Economia

Cunene colhe este mês duas mil toneladas de milho

Domingos Calucipa | Ondjiva

Jornalista

Pelo menos duas mil toneladas de milho e 100 outras de feijão são colhidas, em Novembro, na fazenda agrícola F.A.Lumbamba, na comuna de Calonga, município do Cuvelai, Cunene, numa aposta empresarial que persegue o relançamento da produção de cereais em alta escala, tendo em vista a redução da carência de alimentos que tem afectado a província nos últimos anos.

01/11/2020  Última atualização 15H54
© Fotografia por: DR
Baseada nas margens do rio Cunene, com uma área total de 1.200 hectares, a fazenda, criada há cerca de três anos, está, inicialmente, a explorar uma área de 400 hectares, sendo 200 irrigados por um sistema de rega moderno e os restantes reservados à produção de sequeiro.

Francisco Abílio Lumbamba, proprietário da fazenda, disse que as duas mil toneladas de milho por colher, agora em Novembro, foram cultivadas numa área irrigada de 75 hectares. Adiantou que a próxima colheita acontece em Janeiro do próximo ano, da qual se espera alcançar cerca de 800 toneladas do produto, sendo que a semente foi lançada à terra em finais de Setembro último, num espaço de 25 hectares.

 Referiu que a última sementeira aconteceu há duas semanas num outro espaço também de 25 hectares, enquanto os restantes 50 hectares estão a ser preparados para receber semente nos próximos dias.

 O lançamento de sementes em épocas diferentes, explicou, visa obter várias colheitas ao longo do ano. Já os 200 hectares reservados ao cultivo de sequeiro aguardam pela chegada das chuvas da presente época.Abílio Lumbamba salientou que o projecto inicial contou com um financiamento do Programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição das Importações (Prodesi), no valor de 275 milhões de kwanzas, que serviu para o arranque.

O empresário agrícola disse que o milho produzido na fazenda é transformado em fuba na moagem criada para o efeito na cidade de Ondjiva, que depois é comercializada em diferentes pontos do país. A fazenda F.A. Lumbamba emprega 75 trabalhadores e pode atingir 200 quando for alargada a área de cultivo.


Falta de financiamento condiciona

As dificuldades enfrentadas na obtenção de financiamentos para a aquisição de mais equipamentos de rega e outros insumos agrícolas estão a condicionar o alargamento da área de cultivo e a diversificação da produção da fazenda F.A. Lumbamba. O empresário afirmou que nesta altura está a trabalhar com apenas dois pivots, um equipamento de rega por aspersão, que estão a cobrir 100 hectares cada um e pretende adquirir mais seis sistemas para perfazer um total de oito.
Abílio Lumbamba disse que, caso a nova aquisição se materialize, a fazenda vai passar de 200 para 800 hectares irrigados, o que permitirá elevar a produção de cereais e outros mantimentos indispensáveis ao consumo da população local e não só.

"Tivemos muitas dificuldades e temos até agora devido à falta de financiamentos para a aquisição de alguns meios para darmos passos maiores na produção”, sublinhou o empresário, observando que o principal foco da fazenda neste momento é a produção de milho e de feijão e, posteriormente, alargar para o massango, massambala, soja,  cevada, batata-rena e cebola.

O produtor assegurou que aguarda um financiamento para alargar a produção, cujas negociações com os bancos estão a bom passo.


Aposta em citrinos

Seis mil pés de laranjeiras, tangerineiras, romancieiras e bananeiras foram plantados nos últimos dois anos na fazenda Chianja, uma das seis grandes unidades agrícolas concentradas nas margens do rio Cunene, na comuna de Calonga. Segundo Armando Medeiro "Armandão”,  que ao contrário de outros produtores apostou na produção de frutas, o seu campo ocupa uma área de 130 hectares mas, por enquanto, está a trabalhar apenas em 14 hectares. Disse que a meta é atingir nos próximos tempos perto de 20 mil pés de plantas de diferentes variedades, cujo espaço já está a ser preparado para desenvolver a fruticultura em larga escala.

O agricultor sublinhou que o cultivo da banana é a primeira experiência feita na província do Cunene, num espaço de aproximadamente 10 hectares, tendo resultado numa colheita surpreendente de 120 toneladas no ano passado. No presente ano, detalhou, perderam-se cerca de 100 toneladas devido ao elevado frio que se fez sentir.

Quanto aos citrinos, destacou que as primeiras colheitas de laranja, que começam já no próximo ano, vão rondar entre os 40 e os 50 quilogramas de fruta por cada pé, e quando as árvores atingirem a idade adulta vão produzir perto de 150 quilos, prevendo-se assim uma produção que vai rondar acima de mil toneladas por ciclo produtivo. Armando Medeiro anunciou que a fazenda está a aguardar por dois pivots de rega que chegam ao país em Novembro próximo, adquiridos na África do Sul e que só não estão entre nós até agora por conta da situação da Covid-19.
Adiantou que o objectivo é produzir também cebola e batata-rena proximamente.


Cento e 60 mil Kz/dia em combustíveis

O recurso a fontes alternativas de fornecimento de energia eléctrica para movimentar equipamentos como pivots e máquinas de bombear a água do rio para os campos pode comprometer a continuidade da actividade produtiva de grande parte das fazendas agrícolas implantadas em Canganda.

 Com seis unidades agrícolas no activo, na maioria inclinadas à produção de milho, a localidade de Calonga há muito exige energia da rede pública para reduzir os custos de produção, segundo os agricultores.
De acordo com o produtor Abílio Lumbamba, a fazenda consome todos os dias aproximadamente 162 mil kwanzas em 1.200 litros de gasóleo para garantir o bombeamento da água para o campo a partir do rio, o funcionamento do sistema de rega e as máquinas agrícolas, o que torna a actividade produtiva bastante onerosa.

"Precisamos de energia eléctrica porque o trabalho com combustível é muito dispendioso”, apelou o empresário. Já para o agricultor Armando Medeiro, o combustível para os produtores devia ser subvencionado há bastante tempo, porque a continuar assim os produtos vão chegar sempre caros às mãos do consumidor.
"Além disso, enfrentamos a competição no mercado porque no país temos agricultores que já produzem com energia da rede pública, enquanto nós usamos fontes alternativas próprias”, constatou.

Os agricultores sugeriram a extenção de uma linha eléctrica a partir da central híbrida da vila de Xangongo até ao perímetro agrícola de Calonga, numa distância de cerca de 80 quilómetros.
A fonte tem uma capacidade de produção de cinco megawatts, dos quais apenas dois MW são consumidos.

Governadora promete soluções

A falta de energia da rede, de silos para a conservação de cereais e o péssimo estado da via que liga as fazendas à cidade foram as principais preocupações apresentadas há dias pelos agricultores durante uma visita da governadora da província, Gerdina Didalelwa, àquela zona produtiva. Segundo o produtor Abílio Lumbamba, na época das chuvas naquele troço, de cerca de 80 quilómetros, quase que não se circula, o que tem dificultado sobremaneira o escoamento de produtos para a cidade.  Apontou ainda a necessidade de se erguer silos na província para absorver a produção de cereais das fazendas que começa a aumentar, para quem muitos têm estado a acondicionar mal os produtos, sobretudo em armazéns.

A governadora prometeu o início de trabalhos de terraplanagem da via esta semana, enquanto para a situação da energia o governo da província vai procurar uma solução para breve junto do Ministério da Energia e Águas.


Fazenda Vanjul com prejuízos elevados

A fazenda Vanjul, em Calonga, vai ter prejuízos acima de mil toneladas de milho, fruto de uma grave e prolongada avaria do grupo gerador que sustenta o sistema de rega em pivots, o que fez secar as culturas.
 Segundo Tony Cachimano, proprietário da fazenda agrícola Vanjul, a produção de milho feita num espaço de 50 hectares não vai ter os resultados esperados, nem o mínimo, por conta da avaria da fonte de energia que movimenta o equipamento de rega.

"Precisamos de energia aqui porque de forma contrária muitos de nós vamos desistir, pois vemos que com meios próprios a agricultura aqui não é possível, ninguém aguenta”, afirmou.
O produtor, que investiu cerca de cinco milhões de dólares, disse que a fazenda tem acima de mil hectares, mas nesta altura estão a ser explorados somente 200 hectares para milho, feijão, banana, tomate, cebola e outas hortaliças. Quanto ao feijão, assegurou que estima colher dentro de dias cerca de 300 toneladas.

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