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Cultura pela paz e o resgate dos valores morais

Através de um projecto denominado “Sou angolano, sou da Paz e pela Paz lutarei”, Chilola de Almeida incentiva outros jovens a desenvolverem ou a criarem hábitos de luta pela vida e optarem por caminhos honestos.

03/04/2022  Última atualização 12H35
© Fotografia por: Edmundo Eucílio | Edições Novembro | Huíla
De 39 anos de idade, Chilola de Almeida é munícipe do Kilamba Kiaxi. Conta que entrou para o mundo cultural através de um amigo solista de profissão, Isau Baptista, membro da Banda Maravilha, tendo a igreja tocoísta contribuído para esta veia artística.

Explicou que usa a arte para, de forma humilde e patriótica, contribuir a favor do desenvolvimento do país. "Então pensei em criar o projecto ‘Sou angolano sou da Paz e pela Paz lutarei’, cuja finalidade é sensibilizar sobre a importância da valorização e preservação da paz”, adiantou.

O promotor cultural avançou que tem estado a acompanhar a dinâmica do Executivo para a melhoria das condições de vida da população.

"Enquanto cidadãos, também temos uma parte de responsabilidade para que aconteçam mudanças significativas na vida dos angolanos, com realce para a manutenção da paz efectiva alcançada em 2002" disse.

Chilola de Almeida revelou que foi inspirado pela música de Elias dya Kimuezo, intitulada Nzala, na língua nacional Kimbundu, que diz "Mukweto Cunhanene Nzala”, que significa "ninguém deve roubar por causa da fome”. Para tal, sublinhou, deve-se utilizar tudo que se tem ao redor - que pode ser um dom, um talento, alguma coisa -, para conseguir rendimentos.

Apelou aos jovens que têm estado a vandalizar bens públicos por frustração ou falta de oportunidades a procurarem juntar-se a outros para aprenderem alguma profissão e seguirem em frente.

"O nosso contributo é com a arte e desincentivar esse tipo de práticas, renovar a esperança dos jovens angolanos, fazer acreditar mais em Angola. Se acreditarmos mais em Angola como país poderemos dar o nosso contributo para que a mudança seja um facto”, salientou.

Compositor de mão cheia

Chilola de Almeida é também um compositor de mão cheia e já compôs para vários artistas, desde os mais renomados até aos novos talentos, desde os estilos semba, kizomba, guetho-zouk e kuduro. Conta que foi um dos compositores do disco "Casebele”, do músico Editusa, além de compor temas para o músico Carlos Burity, já falecido, Banda Maravilha, Yola Semedo, Puto Português, Maya Cool, Yuri da Cunha e outros.

A título de exemplo, o promotor e compositor lembra que quando começou a pandemia da Covid-19, foi um dos primeiros a compor uma letra em língua nacional Kimbundu, que continua a ser utilizada pela Comissão Multisectorial de combate à Covid-19 e pelas rádios e televisões do país.

Realçou que foi a primeira música cantada em língua nacional e teve o apoio do governador do Cuanza-Norte, que viu o vídeo de uma mensagem que mandou para a TPA em língua nacional. "Eu achei que a minha mãe do Kimbundu deveria estar informada do que estava a acontecer”.

Questionado sobre o estado da cultura no país, considerou que está no bom caminho. Ainda assim, entende que muita coisa deve ser feita. Chilola de Almeida disse que o seu desejo é ver implementada a Lei dos Direitos de Autor, para permitir aos autores de obras obterem mais rendimentos do seu trabalho. E que o que mais lhe alegra é o dom de viver.

A maior tristeza foi o surgimento da Covid-19, porque sentiu que foi a primeira vez que o mundo entrou numa total instabilidade social e  económica que afectou vários sectores da vida.

Percurso

Chilola de Almeida diz que está na cultura há 15 anos. Nascido no dia 29 de Setembro de 1983, foi membro fundador do grupo teatral Unarte, que pertencia à Fundação Dr. Agostinho Neto. "Eu sou daquelas pessoas que come quase tudo, gosto de um bom funje, ouvir música, assistir a filmes, novelas e ler”, confessa.

Conta que depois de assistir ao filme Anaconda, fez uma letra que o Puto Português cantou na música "Azar da amiga”.

Alfredo Ferreira

 

 

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