Cultura

Cunene: Estátua do Rei Mandume é a maior atracção turística

Elautério Silipuleni | Ondjiva

Jornalista

A estátua do Rei Mandume ya Ndemufayo tem sido a maior atracção dos visitantes que passam pela praça principal de Ondjiva, capital da província do Cunene, dois meses depois da inauguração.

12/09/2022  Última atualização 06H20
Monumento cultural foi transformado no principal cartão de visita da cidade de Ondjiva e local de grande afluência de centenas de nacionais e estrangeiros © Fotografia por: Edições Novembro

Centenas de pessoas, entre nacionais e estrangeiras, visitam o local onde permanecem várias horas a contemplar a estátua erguida para eternizar a grandeza e o sacrifício do soberano dos povos cuanhamas, que se destacou na defesa da ocupação colonial no Sul de Angola.

O local tornou-se o principal cartão de visita da cidade de Ondjiva. As pessoas visitam o local nos períodos da tarde, nos finais de semana. Aproveitam o momento para registo fotográfico de casais, entre noivos e recém-casados, que pousam para fotos de perfis nas redes sociais com imagens desse espaço público histórico e emblemático.

A estrutura está erguida no local onde funcionava o reinado de Mandume, antes da ocupação colonial, visa homenagear os feitos do soberano dos cuanhamas na luta contra a ocupação colonial, que reinou entre 1911 e 1917. Actualmente, o espaço serve como fonte de pesquisa sobre o Rei Mandume, aberto ao público 24 horas/dia, para permitir que turistas nacionais e estrangeiros possam manter contacto com a escultura do soberano.

Inaugurada a 20 de Julho deste ano, a estátua do Rei Mandume ya Ndemufayo, é considerada a mais alta elevação para eternização daque-le que foi o último soberano mais temido da região, na luta contra a ocupação colonial no Sul de Angola.

A praça central de Ondjiva, local onde também foi construído o edifício do Governo Provincial, conserva uma arquitectura mo-derna e dispõe de condições para e realização de actividades culturais. A versatilidade do espaço permite, também, que sirva para sessões fotográficas, vendas de obras discográficas, literárias, peças de artesanato, quadros e outros artigos de interesse turístico.

Ao arredor da estátua há um jardim e uma piscina que se tornaram pontos de atracção para muitos cidadãos, que aproveitam o espaço verdejante para leitura e diversão.

Pedro Matias visita várias vezes o local, disse que o jardim tem várias  árvores que dão a sensação de paz e tranquilidade, representa uma vista linda que remete o visitante à história da província e do país. Elogiou o Governo Provincial pela iniciativa e apelou à continuidade dos programas de construção de mais espaços de lazer na província do Cunene, de forma a atrair mais turistas.

Atanásio Hilundilwa, de nacionalidade namibiana, considerou que conhecer a história de Mandume implica visitar a escultura em memória ao bravo soberano do povo cuanhama, pois "está erguida no local onde funcionou o reinado, antes da ocupação colonial".   

Alguns habitantes do Cunene afirmaram que a praça de Ondjiva é um ponto ideal para o sustento das famílias, sobretudo para os fotógrafos, que encontram a sustentação para trabalharem em espaços abertos.

 

Data da morte

Para enaltecer a figura do rei, o Executivo angolano construiu, em 2000, um complexo turístico em sua memória na localidade do Oihole, a 45 quilómetros da cidade de Ondjiva, capital do Cunene. O local reveste-se de um grande significado que traduz o respeito e o valor pela cultura local.

O Complexo Memorial do Rei Mandume foi inaugurado em 2002, pelo então Presidente da República de Angola, José Eduardo dos Santos, na presença do ex-Presidente da Namíbia, Sam Nujoma.


Escombros do antigo Comissariado Provincial

O centro da cidade de Ondjiva acolhe os escombros do antigo Comissariado Provincial do Cunene (Governo Provincial), destruído em 1981 pelo antigo exército sul-africano, em pretexto de perseguição e aniquilamento dos guerrilheiros da Swapo, residentes naquela altura em Angola.

Os escombros, localizados por detrás da actual sede do Governo do Cunene, representa a história das populações do Cunene, em particular, e do país no geral, pois constitui um marco da resistência e ocupação das forças estrangeiras da parte do território angolano. O local está classificado como Património Histórico, sob De-creto Executivo 100/21, de 20 de Abril, para garantir a conservação, protecção e valorização do local.

O edifício comportava quatro pisos, albergava a sede do Comissariado Provincial do Cunene, sendo dinamitado pelas forças do apartheid durante a ocupação da localidade, mantendo-se, até agora em escombros, como forma de mostrar às novas gerações a história e o resultado da in-vasão do território nacional pelas tropas da África do Sul. Por outro lado, constituem um símbolo que traz à memória diferentes etapas da invasão do território nacional pelas tropas da África do Sul.

A classificação como Património Histórico e Cultural, pelo Ministério da Cultura, é uma medida acertada, que faz recordar o que o povo do Cunene teve que passar para que a Namíbia e a  África do Sul alcançassem a independência e libertação.

O Governo Provincial pretende remodelar o espaço, com um formato atractivo, para que seja um ponto de referência obrigatório do turismo de guerra.

A província do Cunene é uma referência de pontos de guerra da resistência à ocupação colonial e sul-africana no país, a destacar as Batalhas da Môngua e da Cahama, Oshietekela e Cuvelai.

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