Economia

Degradação dos acessos causa desabastecimento

Uma flagrante falta de combustíveis assola Saurimo há um mês, atribuída por operadores do mercado à degradação da estrada que liga esta cidade a Malanje e ao Luena, elevando o preço da única oferta disponível no mercado informal, em mais de 80 por cento.

19/06/2019  Última atualização 12H42
Contreiras Pipa | Edições Novembro © Fotografia por: Postos de abastecimento de Saurimo não conseguem formar stocks de combustíveis

Revendedores oferecem bidões de 20 litros de gasolina a seis mil kwanzas e a mesma quantidade de gasóleo a cinco mil, à razão de 300 e de 250 kwanzas por litro, quando o preço oficial estabelecido é de 160 e 135 kwanzas, constatou o Jornal de Angola.

Os revendedores alegam a seu favor os encargos suportados com o transporte de combustíveis disponíveis a preço oficial no Moxico e o risco em que incorrem ao manipular produtos inflamáveis.
Automobilistas contactados pela nossa reportagem acusam os gestores dos postos de abastecimento de “gestão incentivada pela corrupção”, dando primazia a revendedores ambulantes e outros que procuram enriquecimento fácil, o que dizem acontecer, por debilidades na fiscalização.
A gerente do posto afecto à Sonangol do Muatchisengue, Leonora Filipe, considerou que a principal causa da escassez é mesmo a degradação da via entre Saurimo, Malanje e Luena, que dificulta a manutenção de stocks, com o que adoptou uma proposta de limitação de quantidade nas vendas para atender o maior número possível de clientes.
Outra alegação dos consumidores é a de que os postos de abastecimento passaram a preferir atender clientes com bidões pelos benefícios que podem obter, mas Leonora Filipe minimizou o reparo, considerando que “nem todos adquirem o produto nas bombas, por existirem outras fontes que os fornecem os produtos”.
A operadora defendeu, entretanto, rigor no cumprimento de critérios de gestão definidos em circunstâncias como essa, até porque, por incumprimento de cláusulas contratuais e acumulação de dívida sobre os carregamentos da Sonangol, quatro concessionários locais perderam as licenças dos postos de abastecimento implantados na cidade de Saurimo.
A crise de combustível também mereceu atenção especial do governador provincial da Lunda-Sul, Daniel Neto, que durante um encontro com operadores que actuam no domínio dos combustíveis e derivados pediu rigor na aplicação de normas de vendas, criticando a apetência pelo lucro fácil.
Em resultado da crise, um grupo de 11 camionistas idos de Luanda estacionaram as viaturas junto às bombas da Pumangol na área de Candembe, ponto de acesso à cidade, onde aguardam por uma oportunidade de abastecimento para só depois regressarem a Luanda.
Os 11 fizeram entregas de mercadoria em Saurimo, mas foram apanhados pela crise, sendo forçados a prolongar a estadia naquela cidade, sendo também forçados a gastar os parcos recursos financeiros de que dispõem para aguentar a espera.
Entre eles está o camionista António Sebastião, que faz da cabine do veículo que conduz a sua casa, utilizando um fogareiro à carvão para confeccionar as refeições, o que faz com ajuda de dois ajudantes.
Apesar da gasolina e gasóleo, a escassez atinge o gás de cozinha, com os revendedores autorizados Alfredo Muacandala e Domingos Simão a valorizarem os sucessivos apelos da população, na vigilância e colaboração com os serviços de inspecção e fiscalização, para que os munícipes estejam no centro da atenção durante o processo de vendas quer do gás, gasóleo, gasolina e outros derivados do petróleo nos postos da cidade e arredores.

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