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Democratas e Republicanos disputam lugar no Senado

O último assento do Senado norte-americano por atribuir nas eleições intercalares é decidido hoje, numa segunda volta renhida no estado da Georgia, entre o Democrata Raphael Warnock e o Republicano Herschel Walker.

06/12/2022  Última atualização 06H56
Assento do Senado norte-americano © Fotografia por: DR

Apesar de o controlo do Senado já não estar em aberto, esta segunda volta extremamente competitiva na Georgia tem implicações nacionais, já que os Democratas tentam solidificar o seu domínio na câmara alta do Congresso.

Além disso, o resultado de hoje também será um teste à recém-lançada campanha presidencial de Donald Trump para 2024, uma vez que o ex-Chefe de Estado declarou abertamente apoio a Herschel Walker.

A Geórgia viu-se obrigada a ir novamente a eleições depois de nenhum dos candidatos ter atingido a marca de 50% nas eleições intercalares de 8 de Novembro.

O senador em exercício, o reverendo Democrata Raphael Warnock, enfrentará novamente a ex-estrela de futebol americano Herschel Walker, desta vez numa votação sem um terceiro candidato. Os últimos dias de campanha centraram-se em debates sobre questões de raça, classe e poder, neste estado com um papel fundamental na política norte-americana.

Durante o fim de semana, Warnock teve a agenda mais pesada dos dois candidatos, tendo estado presente em seis eventos em várias cidades e feito o seu último sermão antes do sufrágio, na Igreja Baptista Ebenezer, onde disse aos paroquianos que "votar é uma forma de oração".

Em comícios repletos de apoiantes enérgicos, Warnock concentrou-se em promover as vitórias políticas dos Democratas e a sua disposição para trabalhar com os Republicanos. O reverendo procurou mobilizar os eleitores afro-americanos, asiáticos, latinos e brancos da classe trabalhadora que, há dois anos, o levaram à sua primeira vitória na corrida para o Senado.

A seu favor, Warnock tem o facto de ter dominado as angariações de fundos e, consequentemente, os gastos em publicidade.

Já Walker, perseguido por escândalos e gafes, compareceu em dois eventos: um em Atlanta, antes de um jogo de futebol americano da Universidade da Georgia, onde não se pronunciou, e um comício de domingo em Loganville, onde fez um forte apelo final ao voto.

Com um perfil controverso, Walker, um protegido de Trump, é um ex-atleta de futebol americano que foi duramente criticado na campanha para as intercalares após ter feito campanha contra o aborto, apesar de duas mulheres o acusarem de ter pago as suas interrupções de gravidez.

Até ao momento, foram realizadas poucas sondagens sobre esta segunda volta, mas um levantamento feito pela CNN e divulgado na sexta-feira mostrou Warnock com uma vantagem estreita sobre Walker, 52% contra 48%, respectivamente.

Ambos os candidatos esperam um resultado próximo na eleição de hoje, num estado bastante dividido. Warnock obteve cerca de 37 mil votos a mais do que Walker na eleição de 8 de Novembro. No entanto, o Democrata ficou aquém da maioria, o que exigiu esta segunda volta.

A eleição deste ano traz um cronograma mais reduzido face a 2020, com a segunda volta a ocorrer apenas quatro semanas após as intercalares, graças à nova lei eleitoral da Georgia. Em 2020, a segunda volta ocorreu dois meses após as eleições de meio mandato.

Os eleitores na Geórgia podem votar de três maneiras: por correio, pessoalmente durante a votação antecipada e pessoalmente no dia da eleição.

De acordo com a imprensa norte-americana, mais de 1,8 milhões de georgianos já votaram antecipadamente, 26% menos do que haviam votado na primeira volta, quando a participação tende a ser maior.

Contudo, esse ritmo supera os recordes anteriores estabelecidos por eleitores que votaram nas segundas voltas em 2018 e 2016.

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