Política

Defendida governação participativa e inclusiva

Edna Dala

Jornalista

O embaixador de Angola na Etiópia e representante permanente junto da União Africana, Francisco da Cruz, considerou fundamental a adopção de uma governação mais participativa e inclusiva, que contribua para a promoção de uma cultura nacional de paz.

19/07/2021  Última atualização 05H15
Francisco da Cruz apelou para uma adesão plena aos princípios dos Direitos Humanos © Fotografia por: Santos Pedro| Edições Novembro
Ao falar sobre a importância estratégica da Bienal da Paz de Luanda,  que acontece de 4 a 8 de Outubro deste ano, na XXVI reunião ordinária do Conselho de Ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Francisco da Cruz referiu que esse exercício deve ser complementado com a adesão plena aos princípios e padrões internacionais de Direitos Humanos, combate à corrupção e à impunidade em África.

O diplomata destacou que a experiência tem provado, em particular no contexto africano, que a preservação da paz não depende só de acordos políticos, económicos ou militares mas, sobretudo, do engajamento activo, profundo e patriótico dos cidadãos de um país, unidos na sua diversidade social, religiosa ou partidária.

"A cultura de paz, com o seu conjunto de valores, atitudes e comportamentos que reflectem o respeito pela vida, pelo ser humano e a sua dignidade,  deve ser divulgada e praticada por todos e por cada um dos Estados africanos", sublinhou.
Segundo Francisco da Cruz, Angola, como um país que viveu décadas de violência e divisões antes de alcançar a unidade e estabilidade nacional, em 2002, defende a paz como um processo abrangente e dinâmico que exige relações não violentas entre os Estados, bem como entre o Estado e os cidadãos, indivíduos, grupos sociais e o ambiente.

A cultura de paz, disse, condena a violência em todas as suas formas e promove a adesão aos princípios de liberdade, justiça, solidariedade e tolerância.

"Vivemos num mundo cada vez mais globalizado, de desafios interdependentes entre nações e povos, no qual os esforços diplomáticos para a preservação da paz e da estabilidade dentro do espírito de multilateralismo nunca foram tão prementes e relevantes para o futuro da Humanidade como agora”, lembrou.

O embaixador acrescentou que, embora o conflito seja uma das forças motrizes da mudança social e um elemento essencial na evolução das  relações humanas, a sua gestão requer compromissos nacionais cada vez mais cuidadosos e inclusivos.
 
Participação dos países da CPLP

O representante permanente junto da União Africana apelou a participação activa dos Estados-membros da CPLP na Bienal de Paz de Luanda. "Contamos com a participação dos Estados-membros da CPLP na 2ª edição da Bienal de Luanda, para a promoção de uma cultura de paz em África, base fundamental para a plena realização da cidadania de cada um no continente", disse.

A Bienal de Luanda, explicou,  pretende promover, de forma permanente e firme, a rejeição inequívoca, individual e colectiva das divisões e da violência que tem afectado, com consequências políticas, económicas e sociais graves, muitos países em África, em particular na região dos Grandes Lagos, colocando em causa o objectivo estratégico de se silenciar as armas no continente.

 Francisco da Cruz informou que a preparação da 2ª Bienal de Luanda está devidamente alinhada ao tema deste ano da União Africana "Artes, Cultura e Património, alavancas para a edificação da África que almejamos".

Este facto, disse, poderá criar mais oportunidades para Angola continuar a avançar com uma agenda Panafricana que inclua, em particular, um incentivo aos programas de educação para a paz, tolerância e diversidade que tenham um impacto efectivo e abrangente no seio das crianças e dos jovens no continente.

Garantiu que o Governo angolano já criou todas as condições para que a II edição da Bienal de Luanda seja mais uma oportunidade para a celebração do tema do ano de 2021 da União Africana.

A grave crise económica e social, agravada pela pandemia da Covid-19, disse, tem contribuído para o aumento de conflitos políticos, intolerância religiosa, étnica e cultural, a radicalização e extremismo violento e a fragilização das instituições do Estado, facilitando as acções de instabilidade e de terrorismo em África, o que justifica a procura de soluções pragmáticas.

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