Sociedade

Dadores acusados de vender sangue a famílias de doentes

Manuela Gomes

Jornalista

Muitos cidadãos que chegam aos serviços do Instituto Nacional de Sangue (INS), na condição de dadores voluntários, estão a ser acusados de vender o produto a familiares de doentes internados nas unidades hospitalares de Luanda.

15/07/2021  Última atualização 08H00
Efectivos da Polícia Nacional doaram sangue, no quadro das acções da componente social da corporação © Fotografia por: Vigas da Purificação | Edições Novembro
A denúncia foi feita, ontem, pela responsável do Departamento de Promoção da Dádiva do referido organismo, Preciosa Lourenço.A responsável explicou que esses supostos voluntários abordam, à porta do INS, as pessoas aflitas pelos familiares internados a necessitar de uma bolsa de sangue, com as quais fecham o negócio.
"Esta prática tem sido recorrente e, nós, Ministério da Saúde, em particular o INS, queremos lutar contra esse grande mal, porque não vão ao encontro às nossas leis e bons costumes”, disse a chefe de Departamento, no termo de uma campanha de doação de sangue de efectivos da Polícia Nacional.
A médica chamou a atenção aos familiares de pacientes para evitarem fomentar essa prática, principalmente por estarem a envolver instituições que são contra a venda de sangue, como é o caso do Ministério da Saúde."O INS não é uma unidade de venda de sangue. Esta prática é criminosa, pois, o sangue deve ser dado de forma voluntária e altruísta, ou seja, não remunerada”, reiterou Preciosa Lourenço.
A responsável considerou de preocupante os níveis de escassez nos stocks de sangue do INS, com algum realce na época em que os casos de malária no pais são cada vez mais crescentes. Acrescentou que "a situação é mais complexa por o Instituto ser o único que abastece as 18 províncias”.
Sobre a campanha de doação, que reuniu mais de 50 efectivos da Polícia Nacional, a chefe de Departamento de Promoção da Dádiva do INS considerou que a acção vai ajudar a suprir as necessidades de unidades como os hospitais Pediátrico David Bernardino, Josina Machel e Américo Boavida e o Centro Nacional de Hemodiálise.
Da campanha, que envolveu efectivos do Comando da Polícia de Intervenção Rápida (PIR), da Escola de Polícia e de outras direcções da corporação, o INS conseguiu de cada efectivo 450 mililitros.Quanto às necessidades, Preciosa Lourenço referiu que os grupos sanguíneos do tipo Negativo (0) são os mais raros. "Ultimamente, está complicado encontrarmos esses dadores”, avançou ao reconhecer que há grande carência neste aspecto.
 Mais de 20 transfusões/dia
A chefe de Departamento do INS revelou que, todos os dias, o Hospital Josina Machel faz mais de 20 transfusões em doentes de todos os grupos sanguíneos.Preciosa Lourenço realçou que naquele estabelecimento hospitalar, as áreas do Banco de Urgência, Medicina Interna e de Cirúrgia são as que mais bolsas de sangue necessitam.
A vice-presidente da Rede da Mulher Polícia, Ana Isabel Santana, considerou que a campanha, enquadrada na componente social daquele órgão do Ministério do Interior, vai continuar, para que a instituição possa ajudar a salvar mais vidas.Ana Isabel Santana apelou aos efectivos que não são, ainda, dadores para o serem. "Hoje, somos nós a doar, mas amanhã podemos ser nós a precisar receber”, rematou a responsável.

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