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Cuando Cubango: Bloco operatório carece de especialistas e meios

Weza Pascoal | Menongue

Jornalista

O Bloco Operatório do Hospital Municipal de Menongue, a segunda maior unidade sanitária da província do Cuando Cubango, está inoperante desde 2017, por falta de equipamentos, cirurgiões e anestesistas, situação que obriga a evacuação imediata dos pacientes que necessitam de intervenção cirúrgica.

04/09/2022  Última atualização 08H07
© Fotografia por: DR

O director da referida unidade sanitária, Wladimir Ernesto, informou que, mensalmente, sete a oito pacientes são transferidos para o Hospital Geral do Cuando Cubango, com realce para as parturientes e vítimas de acidentes de viação, envolvendo motociclos, para intervenção cirúrgica. 

Wladimir Ernesto disse que a situação é bastante preocupante, porque nem sempre os pacientes são transferidos oportunamente para a maior unidade sanitária da província, porque o hospital que dirige conta apenas com uma ambulância, que não tem sido suficiente para acudir todas as emergências.

"A falta de Bloco Operatório e de mais ambulâncias tem provocado enormes transtornos no que diz respeito à assistência médica. Normalmente, a ambulância transporta, apenas, um doente, e muitas vezes precisamos transferir dois ou mais ao mesmo tempo, situação que tem provocado o agravamento do estado de vários pacientes ou mesmo a morte”, explicou. 

Com 80 camas para internamento, o hospital conta com serviços de medicina geral, maternidade, pediatria, banco de urgência, laboratório, Raio-X, ecografia e hemoterapia, assegurados por 11 médicos nacionais e estrangeiros, bem como 100 enfermeiros.

Referiu que, para garantir o pleno funcionamento do Hospital Municipal de Menongue e permitir uma melhor assistência médica e medicamentosa aos cerca de 350/400 pacientes atendidos diariamente, são necessários mais 50 médicos e 100 enfermeiros.

De Janeiro a Agosto do ano em curso, foram atendidos 27 mil pacientes com diversas patologias, dos quais três mil internaram e 39 casos resultaram em óbitos, tendo apontado a malária, as doenças diarreicas e respiratórias agudas como as patologias mais frequentes.

No período em referência, foram registados 6.936 casos de malária, com 26 mortes, 770 de doenças diarreicas agudas e 585 de doenças respiratórias agudas, sendo as crianças, dos zero aos dez anos, as mais afectadas.

Acrescentou que, diariamente, são efectuadas, em média, nove a dez transfusões no Hospital Municipal de Menongue, que está quase sempre com o stock vazio, obrigando os familiares a doarem sangue para os pacientes.

Apelou às igrejas, organizações juvenis, efectivos da Polícia Nacional, das Forças Armadas Angolanas e de outros estratos sociais no sentido de promoverem campanhas de doação de sangue.

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