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Cultura pede mais apoio na defesa do património

A ministra da Cultura, Carolina Cerqueira, informou, ontem, em Paris, França, onde participa, desde segunda-feira, no Fórum UNESCO-África-China, que Angola está a criar condições para preservar o património nacional, com realce para o Centro Histórico de Mbanza Kongo.

05/06/2019  Última atualização 12H09
DR © Fotografia por: Carolina Cerqueira apresentou as futuras propostas do país aos parceiros internacionais

A titular da Cultura destacou ainda no encontro, que encerrou ontem, a importância de ser criada uma parceria, mais activa, com a UNESCO e a China, no sentido de estabelecer-se “pistas” de cooperação e de procura de financiamento, para a gestão sustentável de Mbanza Kongo.
Os focos desta cooperação, disse, recairiam, principalmente, na restauração das ruínas da antiga catedral de Mbanza Kongo, Nkulumbimbi, a primeira igreja a Sul do Equador, assim como o prosseguimento de estudos sobre o sítio e de escavações arqueológicas e o reforço das capacidades para os quadros e técnicos do Museu dos Reis do Kongo.
A par disso, continuou, o Ministério da Cultura, em parceria com outros organismos do Estado angolano, está a criar programas de valorização da “antiga capital dos Reis do Kongo”, com realce para a I edição do Festival Internacional da Cultura Kongo (Festikongo), a decorrer de 5 a 8 do próximo mês e já é visto como uma plataforma de intercâmbio, partilha de conhecimentos e promoção da diversidade Kongo, assim como meio de fomentar o turismo cultural local.
Na sua intervenção, Carolina Cerqueira informou ainda que, para a materialização do FestiKongo, está a trabalhar em parceria com quadros e técnicos de outros países, que antes eram parte do antigo reinado, como a República De-mocrática do Congo, o Congo Brazzaville e o Gabão.
“Além dos aspectos de dinamização do sítio, o festival vai contribuir igualmente para a melhoria da qualidade de vida das populações, oferecendo-lhes a oportunidade de gerarem recursos através de diversas actividades nele previstas, como as exposições de arte, ateliers, feiras de artesanato e do livro, gastronomia e espectáculos musicais”, avançou.
Embora o festival aconteça no mesmo período da 43ª sessão do Comité do Património Mundial, a ministra convidou os participantes ao fórum para virem partilhar essa primeira experiência, “que vai contribuir para o bem-estar das populações locais e reforçar os laços de parceria.”
Carolina Cerqueira aproveitou ainda a ocasião para comunicar aos membros dos Estados convidados que Angola está a preparar outras propostas de inscrição de bens na lista do Património Mundial, com destaque para os sítios do Cuito Cuanavale, arqueológico de Tchitundu-Hulu e o Corredor do Kwanza.
Apesar disso, toda a atenção ainda continua e, prometeu, assim permanecerá, virada para o sítio histórico de Mbanza Kongo, inscrito na lista do Património Mundial, em 2017. “A gestão do sítio merece uma atenção especial com vista a garantir a sua du-rabilidade e sirva de alavanca de desenvolvimento às populações de Angola.”
“As recomendações emitidas pelo Comité do Património Mundial no momento da inscrição do sítio de Mbanza Kongo, nomeadamente a construção do novo aeroporto e a regulamentação sobre a gestão urbana, constituem a prioridade da agenda da Co-missão Interministerial e Multissectorial para o Património Mundial, criada em 2018”, explicou, destacando ainda o lançamento da campanha de sensibilização e de valorização da “capital dos reis”, através de painéis publicitários, colocados no Aeroporto 4 de Fevereiro, em Luanda, e em Mbanza Kongo.
“Felicito, em nome do Go-verno angolano, a UNESCO, a China e a União Africana, por esta iniciativa de criar uma plataforma de intercâmbio sobre questões ligadas ao património mundial”, adiantou, acrescentando que, ac-tualmente, o país está a preparar a Bienal de Luanda sobre a Cultura da Paz, a acontecer em Setembro deste ano.

Vestígios da antiga capital dos reis em debate

A delegação angolana, que participou no Fórum UNESCO-África-China, incluía o director Nacional dos Museus, Ziva Do-mingos, que falou sobre a problemática da conservação dos vestígios da cidade histórica de Mbanza Kongo. A delegação aproveitou ainda a oportunidade para prestar informações sobre o engajamento do Executivo nas acções de promoção e preservação da antiga capital do Kongo.
O fórum, realizado em Paris, França, incluiu ainda a assinatura de um memorado de colaboração, de cinco anos, para melhorar a gestão do património mundial nas regiões de Áfri-ca e Ásia.

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