entre a taxa de câmbio formal e a informal que, de acordo com o ministro de Estado coordenador do Desenvolvimento Económico e Social, Manuel Nunes, resultou numa redução do “spread” entre as duas taxas de 150 por cento em Janeiro, para apenas 19 por cento este mês.
A principal indicação de que esta reforma está a ser bem-sucedida é encontrada no facto da acentuada depreciação da moeda nacional não ter sido repassada para os preços, acelerando a taxa de inflação.
A explicação para esse desenvolvimento está nos baixos índices de confiança que a anterior taxa de câmbio induzia no mercado, levando os agentes económicos a calcularem os preços com base no câmbio do mercado negro, uma opção a que não se atrevem agora, dada a combinação estabelecida entre a reforma cambial e uma política  monetária restritiva, quando os meios de pagamento são escassos. Diga-se que é a gestão da liquidez que tem permitido que a depreciação do kwanza não tenha reflexo sobre os preços.

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