Cultura

Defensor da Língua Gestual

Bruno Ricardo Rodrigues ficou órfão de pai e mãe quando tinha 11 anos e três anos depois perdeu a audição. Por conta disso viveu imensas adversidades.

16/01/2022  Última atualização 08H25
Bruno Ricardo Rodrigues é docente de Teologia © Fotografia por: DR
 Mas nunca abrandou o processo da sua formação, lutou contra tudo que pudesse dificultar a realização dos seus sonhos, sendo um deles ser jornalista e formador em Linguagem Gestual, segundo diz, "para que esta linguagem seja valorizada e respeitada”.

Hoje com 28 anos, Bruno Ricardo Rodrigues ainda vai, com dedicação e determinação, atrás dos seus sonhos. Bacharel em  Teologia, é formado em Ciências da Educação. Formador em Linguagem Gestual, o docente tem dado provas de ousadia, sendo um símbolo e um exemplo para as gerações mais novas da comunidade dos surdos e mudos.

Natural da província do Huambo, Bruno Rodrigues ganhou cedo a paixão de ensinar e partilhar os seus conhecimentos de linguagem gestual com os jovens com talento para anunciar a palavra de Deus. Mesmo com dificuldade de audição nunca desistiu da sua formação, e nem excluiu a comunidade dos deficientes da fala e os surdos. Sempre sonhou ser docente e jornalista.

Caçula dos três filhos do senhor Flói de Caio Rodrigues, que foi militar das FAA, e da senhora Judith Fernando Rodrigues, funcionária pública, ambos em memória (falecidos), Bruno Rodrigues fez o ensino médio na Escola do Ensino Especial  na província do Huambo. Em 2018 concluiu o bacharelato em Teologia.

Ele que em 2007, aos 11 anos, perdeu a audição, enfrentou imensuráveis dificuldades no seu percurso de vida. Ficou traumatizado. Mas Bruno Rodrigues soube manter-se em pé e é, hoje, um exemplo de superação: nunca pensou em abandonar os estudos. E está numa luta sem tréguas para resgatar os valores da Língua Gestual, uma demanda em que tem contado com a ajuda  da família e da igreja.

"Confesso que não foi fácil ultrapassar isso, ainda mais sem os pais em vida... fui crescendo, mas nunca deixei de prestar atenção à formação e aos conselhos das pessoas que me amam e me motivam a crescer na vida, como ser humano digno de confiança”, lembrou.

Acabou por radicar-se em Luanda, com o objectivo de ficar mais próximo da família, cujo núcleo entretanto se adiantara a viver na capital, e também para partilhar os seus conhecimentos e experiências sobre a cultura da comunidade de pessoas com deficiência de audição. Bruno hoje é docente de Teologia e transmite os ensinamentos bíblicos a pessoas com deficiência auditiva, através da comunicação gestual. 

Sonha ser jornalista para transmitir a Língua Gestual ao mundo. Quer trabalhar na media como profissional. "Conhecer a diferença não é elogiar a desigualdade. Temos o direito de ser diferentes, mesmo que a igualdade nos descaracterize. Temos o direito de ser iguais, mesmo que a diferença nos inferiorize”, frisou. O seu estilo de vida é pautado pela leitura. Está sempre atento às actividades didácticas, motivado a tirar o maior aproveitamento da vida académica.


Partilhar os conhecimentos

Tendo feito o ensino médio em Ciências da Educação no Huambo, Bruno Rodrigues  faz questão de partilhar os seus conhecimentos com  mais de 50 formandos, entre crianças, adolescentes, jovens e adultos, na Segunda Igreja Baptista, no Zango, em Luanda.

Em 2014 foi convidado a participar no primeiro seminário de capacitação bilingue para os professores do Ensino Geral, realizado pelo Ministério da Educação, na província do Huambo, e posteriormente em Luanda, no Cazenga, na Feira Nacional e Amostra do Sistema da Educação.

Em 1998, aos cinco anos, Bruno Rodrigues frequentou o ensino primário na Escola número 111, no Bairro Benfica, no Huambo. Foi em casa dos seus tios e avós que  recebeu uma boa educação, tendo contado sempre com o apoio da família e de outras pessoas próximas.  No entanto, ele faz questão de dizer que "se não fosse o plano de Deus” não suportaria nem a metade do que já suportou na vida.

"Com a morte dos meus pais, a minha infância e adolescência foram muito agitadas e tristes. Confesso que não foi fácil ter passado pelo que vivi na época, mas graças a Jesus hoje sou uma pessoa muito feliz”, garantiu. 
 
Segundo Bruno Rodrigues, o ano de 2017 é o que mais o marcou. E porquê? "Porque é o ano de  sucesso na minha carreira estudantil e ministerial. Com muita reverência considero-o um ano de grandes oportunidades”.

Vasco Guiwho |

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