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Declarações de Macron deixa Argel e Paris de costas viradas

A Presidência argelina condenou, ontem, as declarações atribuídas ao Presidente francês, Emanuel Macron e expressou "rejeição categórica" do que considera "interferência inadmissível nos seus assuntos internos".

04/10/2021  Última atualização 04H20
França anunciou que vai reduzir de forma drástica número de vistos a cidadãos argelinos © Fotografia por: DR
"Na sequência das declarações não refutadas, que muitas fontes francesas atribuem pessoalmente ao Presidente Macron, a Argélia expressa a  rejeição categórica da interferência inaceitável nos seus assuntos internos", disse a Presidência argelina numa nota, citada, pela AFP.


Segundo o diário "Le Monde", Macron terá descrito, na quinta-feira, o país, como um "sistema político militar" com uma "história oficial reescrita" durante um encontro com descendentes de figuras proeminentes da guerra de Independência argelina.

Perante esta situação, o Presidente argelino, Abdelmedjid Tebboune, decidiu chamar o embaixador argelino em França para consultas, poucos dias depois de o diplomata francês em Argel ter sido chamado, na sequência da decisão de Macron de reduzir drasticamente o número de vistos concedidos a cidadãos da Argélia, Tunísia e Marrocos.

Numa declaração, Argel salientou que "as palavras em questão são um ataque intolerável à memória de 5.630 mil  corajosos mártires que sacrificaram as suas vidas na sua heróica resistência à invasão colonial francesa, bem como na Gloriosa Revolução de Libertação Nacional".

"Os crimes da França colonial na Argélia são inúmeros e satisfazem as definições mais exigentes de genocídio contra a Humanidade. Estes crimes, que não estão sujeitos a qualquer estatuto de limitações, não podem ser sujeitos a manipulações ou interpretações mitigadoras", sublinhou Argel.

Na linha deste argumento, Argel lamentou "a propensão dos nostálgicos da Argélia da época francesa e dos círculos que se resignam relutantemente à plena independência para tentar esconder com acrobacias verbais e atalhos políticos os abusos, massacres, bombardeamentos, destruição de aldeias e erradicação de tribos resistentes, que constituem genocídio".

"Esta lamentável intervenção, que contradiz os princípios que devem reger qualquer cooperação argelina e francesa em matéria de memória, tem o defeito incorrigível de promover uma versão diluída do colonialismo, em detrimento da visão estabelecida pela história", acrescentou.

 
Emissão de vistos

Na sexta-feira, a França anunciou que vai "reduzir drasticamente” o número de vistos concedidos a cidadãos argelinos, marroquinos e atinisinos, acusando as ex-colónias de não fazerem o suficiente para permitir o regresso de imigrantes ilegais.

"É uma decisão drástica e sem precedentes, mas tornada necessária pelo facto de esses países se recusarem a aceitar de volta cidadãos que não queremos ou não podemos manter em França", disse Gabriel Attal.

A AFP relatou, pela primeira vez, a restrição aos vistos, na passada terça-feira, dizendo que o Presidente Macron tomou a decisão um mês atrás, após esforços diplomáticos fracassados com os três países do Norte de África.
A imigração está a transformar-se numa questão chave na eleição Presidencial francesa do próximo ano, quando Macron enfrentar novamente a líder de extrema-direita, Marine Le Pen.

De acordo com a AFP, citando dados da Administração, Macron ordenou que o número de concessão de vistos para a Argélia e Marrocos seja reduzido pela metade em relação aos níveis de 2020, e por um terço para a Tunísia.

Afirmou que, no caso da Argélia, os tribunais franceses rejeitaram 7.731 pedidos de visto nos primeiros seis meses deste ano, mas como os passes consulares não foram concedidos, apenas 22 indivíduos foram expulsos do território francês. 

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