Regiões

Cuanza-Norte: Abertura de mais centros ópticos reduz o número de transferências

André Brandão | Ndalatando

O surgimento de mais centros ópticos, nas cidades de Ndalatando, Dondo e Camabatela, assim como nos municípios de Cazengo, Cambambe e Ambaca, no Cuanza-Norte, está a ajudar a reduzir o número de transferências para as províncias de Luanda, Malanje e Uíge.

01/09/2022  Última atualização 07H50
Médica Nguyên Thi Quijuh disse que atende, por dia, 15 pacientes nas consultas externas © Fotografia por: André Brandão | Edições Novembro | ndalatando

Numa ronda efectuada pela cidade, o Jornal de Angola constatou que com este aumento, os pacientes, de ambos os sexos e diferentes idades, já não necessitam de viajar para fazer as consultas de especialidade noutras províncias.

Em Ndalatando estão instaladas três unidades de referência, sendo uma na área de consultas externas, no Hospital Provincial do Cuanza-Norte, outra no centro óptico Info Prest e também na clínica Vida e Saúde.

Os municípios de Cambambe e Ambaca contam igualmente com unidades de referência. Nas salas de observação dos referidos centros oftalmológicos, são visíveis equipamentos de ponta. Algumas pessoas, que residem nestas localidades confirmaram que procuram estas unidades para fazer as consultas oftalmológicas e de optometrista.

Edy Cardoso, de 24 anos, diz sofrer de problemas de visão há anos, mas superou esta deficiência visual a três meses, depois de uma consulta de oftalmologia. Agora usa óculos graduados. "No princípio sentia muitas dores de cabeça, tinha dificuldades para ver de dia. De noite não conseguia fazer leituras. Lacrimejava e às vezes sentia tonturas”, conta.

Outro exemplo é Madalena António, de 35 anos, que levou a filha de oito anos, pela primeira vez, as consultas externas de oftalmologia, no Hospital Provincial do Cuanza-Norte, por esta queixar-se de fortes dores nos olhos, ao ponto de lacrimejar o dia todo.

"A conselho dos vizinhos, decide procurar os serviços médicos. Depois da consulta, tudo mudou. A minha filha deixou de ter dores de cabeça e as lágrimas cessaram”, contou, acrescentando que antes fazia as consultas em Luanda e Malanje. "Eram muitos transtornos com as viagens, sem contar os gastos com a hospedagem e alimentação”. 

 Uria Francisco, de 38 anos, também tinha problemas de visão, com frequente comichão nos olhos. "Com o aumento do número de consultórios, os preços também baixaram e fiz a primeira consulta. Tive muito medo. Mas era infundado. Agora, com o uso de gotas, estou bem melhor”, adiantou.

 Os centros

A médica especialista em Oftalmologia, do Hospital Provincial do Cuanza-Norte, Nguyên Thi Quijuh, disse que nas consultas externas atende, diariamente, 15 pacientes, entre crianças e adultos, com problemas de conjuntivites, cataratas, hipertensão ocular, traumas ocular e irritações.

A médica vietnamita realçou que todos os dias aconselha, pelo menos, três pessoas a usarem óculos. "De Janeiro até hoje já recomendei o uso de óculos a 528 pacientes”. A directora clínica do centro Vida e Saúde, Cecília Vitorino, explicou que consultam, em média, dez pacientes de Oftalmologia e optometria, por dia. A consulta de oftalmologia, esclareceu, custa 6.000 kwanzas, enquanto a de optometria é 4.000 kz.

No estabelecimento, informou, têm disponíveis armações e lentes, cujos preços vão dos 20 mil aos 100 mil kwanzas. "Existem no Cuanza-Norte muitas pessoas que padecem destas enfermidades, mas como não têm costume de procurarem os serviços médicos, torna-se difícil saber o volume de doentes a nível da província”, justificou.

Para a responsável da óptica Info Prest, Ana Ma-lesso, a situação é semelhante, pois recebem, por dia, 20 pacientes, para diagnósticos de Oftalmologia e optometria. Os óculos disponíveis, revelou, têm preços variados, que vão dos 22 mil aos 145 mil kwanzas. "As consultas variam dos quatro aos seis mil Kwanzas”.

A óptica, adiantou, tem feito cirurgias de remoção de objectos nos olhos, como cacos de garrafas, madeira e metais. "Caso não consigamos dar resposta imediata, transferimos o paciente para uma unidade hospitalar filiada ao centro, ou ao  hospital provincial do Cuazan-Norte”, destacou.

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Regiões