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Cursos atraem o interesse dos jovens no Soyo

Canalização, electricidade residencial, electricidade industrial, frio e climatização, informática, manutenção e prevenção mecânica, serralharia e soldadura industrial, constam dos cursos ministrados no centro adstrito ao Instituto Nacional de Emprego e Formação Profissional (INEFOP) no município do Soyo, província do Zaire.

31/12/2020  Última atualização 13H15
© Fotografia por: Victor Mayala| Edições Novembro
"Sonho ser engenheira de electrotecnia, porque o meu desejo é de trabalhar numa indústria petrolífera ou outra qualquer, onde possa desenvolver os meus conhecimentos e contribuir para o desenvolvimento económico do país. Tem-se dito que sonhar não é proibido, mas é preciso ir atrás dos sonhos”. Estas palavras foram pronunciadas por Amélia Justina, 18 anos de idade, que é parte integrante do grupo de 286 jovens que frequentam os distintos cursos leccionados no Centro Integrado de Emprego e Formação Profissional do Soyo.

Apaixonada pela electrotecnia, Amélia Justina, corpo franzino e estatura média, frequenta o curso de electricidade industrial com outros 25 colegas, 22 dos quais do sexo masculino. Ao Jornal de Angola contou que a sua condição de mulher não a inibiu de se inscrever no curso. Amélia Justina tenciona adquirir habilidades técnicas sobre electricidade industrial que lhe sirvam de base para impulsionar a formação superior em electrotecnia que pretendi seguir."Tenho-me aplicado muito para estar em pé de igualdade ou mesmo superar, em termos de conhecimentos e habilidades, muitos colegas da turma”, referiu a jovem que é, igualmente, aluna no Instituto Politécnico dos Petróleos do Soyo, onde frequenta a especialidade de Energia e Instalações Eléctricas.

De sonhos não é tudo. Luyindula Tchiama, 14 anos, outro formando do Centro Integrado de Emprego e Formação Profissional do Soyo, nutri uma paixão especial pela informática. Foi este o principal propósito que o guiou para frequentar o curso de informática, na óptica do utilizador. Bastante sereno e dono de um olhar fixo, Luyindula Tchiama tem como maior sonho tornar-se um engenheiro informático, porém, tem consciência que, para que tal aconteça, precisa percorrer um caminho repleto de dificuldades e sacrifícios. "O curso de informática que estou a fazer é apenas na óptica de utilizador, mas a minha ideia é de continuar a estudar a informática no geral, até tornar-me, de facto, num engenheiro”, realçou o adolescente. 

Luyindula Tchiama, que também é aluno da nona classe no complexo escolar da Urbanização Kinganga Mavakala, arredores da cidade petrolífera do Soyo, explicou que restam poucos dias para o fim do curso profissional, pelo que está a preparar-se arduamente para que tenha êxitos nas provas."Dentro de dias, o curso termina. Felizmente consegui aprender e realizar várias tarefas no computador, desde a digitalização de documentos, desenhos e gráficos”, disse visivelmente satisfeito.
Escassez de materiais gastáveis
Formador do curso de Electricidade Industrial, Elias Simão esclareceu que o grau de aproveitamento dos formandos, do ponto de vista de aprendizagem, é satisfatório. Por outro lado, manifestou preocupação com a escassez de materiais gastáveis, um "condimento” necessário para que existam aulas práticas com regularidade.

Elias Simão, que lecciona no centro há mais de 10 anos, depois de ter beneficiado de algumas acções de capacitação, uma das quais na República da Namíbia, notou que, à luz da componente didáctica, parte da pedagogia que se encarrega ao estudo dos métodos de ensino, a vinculação da teoria com a prática é fundamental, uma vez que a sua ausência fragiliza a qualidade dos ­técnicos formados.

Na visão de Miguel Ndombele Nlandu, formador na especialidade de Manutenção e Prevenção Mecânica, toda e qualquer formação sem a componente prática arrisca a ser considerada nula. Por esta razão, solicitou a intervenção das autoridades para que haja meios que permitam realizar uma formação técnica completa (teoria e prática) aos jovens. 

"O meu curso consome muitos materiais, porque consiste em fazer demonstrações sobre prevenção e manutenção de equipamentos e máquinas utilizados na construção mecânica”, disse.  O director do centro, Augusto Mangani, afirmou que a instituição recebeu, há meses, um apoio financeiro proveniente do serviço provincial do INEFOP, tendo o mesmo ajudado a atenuar as inúmeras dificuldades. "A maioria dos cursos tem a duração de nove meses, com excepção a informática, que é de seis. Devido às restrições impostas pela pandemia da Covid-19, o programa curricular do presente ciclo sofreu reajuste e todos os cursos vão durar apenas seis meses”, disse, lembrando que as aulas reiniciaram em Setembro, sendo que o término está previsto para ­Fevereiro próximo.

Em relação às medidas de prevenção contra a Covid-19, Augusto Mangani assegurou que foram acauteladas. A instalação de vários lavatórios à entrada da instituição e a repartição das turmas em duas, para assegurar o distanciamento físico entre os formandos, são dois exemplos.Augusto Mangani avançou que, nos últimos dois anos, o centro registou uma adesão assinalável de jovens, e não só, ávidos em frequentar os distintos cursos ministrados, facto que, como disse, constitui enorme satisfação para a direcção-geral."No período das matrículas temos registado grandes enchentes, sinal de que os cidadãos estão a ganhar consciência da importância de formação técnico-profissional, para a sua inserção no mercado de trabalho”, disse. 
  Sem parcerias para estágios
O director do Centro Integrado de Emprego e Formação Profissional do Soyo fez saber ainda que uma das maiores preocupações da instituição reside na dificuldade em estabelecer parcerias de estágios profissionais para os jovens, após a conclusão do ciclo formativo.

Augusto Mangani afirma serem bastante onerosos os custos das exigências que as empresas locais colocam, sobretudo as ligadas ao sector petrolífero, entre as quais o seguro de risco de acidentes de trabalho. Referiu que esta realidade pode ser, nos próximos tempos, ultrapassada, já que decorrem negociações junto da base logística de apoio às empresas petrolífera no sentido de se encontrar mecanismos que possam permitir a materialização deste objectivo.

"Contactamos a direcção geral da Base do Kwanda, que congrega muitas empresas, para ver se os jovens que terminam os cursos ministrados no nosso centro possam realizar os estágios profissionais. Neste momento, aguardamos a resposta e estamos em crer que será satisfatória”, vaticinou. O Centro Integrado de Emprego e Formação Profissional do Soyo existe desde 2008, tendo já lançado ao mercado de trabalho um total de 3.294 técnicos nas distintas especialidades. 

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