Entrevista

De Benguela para o Brasil: o maior influencer angolano

JA Online

O Jornal de Angola Online esteve à conversa com o maior influencer angolano, Baptista Miranda. Em entrevista exclusiva, o produtor de conteúdos respondeu às perguntas colocadas e dissipou certos "mitos". Quando elaborámos esta matéria, o jovem criador de conteúdos tinha 1,4 milhões de seguidores, no Tik Tok, o que daria para ultrapassar o número de habitantes de Essuatíni, a antiga Suazilândia. Actualmente tem 1,5 milhões de seguidores.

05/08/2022  Última atualização 15H45
© Fotografia por: Cedida

O que o levou a ser produtor de conteúdos em 2018?

 

Na verdade, comecei em 2017, mas infelizmente nesse mesmo ano perdi o meu primeiro canal. Em 20 de abril de 2018 criei este canal, por intermédio de um amigo meu, chamado Edjoy, que na altura já fazia vídeos no Youtube e foi aí que resolvi criar o canal para seguir os passos dele.

 

Quando é que nasceu o interesse em produzir conteúdos para um público-alvo diferente do habitual - Angola/Brasil?

 

O ano era 2019, esse foi o ano em que o público brasileiro começou a acompanhar o meu conteúdo no Youtube. Foi então que comecei a fazer conteúdos na rua, fazendo perguntas aos angolanos sobre o que é que achavam dos brasileiros e como este tipo de conteúdo na altura era muito bem recomendado, então passei a fazê-lo e vi que a maioria do público era estrangeiro, então surgiu a ideia de fazer conteúdo mais voltado para eles.

 

E quando é que deu conta de que queria fazer conteúdos sobre o Brasil, e como foi para si dar de caras com outra realidade, era tudo o que sempre imaginou ou era diferente?

 

Dei conta quando vi que a maioria das pessoas que me apoiavam eram brasileiras, mesmo antes de fazer conteúdos para eles, fazia conteúdos voltados para o público angolano e não via resultado, foi por isso que pensei em fazer algo diferente ao mudar de conteúdo e de foco para um público que me dava a atenção na altura, o público brasileiro. Cá no Brasil, a realidade é muito diferente do que aquela que imaginava, e neste tempo e meio que estou aqui já aprendi muita coisa e vi que em Angola ainda falta, bastantes coisas para ser um mercado bastante grande. 

 

Como é que sente que os Benguelenses olham para si? Sente-se por eles reconhecido como um filho da terra? 

 

Muita gente em Benguela não sabe da minha existência, mas o pouco de pessoas que entram em contacto comigo pelas redes sociais, demonstram o quanto estão orgulhosas e felizes por eu ser de lá. E, sim, sinto que me reconhecem como um filho da terra. 

 

Como é para si saber que sendo alguém de Benguela, conseguiu ter mais destaque do que muitas pessoas que estão em Luanda, na capital, onde à partida há mais oportunidades?

 

Sinto-me muito feliz, de verdade, em saber que consegui talvez tirar a ideia de que só se pode fazer sucesso caso sejas da capital. Fico ainda mais feliz em poder dizer que sou de Benguela, uma província cheia de talentos que infelizmente não vistos porque a maioria das cadeias televisivas está em Luanda. Ficarei muito feliz, não sei se daqui três ou cinco anos, as pessoas das demais províncias também consigam realizar os seus sonhos e objectivos através da internet. 

 

Hoje, a internet já vai tendo maior espaço para chegar à nossa população, mas o meio digital e o mundo das redes sociais no nosso país, ainda está numa fase de transição e de desenvolvimento, como é para si estar no epicentro dessa transformação?

 

Estar no epicentro dessa transformação faz-me ver o que muita gente ainda não viu, e faz-me acreditar realmente que a internet é o novo método de trabalho para muita gente e que hoje as pessoas o respeitam como uma profissão. 

 

Disse recentemente numa entrevista ao Maurício Meirelles, que o Brasil é como Hollywood na percepção dos angolanos que olham com admiração para as estrelas brasileiras. Crê que um dia Angola também poderá significar o mesmo para os brasileiros e poderemos exportar mais os nossos conteúdos para lá?

 

Angola já está a ser valorizada pelos brasileiros, já conhecem os nossos memes e têm acesso a vários memes novos, o que realmente falta é que nós pensemos em grande, e que tentemos fazer mais e ainda melhor os nossos conteúdos para chamar mais a atenção dos brasileiros.

 

Os seus fãs fazem bandas desenhadas ou desenhos seus como "Capitão Angola", como nasce essa identidade, e o que é que representa na verdade e na sua essência?

 

Essa identidade nasceu por conta de fazer vários vídeos relacionados a Angola e ao Brasil num tom humorado, sempre a valorizar o meu país. Na verdade, para mim, o personagem, "Capitão Angola", representa muito o que sou, alguém que faz humor com qualquer coisa e com o personagem, sem perder a alegria, mesmo em momentos difíceis. 

 

Tendo 20 anos, existem vários jovens a começar, muitos a inspirar-se em si, que conselho daria se tivesse a oportunidade de falar com eles, sendo que muitos também partem de um contexto como o seu ou diferente do seu?

 

Uma frase que para mim também era bem clichê, e que não ligava muito é: "Nunca Desistas e acredita sempre em ti", sei que no início é bem difícil, às vezes somos nós que acreditamos nos nossos sonhos, vai haver pessoas que não vão valorizar os teus vídeos ou o teu trabalho, mas uma coisa que digo e aconselho a colocarem na cabeça é o seguinte: "Se fosse fácil não teria nenhuma graça e todo mundo iria conseguir", por isso continua a fazer o teu mambo, persistência será sucesso."

 

Como gostaria de ser lembrado em Angola, e o que gostaria de ver acontecer no meio do universo digital e de produtores de conteúdos?

 

Em Angola, gostaria de ser lembrado como o Benguelense que conseguiu fazer sucesso sem ter visibilidade. Vou falar mais do Youtube, para os meus irmãos angolanos, acreditem no Youtube, criem conteúdos para o Youtube.

 

Quem são os novos influencers, ou os criadores de conteúdo angolanos que acha que merecem ter uma maior projecção e que precisam de ser notados, mas não são? 

 

O Edjoy Morais, que é Youtuber, o Quaresma Júnior que é Tik Toker e o Leonardo Ceita que é Youtuber. 

 

Qual é o seu maior sonho, depois de concretizado um deles, que era o de chegar ao Brasil?

 

Quero construir a casa da minha mãe tal como prometi, também quero dar uma vida melhor aos meus irmãos e ter boas condições ao ponto de ir ao supermercado e poder dizer aos meus irmãos escolham o que quiserem. 

 

Até onde pensa poder chegar a produzir conteúdos. Acredita que já é possível ganhar dinheiro para quem queira tentá-lo fazer a partir de Angola, ou ainda pensa que não dá para fazê-lo dado os obstáculos estruturais e condições existentes em solo nacional?

 

Sou a prova viva de que dá sim para ganhar dinheiro na internet sendo criador de conteúdos em Angola, apostem no Youtube e façam conteúdos para o Youtube, volto a dizer. 

 

Uma última pergunta, o que é que gostaria de dizer aos leitores que ficaram a conhecer um pouco mais da sua história e talvez a estar mais próximos de entender mais acerca de quem é Baptista Miranda?

 

Gostaria de agradecer a todo mundo que sempre acreditou em mim, principalmente aos meus amigos do prédio branco que desde o início ajudaram-me com esta loucura, e em meu nome e em nome da minha equipa, queremos agradecer ao JA Online por esta entrevista. 

 

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Entrevista