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Cyril Ramaphosa minimiza efeitos do desaire eleitoral

O Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, minimizou, quinta-feira, o revés histórico sofrido pelo Congresso Nacional Africano (ANC) nas eleições municipais da semana passada, dizendo que o partido no poder desde o fim do apartheid ainda tinha a maioria.

13/11/2021  Última atualização 07H10
Líder do ANC diz que o seu partido mantém a maioria © Fotografia por: DR
De acordo com os resultados oficiais, o ANC obteve 46 por cento dos votos, o que é de longe o pior resultado para o partido de Nelson Mandela desde as primeiras eleições democráticas em 1994.

"A realidade é que o ANC ainda é, por uma larga margem, a maior organização política popular no país”, disse Cyril Ramaphosa, citado pela Efe durante uma reunião do partido pós-eleitoral em Soweto.

 "Não estamos desanimados com os resultados porque não fomos derrotados. Não estamos desanimados”, acrescentou o Presidente sul-africano.

O partido no poder saiu vitorioso em 161 dos 213 conselhos locais em jogo. O ANC, que venceu todas as eleições com maioria absoluta desde 1994, será forçado a formar coligações, especialmente nas grandes cidades onde o seu declínio foi maior.

"Não estaremos de joelhos (para acordos de coligação) e se tivermos que estar na oposição, seremos a oposição”, disse Ramaphosa sob aplausos dos membros do partido.

Durante anos, o partido da libertação enfrentou a desilusão de uma população que sofria com um desemprego recorde (34,4 por cento) e estava revoltada com os múltiplos escândalos de corrupção envolvendo altos funcionários do partido, incluindo o ex-Presidente Jacob Zuma (2009-2018).

Em 2016, o ANC ganhou 54 por cento dos votos e perdeu cidades importantes, incluindo Pretória e a capital económica, Joanesburgo.

No rescaldo da derrota, um novo livro descreve a forma como os motins de Julho último semearam o caos nas províncias de Gauteng e KwaZulu-Natal, devido à detenção do ex-Presidente Jacob Zuma. O livro "Eight Days in July,” escrito por Qaanitah Hunter, Jeff Wicks e Kaveel Singh, apresenta de forma pormenorizada como os Serviços de Inteligência advertiram para as agitações à escala nacional, dois meses antes da tentativa de insurreição frustrada de Julho último, segundo a Panapress.

A obra aponta que os Serviços de Inteligência alertaram a Administração do Presidente Cyril Ramaphosa que o julgamento por corrupção de Zuma no caso das vendas de armas tinha a potencialidade de desencadear motins, cerca de dois meses antes da insurreição frustrada de Julho último em que 360 pessoas morreram.

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