Sociedade

Cuanza-Norte: Cidadãos violam quarentena à procura do precioso líquido

A falta de água na maioria dos bairros de Ndalatando tem obrigado os munícipes a saírem de casa à procura do precioso líquido, violando, assim, a quarentena imposta pelo Decreto sobre o Estado de Emergência devido à pandemia do Covid-19.

30/03/2020  Última atualização 22H00
Paulo Mulaza | Edições Novembro © Fotografia por: Na fonte da Santa Isabel, onde existem dois canais de abastecimento, foram vistas dezenas de cidadãos, com o intuito de conseguirem água

Apesar da informação prestada há dias pelo presidente do Conselho de Administração da Empresa de Água do Cuanza-Norte, segundo a qual estava garantido o abastecimento regular de água em todas as zonas, na prática nada disso está a ocorrer.

A reportagem do Jornal de Angola constatou, ontem, a procura desesperada pela água por parte de munícipes de vários bairros de Ndalatando. Muitas viaturas, motorizadas com carroça e pessoas apeadas se dirigiam para distintos lugares aonde era possível encher os recipientes.
Na fonte da Santa Isabel, onde existem dois canais de abastecimento, foram vistas dezenas de cidadãos, com o intuito de conseguirem água.
Ary Jander, morador do bairro Catome de Cima, disse que, apesar da quarentena e dos constantes apelos das autoridades para se manter em casa, ainda assim não foi possível obedecer, devido à falta de água em casa. “Realmente é complicado, não temos água em nossas casas, por isso não tem como obedecer as normas e se manter em casa sem este bem”, disse.
O funcionário público Lourenço Manuel Domingos precisou que o bairro Miradouro, onde vive não tem água corrente e nem sequer existe um fontanário em funcionamento. Além disso, mesmo que as autoridades quisessem levar lá água com cisternas, não há ruas em condições para as mesmas passarem, disse.
Para além da fonte da Santa Isabel, encontrámos, igualmente, dezenas de pessoas na girafa do bairro Embondeiro na luta para conseguir um pouco de água para a família.
A Reportagem do Jornal de Angola passou, igualmente, pelas igrejas Católica, Metodista, Pentecostal, Adventista do Sétimo Dia, algumas evangélicas, Universal do Reino de Deus, Bom Deus e Mundial. As mesmas estavam totalmente vazias, cumprindo com a medida das autoridades que proíbe a acumulação de mais de 50 pessoas num só lugar.
Nos caixas electrónicos foi possível observar o distanciamento entre as pessoas nas filas. As ruas estavam calmas e mais ou menos isoladas, sendo que os mototaxistas são impedidos de transportarem passageiros.
Os mesmos circulam sozinhos, mas apenas para actividades que se mostrem necessárias. De contrário, as motorizadas são retidas pela Polícia.
Nos hospitais provincial do Cuanza-Norte e municipal de Cazengo, bem como no centro de saúde do bairro Sassa, foi possível observar que as visitas foram interditas, até que o Estado de Emergência esteja ultrapassado.

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